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Criança e Natureza

Brincadeiras com flores na Primavera

Brincadeiras com flores na Primavera: experiências sensoriais lúdicas e criativas que conectam as crianças à natureza, estimulando imaginação, aprendizado e respeito pelo meio ambiente.

Na primavera, as flores se tornam não apenas um espetáculo de cores e aromas, mas também matéria prima natural e acessível para as brincadeiras infantis. As crianças, com sua imaginação criadora, transformam esses pequenos tesouros da natureza em invenções lúdicas, explorando a beleza e a diversidade que a estação oferece. Brincar com flores na primavera vai além de entretenimento e diversão; é uma forma das crianças se conectarem com o mundo natural ao admirar sua beleza, estimulando sua criatividade, sensibilidade e compreensão sobre o ciclo  da vida.

As brincadeiras com flores, como a criação de coroas florais, pulseiras e “comidinhas”, permitem que as crianças desenvolvam habilidades motoras finas, além de despertar o interesse pela natureza. Confeccionar arranjos, fazer mandalas são exemplos de como essas experiências sensoriais podem proporcionar descobertas encantadoras e muito aprendizado.

Além disso, essas atividades estimulam o desenvolvimento emocional, promovem o vínculo da criança com a terra, estimulam a curiosidade e a imaginação, revelando à criança que as formas da flora contêm as formas da vida e de todos os seres, como afirma Gandhy Piorski em ‘Brinquedos do Chão‘. Piorski ainda reforça que as brincadeiras com os materias advindos da natureza criam senso de parentesco, similitude e unidade à existência.

Portanto a primavera é um cenário perfeito para que as flores não sejam apenas contempladas, mas também manuseadas de forma criativa, educativa, e até mesmo terapêutica, transformando cada brincadeira em uma experiência única de aprendizado e conexão profunda com os  elementos da terra.

 

SOBRE A RIQUEZA DA FLORA BRASILEIRA

A flora brasileira é uma das mais ricas e diversas do mundo, abrigando uma imensidão de espécies. O Brasil é um verdadeiro tesouro natural, responsável por aproximadamente 20% da biodiversidade vegetal do planeta. A Amazônia, por exemplo, é casa de milhares de árvores, como a seringueira e o açaizeiro, enquanto o Cerrado, com suas árvores retorcidas e resistentes, possui uma flora adaptada às condições mais secas e calorosas.

A Mata Atlântica, outra joia da biodiversidade, é conhecida por suas plantas exuberantes, como bromélias e orquídeas, que encantam com suas formas e cores. Além de sua beleza, muitas delas têm importância ecológica, medicinal, estão presentes na culinária, além é claro de fazer parte do universo lúdico das crianças. Confira algumas sugestões de brincadeiras com flores:

 

BRINCADEIRAS COM FLORES NA PRIMAVERA

CAMINHAR SOB TAPETES COLORIDOS

Caminhar sobre tapetes coloridos de flores caídas no chão na primavera é uma experiência mágica para a criança. O chão se transforma em uma paleta vibrante de cores, com pétalas que cobrem o caminho, criando uma imagem encantadora e única. Cada passo neste tapete parece mais leve, enquanto a criança pode ainda explorar a textura e as formas das flores. O perfume doce das flores no ar e a sensação de pisar nas pétalas tornam o momento ainda mais sensorial, criando memórias afetivas inesquecíveis. Além da beleza, essa caminhada reforça a conexão com o ciclo das estações, ajudando a criança a apreciar a delicadeza da natureza e o seu constante renascimento.

 

UNHAS POSTIÇAS

Usar pétalas pequenas de flores sobrepostas nas próprias unhas fixando-as com saliva como se fossem unhas postiças. Para uma criança, usar pétalas pequenas de flores como se fossem unhas postiças, é uma brincadeira muito divertida. Ao escolher as flores que tenham pétalas pequenas, ela explora formas e cores da natureza de uma maneira inusitada. O toque delicado e cuidadoso das pétalas nas pontas dos dedos traz uma sensação suave, quase mágica, e a leveza das flores sobrepostas desperta a imaginação. A criança experimenta transformar suas unhas em algo único e encantador, conectando-se com a natureza de maneira simples e lúdica. O processo de pressionar as pétalas com saliva envolve o tato e a concentração, criando um momento íntimo e sensorial. Além disso, essa atividade desperta a curiosidade sobre a fragilidade e a beleza das flores. As pétalas da maria sem vergonha são ótimas para essa brincadeira.

 

COLORIR COM PÉTALAS DE FLORES

Colorir amassando e esfregando as pétalas de flores sob o papel é uma experiência sensorial surpreendente para a criança. Ao substituir tintas tradicionais por pétalas, ela descobre as cores e texturas naturais de forma espantosa. As tintas das flores são verdades da natureza, “verdades das profundezas” como afirma Gaston Bachelard.

O toque suave das flores nas mãos, o leve amassar das pétalas e a observação de como o pigmento se espalha no papel criam uma sensação de descoberta e experimentação. A criança aprende que a natureza é fonte de beleza e arte, percebendo nuances delicadas que variam de flor para flor. O aroma sutil das pétalas esmagadas adiciona outra camada sensorial, envolvendo o olfato no processo criativo. Ao ver o resultado final, com traços suaves que dão um efeito aquarelado, a criança se sente conectada ao processo natural, desenvolvendo uma apreciação pelo que a natureza oferece e uma visão diferente sobre as formas de expressar a criatividade.

GELO FLORAL

Flores congeladas – fazer gelo floral é uma experiência sensorial encantadora para a criança. Ao recolher flores pequenas no chão do jardim e colocá-las nas forminhas de gelo, a criança explora a textura e a forma das pétalas, envolvendo-se em um processo de descoberta da natureza. Cada flor escolhida traz cores e padrões únicos, transformando o simples ato de fazer gelo em uma atividade criativa e envolvente. O toque frio da água nas mãos ao preencher as forminhas e a expectativa ao esperar que o gelo se forme no congelador tornam o processo ainda mais emocionante. Quando os cubos de gelo florais estão prontos, a criança pode observar as flores suspensas dentro do gelo, criando um efeito visual fascinante. Além da diversão, essa atividade desperta a curiosidade sobre os elementos naturais e promove uma conexão especial com a natureza, incentivando a criatividade e a apreciação pela beleza simples ao redor.


Brincadeiras com flores na primavera

é apenas o começo de uma jornada lúdica e cheia de aprendizado que pode ser ampliada com brincadeiras de roda, canções, e também  com a leitura de livros infantis sobre a estação. Histórias que exploram a beleza e a magia da primavera ajudam as crianças a compreenderem melhor o ciclo das estações, a importância das flores e a conexão entre natureza e imaginação. Além disso, essas leituras despertam a curiosidade, incentivam a exploração ao ar livre e promovem o respeito pelo meio ambiente. Com histórias que inspiram aventuras entre flores e jardins, as crianças podem expandir suas brincadeiras e criar novas formas de interagir com a natureza, tornando a primavera um cenário para aprendizado, criatividade e descobertas. Confira algumas indicações de leitura:

A Primavera da Lagarta, Ruth Rocha

O Jardim Curioso, Peter Brown

De flor em flor, Jon Arno Lawson e Sydney Smith

De onde nascem as flores, Anna Charlie e Daniel Ianae

O Jardim Secreto,  Frances H. Burnett

O pote vazio, Demi

Estações, Daniel Munduruku

A Primavera de Vivaldi, Daniela Libanio

Para mais inspirações de brincadeiras com os elementos naturais conheça também o ‘Livro do Educador brincando com a natureza’.

Que possamos compreender a terra como matéria prima do brincar e oportunizar às nossas crianças experiências sensoriais lúdicas que enriqueçam suas infâncias e que assim como as flores na primavera, as crianças floresçam como expressão da força da natureza!

Abraço afetuoso

Ana Lúcia Machado

 

Como comemorar o Dia da Árvore com as crianças

Como comemorar o Dia da Árvore com as crianças, uma data essencial para nos lembrarmos do papel vital que as árvores desempenham em nossas vidas e no equilíbrio ambiental do planeta. Comemorar esse dia é uma forma de semear a conscientização ambiental desde cedo, ensinar,  valorizar e proteger a natureza.

O Dia da Árvore é comemorado em 21 de setembro, às vésperas da chegada da primavera no hemisfério sul. Essa data foi instituída como forma de promover a conscientização da importância das árvores para a preservação da natureza e o equilíbrio ambiental, enfatizando   inúmeros benefícios que as árvores proporcionam.

Em A Vida Secreta das Árvores, o autor Peter Wohlleben, revela um mundo invisível das florestas, onde as árvores possuem uma existência complexa e interconectada, muito além do que os olhos podem ver. Wohlleben, um engenheiro florestal alemão, usa sua vasta experiência e observações para descrever as árvores como seres sociais, dotados de formas de comunicação e cooperação que são surpreendentemente semelhantes às de uma comunidade humana.

 

A Importância do Dia da Árvore

O Dia da Árvore é muito mais do que uma data simbólica. Ele serve como um lembrete da necessidade urgente de cuidar do meio ambiente, especialmente em um mundo onde as questões climáticas se tornaram um dos maiores desafios globais. As árvores desempenham um papel vital no ecossistema e na saúde do planeta, fornecendo oxigênio, capturando dióxido de carbono, prevenindo erosão, proporcionando habitat para diversas espécies e oferecendo sombra e beleza às paisagens urbanas e rurais.

Além disso, essa data ajuda a reforçar a conexão entre as pessoas e a natureza, entre a criança e a natureza, principalmente nas áreas urbanas, onde o contato com o verde é muitas vezes limitado. Para as crianças, essa conexão é ainda mais importante, pois influencia diretamente no desenvolvimento físico,  emocional, e cognitivo, criando uma geração mais consciente e comprometida com questões ambientais.

 

Benefícios das Árvores para o Planeta e as Pessoas

As árvores são essenciais para a vida no planeta, e seus benefícios são inúmeros, confira:

  1. Produção de Oxigênio: Através do processo de fotossíntese, as árvores liberam oxigênio, essencial para a vida humana e de outros seres vivos.
  2. Captura de CO2: As árvores absorvem o dióxido de carbono da atmosfera, ajudando a combater o aquecimento global e a mudança climática.
  3. Controle de Temperatura: Em áreas urbanas, as árvores ajudam a reduzir o efeito de “ilhas de calor”, proporcionando sombra e refrescando o ambiente.
  4. Prevenção de Erosão do Solo: As raízes das árvores ajudam a fixar o solo, prevenindo a erosão e o deslizamento de terras.
  5. Habitat para Fauna: Árvores abrigam uma grande diversidade de animais, como aves, insetos e pequenos mamíferos, que dependem delas para sobreviver.
  6. Bem-estar Humano: Estudos mostram que a presença de árvores em áreas urbanas pode melhorar a saúde mental, reduzir o estresse e promover a qualidade de vida.
  7. Beleza e Estética: As árvores embelezam o ambiente, criando paisagens agradáveis que contribuem para o bem-estar emocional e a qualidade de vida nas cidades.

 

COMO COMEMORAR O DIA DA ÁRVORE COM AS CRIANÇAS

Desta forma, o Dia da Árvore é uma oportunidade educativa e lúdica de aprender sobre a natureza de maneira experiencial e envolvente. É uma excelente forma de despertar o interesse das crianças pelo mundo natural desde cedo e de criar vínculos afetivos com a natureza.

Existem várias experiências sensoriais de impacto que podemos oportunizar para as crianças com o intuito de tornar essa data especial. Saber como comemorar o Dia da Árvore com as crianças de um jeito não convencional, fugindo de atividades com papel e cola, que são pouco atrativas e estimulantes, é muito importante para tornar esta celebração significativa. Veja algumas ideias inspiradoras:

1.Subir em uma árvore

Subir em uma árvore é uma experiência sensorial rica e transformadora. Desde o momento em que a criança toca o tronco, a textura áspera da casca desperta o tato, oferecendo uma sensação de firmeza e segurança. À medida que os pés buscam apoio nas saliências e ramos, o corpo se ajusta e equilibra, ativando a consciência corporal, espacial e a coordenação motora. Cada movimento é acompanhado pela pressão dos dedos nas superfícies irregulares, proporcionando uma conexão física direta com a natureza.

O aroma das folhas e da madeira fresca invade o olfato, evocando uma sensação de frescor e liberdade. O som das folhas farfalhando ao vento e dos pássaros cantando ao redor cria uma trilha sonora que envolve a criança em um ambiente natural vivo e dinâmico. A subida, por vezes desafiadora, estimula a criança a superar obstáculos, encontrar soluções e gerenciar riscos, reforçando a autoconfiança.

Chegar ao topo é uma vitória. Dali, a criança experimenta uma nova perspectiva: a visão se expande, abrangendo paisagens que antes estavam fora de alcance. O vento suave que sopra no rosto traz uma sensação de conquista e pertencimento àquele espaço. Para a criança, subir em uma árvore não é apenas uma aventura física, mas uma experiência sensorial completa, que desperta os sentidos, fortalece o corpo e nutre a alma com uma profunda conexão com a natureza.

2.Abraçar uma árvore

Abraçar uma árvore é uma experiência profunda para uma criança. Ao envolver os braços ao redor do tronco, a criança sente a textura rugosa da casca sob suas mãos, transmitindo uma sensação de solidez e proteção. O tronco, muitas vezes mais frio que o ambiente ao redor, oferece uma calma refrescante, enquanto o cheiro terroso e amadeirado se espalha no ar, despertando o olfato e trazendo uma conexão imediata com a natureza.

Este abraço propicia um momento de tranquilidade. A sensação de proximidade com um ser vivo tão grande e antigo desperta uma curiosidade silenciosa e respeito.

Essa experiência não é apenas física, mas também emocional. Abraçar uma árvore provoca um sentimento de acolhimento e pertencimento, como se a árvore estivesse protegendo a criança. O simples ato de tocar e abraçar a árvore desperta uma consciência sobre a vida ao redor, conectando a criança de maneira íntima e sensorial com o mundo natural.

3.Ouvir o pulsar da árvore com um estetoscópio

Ouvir o pulsar de uma árvore com um estetoscópio é uma experiência surpreendente. Ao pressionar o aparelho contra o tronco, a criança pode captar sons sutis e quase imperceptíveis: o leve movimento da seiva circulando, o estalo ocasional da madeira e até a suave vibração das raízes no solo. Esses sons internos revelam a vida escondida dentro da árvore, conectando a criança a um ritmo natural e profundo. É como descobrir o “coração” da árvore, proporcionando uma sensação de mistério e encantamento, ao perceber que a natureza tem seu próprio ritmo vital.

4.Fazer um piquenique à sombra de uma árvore

Um piquenique à sombra de uma árvore frondosa é uma experiência de serenidade e harmonia com a natureza. O som suave das folhas ao vento cria uma melodia calma, enquanto a brisa fresca alivia o calor. A sombra da copa envolve o ambiente em um frescor agradável, ideal para relaxar. O aroma da grama misturado ao das flores e frutas evoca sensações de bem-estar. Comer ao ar livre, cercado pelo verde, intensifica os sabores e desperta os sentidos, proporcionando um momento de paz e conexão profunda com a simplicidade e beleza do mundo natural.

5.Comer fruta colhida do pé

Comer uma fruta colhida diretamente do pé é uma experiência sensorial mágica para uma criança. O ato de estender a mão e arrancar a fruta da árvore desperta um sentimento de descoberta e conquista. A textura da casca ou da polpa fresca nas mãos traz uma sensação imediata de vida, como se a árvore compartilhasse seu presente direto com a criança.

Ao dar a primeira mordida, o sabor explode de maneira intensa e autêntica, diferente de qualquer fruta comprada em mercados. O suco fresco escorre pelos lábios, o cheiro natural e doce da fruta inunda o ar, intensificando o prazer da experiência. O sabor genuíno, muitas vezes mais doce e suculento, revela a criança a diferença de uma fruta recém-colhida, criando uma conexão mais direta com o ciclo natural dos alimentos.

Esse momento também traz uma compreensão intuitiva do tempo e da paciência, pois a criança percebe que aquela fruta cresceu e amadureceu ao longo das estações. Comer diretamente do pé é, além de delicioso, uma experiência de aprendizado sobre a natureza, suas dádivas e a importância de respeitar e apreciar o ambiente ao redor.

6.Conhecer uma casinha de árvore

Conhecer uma casinha de árvore é como entrar em um mundo de fantasia para uma criança. Ao subir os degraus que levam até ela, a sensação de aventura e mistério cresce a cada passo. Lá em cima, entre os galhos, a casinha se torna um refúgio secreto, um espaço só dela, onde a imaginação corre solta. A madeira rústica, o cheiro de folhas e o balançar suave da árvore com o vento tornam a experiência sensorialmente rica e acolhedora.

Dentro da casinha, a criança cria um universo próprio, seja brincando de exploradora, pirata ou simplesmente relaxando em seu esconderijo particular. A vista elevada oferece uma nova perspectiva sobre o mundo ao redor, proporcionando um sentimento de liberdade e conexão com a natureza. A casinha de árvore transforma-se em um santuário de aventuras e sonhos, onde a criança pode vivenciar a magia de estar em harmonia com o ambiente natural.

7.Contemplar árvores gigantes numa visita ao Jardim Botânico de sua cidade

Conhecer árvores gigantes é uma experiência deslumbrante para uma criança. Ao se aproximar desses colossos da natureza, a sensação de pequenez diante da imensidão das árvores desperta um misto de admiração e curiosidade. O tronco, largo e robusto, parece intransponível, e as copas se erguem tão alto que parecem tocar o céu.

O simples ato de tocar a casca rugosa e olhar para cima, acompanhando a altura, conecta a criança à grandiosidade e longevidade da natureza. Os sons suaves das folhas balançando lá no alto criam uma atmosfera mágica, quase como se as árvores gigantes sussurrassem segredos antigos.

Explorar o entorno das raízes, sentir a sombra fresca e imaginar a vida longa e silenciosa desses seres desperta um profundo respeito pela natureza. Para a criança, essas árvores são monumentos vivos, fontes de mistério e fascinação, que estimulam a imaginação e o senso de maravilha.

CONHEÇA O JARDIM BOTÂNICO DA CIDADE DE SÃO PAULO AQUI

 

OUTRAS ATIVIDADES DE COMO COMEMORAR O DIA DA ÁRVORE COM AS CRIANÇAS

Caminhadas ao Ar Livre

Organizar uma caminhada em um parque ou área arborizada é uma forma de permitir que as crianças tenham contato direto com a natureza. Durante a caminhada, é possível conversar com as crianças sobre a importância das árvores, mostrar diferentes tipos de plantas e até mesmo observar animais em seu habitat natural.

Leitura de Livros sobre a Natureza

A literatura infantil é uma poderosa ferramenta para transmitir lições sobre o meio ambiente. Escolher livros que falam sobre árvores, florestas e a natureza pode inspirar a imaginação das crianças e reforçar a mensagem de preservação. Histórias com personagens da fauna e flora são ótimas para despertar o interesse dos pequenos. Confira algumas indicações:

Árvores, Piotr Socha, WMF Martins Fontes

Trata-se de um livro enciclopédico infantojuvenil com conteúdo abrangente sobre as árvores de todo o mundo em todos os tempos.

Qual é a árvore mais alta do mundo? Desde quando existem as árvores e quanto tempo elas vivem? Existe um hotel construído em uma árvore? E o que podemos fazer para ter certeza de que as árvores sobreviverão para o futuro? Este livro responde   essas questões e a muitas outras – de maneira leve e perspicaz.

O autor perfaz a história das árvores desde os tempos antigos até os dias de hoje, examinando, ao longo do percurso, o papel que as árvores tiveram na história, na mitologia e em todo o mundo natural.

O livro é todo ilustrado, com textos informativos, e traz as árvores como ligação entre diversos elementos de vida, diversidade, evolução, construção e morte.

 

 

Debaixo das copas, Iris Volant, ‎ VR Editora

Sabe essa árvore de galhos fortes em que você acabou de subir? E aquela enorme do parque, com raízes saindo pela terra? E a da praia, que faz uma sombra perfeita? Cada uma delas tem uma história para contar. Pode estar conectada à sua trajetória pessoal e pode também fazer parte das histórias de um povo de algum lugar. Sejam protagonistas ou coadjuvantes, as árvores aparecem em contos, lendas e narrativas verídicas da humanidade. São sagradas, como a imensa samaúma da Amazônia, ou responsáveis por grandes saltos nas ciências, como a singela macieira de Isaac Newton, que, quase discretamente, fez o físico elaborar a teoria da gravidade. Gigantes ou pequenas, míticas ou provedoras, frondosas ou escassas em folhas, simbolizam universalmente a diversidade e a resistência. Debaixo das copas reúne árvores de todos os tipos e continentes. Você vai se encantar com as histórias que as cercam e as transformam em verdadeiros patrimônios culturais, além, é claro, de conhecer um pouco de suas características.

 

As árvores do Brasil, lalau e Laurabeatriz, Editora Peirópolis

Árvores do Brasil apresenta algumas das árvores mais importantes do nosso país. É uma homenagem a essas verdadeiras maravilhas da natureza que nos dão sombra e frutas, evitam que a erosão acabe com nossos rios, oferecem abrigo e alimento aos bichos e passarinhos, ajudam a retirar poluentes do ar que respiramos e deixam a vida mais bonita e florida. Lançado em 2011, no Ano Internacional da Floresta, o livro é um grande e colorido desfile de quinze espécies de árvores, três de cada bioma brasileiro: pau-brasil, araucária, jequitibá, ipê-do cerrado, buriti, jatobá-do-cerrado, juazeiro, mulungu, umbuzeiro, ipê-roxo, jenipapo, pau-formiga, castanheira-do-pará, piquiá e mogno.Cada árvore ganhou um poema, uma ilustração e a companhia de um bicho que mantém alguma relação de vida com ela: alimenta-se das frutas e folhas, procura abrigo, ajuda a espalhar sementes ou caça insetos que vivem nos troncos.No final, o livro traz nomes científicos e textos sobre a altura que podem atingir, principais características e usos das madeiras, como os frutos são consumidos pelo homem, problemas que enfrentam na natureza e outras informações.

 

CONFIRA OUTRAS INDICAÇÕES DE LIVROS  AQUI


DIA DA ÁRVORE COM AS CRIANÇAS

Vamos explorar essa data de uma maneira não convencional, longe da folha de papel A4 e da cola? Vamos comemorar o Dia da Árvore com as crianças vivenciando a importância, os benefícios das árvores de um jeito  criativo e inspirador?

O Dia da Árvore é uma data essencial para nos lembrarmos do papel vital que as árvores desempenham em nossas vidas e no equilíbrio ambiental do planeta. Comemorar esse dia com as crianças é uma forma de plantar as sementes da conscientização ambiental desde cedo, ensinando-as a valorizar e proteger a natureza. Com experiências sensoriais, lúdicas e educativas, como abraçar uma árvore, comer fruta colhida do pé,  e caminhadar ao ar livre, é possível deixar uma marca positiva na formação de uma geração mais consciente e comprometida com o futuro do planeta.

 

Abraço afetuoso

Ana Lúcia Machado

 

 

 

BRINCADEIRA DE COMIDINHA – UM CLÁSSICO DA INFÂNCIA DE TODOS OS TEMPOS

A brincadeira de comidinha é um clássico da infância que atravessa gerações de diferentes culturas e lugares do mundo. Basta um pedacinho de chão de terra, num parque, praça, no pátio da escola, no quintal de casa ou até mesmo a terra de um vaso de planta da varanda ou da sala.

É preciso também uma pá para escavar e recolher a terra, recipientes e água, para que então, as crianças coloquem a mão na massa no preparo de tortas, bolos e bolinhos. Suas mãozinhas hábeis não só imitam o ato de cozinhar assimilado pelo que veem na família e na escola, como usam a imaginação e criatividade para inventar novos formatos para as criações culinárias.

O bolo pode ser de aniversário, todo decorado, o preferido das crianças, mas também pode ser um bolo comum, apenas para o lanche da tarde, em um faz de conta cheio de encantamento.

Cada criança tem a sua receita. Algumas delas misturam uma medida de terra para meia medida de água. Se a consistência da massa ficar muito mole, elas acrescentam mais terra, ou se ficar muito seca, colocam mais água.

Algumas receitas incluem outros ingredientes, uma vez que na natureza a criança encontra à disposição uma gama de elementos naturais para enriquecer a brincadeira – folhas viram cobertura, sementes e flores viram decoração, gravetos viram vela para soprar na hora de cantar parabéns. E toda essa diversidade de materialidade da terra é estímulo multissensorial – diferentes texturas, cores, aromas, temperaturas e formas.

BRINCADEIRA DE COMIDINHA E SUA RESSONÂNCIA

É desta maneira simples que acontece a brincadeira de comidinha. A profundidade da experiência que essa brincadeira propicia é fantástica, cheia de aprendizado! Com ela as crianças aprendem sobre medidas, quantidades, pesos, proporções, e reações de misturas. A variedade de experiências possíveis é enorme – inclui investigar, testar, repetir, experimentar, classificar, denominar, servir.

Imagem: Centro de Referência em Educação Integral

A brincadeira de comidinha estimula o movimento da criança e gera uma multiplicidade de ações. Por meio dela a criança irá recolher os materiais, encher recipientes de terra e água, irá transportar os recipientes de um lugar ao outro, irá misturar, medir, acrescentar, derramar a água, etc.

Além disso, a brincadeira de comidinha aguça a capacidade analítica da criança ao avaliar quando é necessário acrescentar determinado ingrediente para alcançar seu objetivo. É uma brincadeira que também promove interações sociais intensas nas parcerias, compartilhamentos, conversas e negociações feitas no decorrer da brincadeira.

A pesquisadora da infância, Renata Meirelles, mostra a brincadeira de comidinha em seu livro ‘Cozinhando no quintal’. Com fotos e receitas feitas com flores caídas no chão, grama picada, entre muitos outros ingredientes, a publicação reafirma a potência do brincar na e com a natureza.

Renata e seu marido, o documentarista David Reeks, percorreram o Brasil de norte à sul durante dois anos, coletando registros das nossas crianças em suas brincadeiras de comidinha. O livro é emocionante e inspirador!

Outra publicação que mostra a brincadeira de comidinha, é o livro recém lançado pela Editora Ameli: ‘Livro da Lama: como fazer tortas e bolos’, de John Cage (Autor), Lois Long (Ilustradora).

Neste livro, temos o modo de preparo de diferentes receitas de bolos e tortas feitos de lama. Para os autores, pessoas apaixonadas pela terra, fazer uma torta de lama é nos conectar com a arte em um ato singelo e de criação, que une todas as crianças em suas mais diversas culturas e diferenças – um instante presente e especial particular pertencente a infância de cada um de nós.

A brincadeira de comidinha é uma brincadeira completa, rica e de uma simplicidade ímpar! É uma brincadeira que conecta a criança à natureza, desenvolve um senso estético e cria memórias afetivas de contato com a terra.

Que adulto não tem no baú de recordações da infância a lembrança dessa brincadeira? Da cozinha de casa para o quintal, carregávamos panelas, colheres de pau, pratos de porcelana e toalhinhas de renda para dar vida a comidinha de ‘mentirinha’ – o pulsar da verdade da cultura da infância. E alí no cantinho quintaleiro, instalávamos no chão de terra a nossa cozinha para o preparo de pratos que saciavam a fome da alma.

Hoje, conscientes da importância desse tempo lúdico, precisamos oportunizar essa brincadeira mágica para nossas crianças e acreditar que a natureza é o melhor brinquedo. Precisamos disponibilizar tempo livre, ambiente natural e acesso a utensílios de cozinha que não usamos mais, como peneiras, funis, forminhas, para tornar a brincadeira mais divertida. Precisamos facilitar a relação criança e natureza!

Vamos lá, mão na massa e bom apetite!

Abraços

Ana Lúcia Machado

O MAIOR BRINQUEDO DO MUNDO

maior brinquedo

Você conhece o maior brinquedo do mundo? Sabia que o graveto é considerado o maior brinquedo do mundo segundo uma pesquisa de 2013 da Universidade do Colorado? Quem nunca se deparou com uma criança brincando com gravetos num parque? Quem nunca voltou de um passeio ao ar livre com uma criança carregada de gravetos? Quem nunca brincou com gravetos na infância? Já parou para pensar em quantos brinquedos diferentes um simples graveto pode se transformar nas mãos das crianças?

Desde que publiquei o livro ‘A Turma da Floresta uma brincadeira puxa outra’, venho observando a relação das crianças com os gravetos em suas brincadeiras e pesquisando o potencial lúdico e artístico desse elemento natural. Na história da Turma da Floresta, os gravetos se transformam em espada, varinha mágica, cavalos, vara de pescar, e muitos outros brinquedos e brincadeiras nas aventuras da criançada no parque.

Quando falamos sobre as brincadeiras infantis, estamos falando da potência do agir da criança, falamos de uma criança ativa, criativa e protagonista. Brincar é algo dinâmico e para as crianças tudo pode ser brinquedo.

Quando falamos sobre brincar com gravetos, ampliamos as possibilidades do universo lúdico infantil. Aos olhos da criança o graveto não é um galho de árvore apenas. Como a criança vê o graveto?

Para as crianças os elementos da natureza são versáteis e podem ser transformados durante as brincadeiras, por meio do faz de conta, e da construção de brinquedos. É assim que elas conhecem a si mesmas, interagem com seus pares e apreendem o mundo. É desta forma que desenvolvem o pensar criativo também, fazendo dos materiais não estruturados laboratório de experimentos e pesquisas lúdicas.

O graveto é um material aberto, isto significa que ele pode assumir os mais variados usos e funções nas brincadeiras infantis. Aos olhos das crianças os gravetos são brinquedos! Eles estão sempre disponíveis para virarem outra coisa nas mãos delas.

Os gravetos são diferentes um do outro. De acordo com sua forma, espessura, comprimento, etc, as crianças vão atribuindo significados particulares a cada graveto encontrado. De bengala vira rapidamente um ponto de exclamação tornando se o maior brinquedo do mundo! É a natureza pedindo para entrar na brincadeira também!

O que faz do graveto um material tão atrativo aos olhos das crianças e tão mágico em suas mãos? Em contato com este material, a imaginação é alimentada, acionando a criatividade e desencadeando a produção de brinquedos e brincadeiras pelas crianças.

Além do potencial lúdico, o graveto aguça a sensibilidade para as possibilidades artísticas da natureza. Muitos artistas utilizam troncos de árvores e gravetos como matéria prima de suas obras, tais como o escultor sergipano Cícero Alves da Silva, conhecido como Véio, ou ainda a artista plástica Leani Ruschel, que aproveita a derrubada de árvores, a poda de plantas e faz deles a base de sua arte.

POR QUE O GRAVETO É O MAIOR BRINQUEDO DO MUNDO?

Em primeiro lugar pela facilidade de acesso a esse elemento da natureza e sua gratuidade, e ainda porque o graveto:

– permite que a criança seja ativa e não uma expectadora diante dele

– provoca a imaginação criadora da criança

– abre possibilidades de atuação da criança, com a criação de brinquedos e brincadeiras

Ele se transforma no que a criança quiser!

COMO BRINCAR COM O MAIOR BRINQUEDO DO MUNDO?

-Encontre um lugar para explorar: um parque, uma praça, um jardim

-Procure por gravetos

-Use-os para fazer círculos, espirais, criar padrões como de uma mandala, empilhar, etc

Você pode fazer uma coleção de gravetos e experimentar criar muitas brincadeiras e brinquedos. Confira algumas possibilidades:

JOGO DA VELHA

Um jogo popular muito antigo, datado do século XIV antes de Cristo, no Egito, que tem como objetivo posicionar as peças de modo que formem uma linha reta. É um jogo simples e rápido.

Formam-se duplas para a brincadeira. Os gravetos são dispostos em uma superfície plana de modo que formem três linhas e três colunas. Cada criança escolhe um único símbolo (pedrinhas ou folhinhas). Os espaços em branco dessas linhas e colunas serão preenchidos com o símbolo escolhido. O objetivo é preencher as linhas diagonais ou as horizontais ou as verticais com um mesmo símbolo e impedir que a criança parceira faça isso primeiro.

Materiais necessários: 4 pedaços de gravetos, 5 pedrinhas, 5 folhinhas

JOGO DE EMPILHAR

Um jogo divertido em que cada participante coloca um graveto sobre o outro para formar uma torre.

O jogo começa com uma dupla de gravetos sobre uma superfície plana dispostos um ao lado do outro numa distância de uns 5 cm. Cada criança deverá acrescentar um graveto com o objetivo de levantar uma torre. O desafio é colocar com cuidado cada graveto para que a torre não desmorone.

Materiais necessários: vários gravetos mais ou menos do mesmo comprimento e espessura.

PINTURA DE GRAVETOS

Criação de duendes guardiões da natureza para espalhar no ambiente externo da casa – na grama do jardim ou num pedacinho de terra do quintal, e também em vasos de plantas da área interna da casa

Materiais necessários: vários gravetos, tinta e pincel.


Então, vamos transformar gravetos em possibilidades brincantes? O graveto pode transcender o objeto e virar verbo, ação – vamos gravetar com as crianças? É só deixar a imaginação voar e desfrutar do maior brinquedo do mundo!

Aproveito para fazer um convite: dia 25/08 às 19h30 acontecerá o ESTUDO INFINITUDES DO GRAVETO – UM BRINQUEDO POR NATUREZA

Participe, faça sua inscrição até o dia 19/08 e aplique cupom promocional estudoetm

Eu espero você!

Abraços brincantes

Ana Lúcia Machado

ESCOLAS SEM PAREDES – aprendizagens ao ar livre

escolas sem paredes
Escola Àgora

Escolas sem paredes – hoje quero falar sobre um jeito diferente de ser escola. A ideia que educação se restringe a disciplinas, conteúdos, livros, cadernos, lápis, e carteiras enfileiradas entre quatro paredes, tem sido desbancada por instituições educacionais que pensam e fazem diferente.

Estou falando de escolas que nasceram numa concepção de integração com a natureza sob a perspectiva de uma educação conectada à vida. A escola como encontro e confronto com a natureza potencializando o desenvolvimento integral da criança e promovendo aprendizagens significativas.

Estas escolas entendem que um modelo de educação que não considera a relação com a natureza como base da formação dos educandos, que não leva a criança para a natureza e a natureza até a criança, está na contra mão da visão do ser humano integral, da verdadeira educação ambiental e do desenvolvimento para a sustentabilidade.

As escolas de hoje estão sendo desafiadas a romper com o velho modelo de sala de aula e a despertar para o potencial educador da natureza, reconhecendo outros territórios educativos como ambientes de aprendizagens. 

Em contato com a natureza as crianças aprendem sobre os princípios que regem a vida na Terra – seus ciclos de nascimento, vida e morte, fluxos, processos evolutivos, o que a leva a compreensão de si, do outro, do seu meio e das suas relações.

A interação da criança com a natureza melhora o desenvolvimento intelectual, incentiva o pensamento crítico, a inteligência emocional, o trabalho em equipe, e a capacidade de resolução de problemas.

A exploração dos espaços ao ar livre oferece oportunidades educativas muito mais efetivas e perduráveis para as crianças e jovens, é o que afirma  a britânica Juliet Robertson, consultora educacional especializada em educação ao ar livre e autora do livro ‘Educar fuera del sala’. Robertson diz que todo o currículo pode ser ensinado fora da sala de aula, acredite.

Quem defende também as escolas sem paredes é o jornalista e especialista em advocacia pela infância, Richard Louv, autor do livro ‘A última criança na natureza’. Louv argumenta que os professores deveriam libertar as crianças da sala de aula para que por meio da relação das crianças com a natureza seja inaugurada uma nova educação.

Pastas cheias de atividades não são mais importantes que as experiências vividas e os conhecimentos incorporados pelas crianças. Toda essa papelada de atividades pode não representar aprendizagens. A criança precisa ver e tocar as materialidades da terra,  precisa sentir aromas, ouvir sons, desfrutar sabores no mundo real.

Thomas Berry adverti que

ensinar às crianças sobre o mundo natural deveria ser tratado como um dos eventos mais importantes da vida delas

A educação ao ar livre é ainda um grande desafio para as escolas no Brasil, por isso selecionei 7 escolas inspiradoras que priorizam a relação e o aprendizado ao ar livre, em conexão com a natureza.

ESCOLAS

SEM PAREDES

1.ESCOLA MAGIA DO SABER, Florianópolis SC
96.000 m² de área verde, a natureza como espaço educador

2.CASA REDONDA, Carapicuíba SP
um espaço na natureza, aberto ao encontro sensível com a vida

3.ESCOLA ÀGORA, Cotia SP
muitas árvores e fauna tendo a natureza como propulsora do brincar e aprender

4.ESCOLA WALDORF DENDÊ DA SERRA, Serra Grande BA
cercada de matas e rios, a natureza é palco do desenvolvimento integral e aprendizado das crianças

5.COLÉGIO VIVER, Cotia SP
todo espaço é lugar de aprendizagem em meio a uma extensa área verde

6.TE-ARTE, São Paulo SP
o tempo e a essência da criança respeitados, orientam a educação numa comunhão com a natureza.

7.ESCOLA OFICINA PINDORAMA,  Vargem Grande Paulista SP
pomar, horta, jardim, animais livres onde a criança aprende na interação com a natureza, o mundo e a sociedade.

Você conhece outras escolas sem paredes? Conte aqui nos comentários.

Abraço e saúde

Ana Lúcia Machado

BRINCAR SEM PLÁSTICO – brincar na e com a natureza

Brincar sem plástico

Brincar sem plástico é nosso desafio em julho, mês dedicado à redução do uso de materiais plásticos, em especial os descartáveis de uso único.

Você sabia que em julho acontece uma campanha global denominada “Julho sem plástico”?  A campanha tem por objetivo diminuir o uso e o descarte de plástico no planeta. Esse movimento começou em 2011 com a Ong australiana Plastic Free Foundation pedindo para as pessoas, durante o mês de julho, evitarem o uso de plásticos descartáveis, de uso único ou de curto prazo. O sucesso da iniciativa ganhou adeptos por todo o mundo.

Pegando carona neste movimento, Educando Tudo Muda propõe a reflexão sobre a presença do plástico no brincar da criança, e o desafio do brincar sem plástico,  sugerindo algumas ações para diminuir a quantidade de brinquedos plásticos visando a redução da produção e consumo desse material e  incentivando o brincar livre na e com a natureza.

Por que aderir ao movimento brincar sem plástico?

A poluição plástica é hoje uma das principais causas de agressão ao meio ambiente e à saúde dos seres viventes. Pesquisa recente do Instituto Alana, conduzida pelo Grupo de Estudos e Pesquisa em Química Verde, Sustentabilidade e Educação (GPQV), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), apresenta importantes dados que alertam sobre os brinquedos de plástico e seu impacto na saúde das crianças e do meio ambiente.

Muitos utensílios infantis de uso diário são feitos desse material: mamadeiras, chupetas, copos, pratos e principalmente brinquedos. Sabemos que 90% dos brinquedos fabricados no mundo são feitos de plástico e que nem todo tipo de plástico é adequado para a produção de brinquedos. Algumas substâncias utilizadas na fabricação desses produtos são potencialmente tóxicas, cancerígenas e causadoras de distúrbios hormonais nas crianças.

Outro agravante são aqueles brinquedos de origem duvidosa, de fácil aquisição e baixo custo, brinquedos comercializados ilegalmente, sem certificação do INMETRO.  São brinquedos de baixíssima qualidade que quebram facilmente e logo são descartados indo parar no lixo em curto tempo.

 

Você sabe avaliar o que é um bom brinquedo para a criança? 

Brinquedo precisa ser de plástico? 

É preciso brinquedo para brincar? 

Com quantos brinquedos se faz uma infância feliz?

 

Para não cometer excessos, cair em modismos ou subestimar a capacidade criativa das crianças, precisamos entender a relação das crianças com os brinquedos.

Quanto menos estruturado e cheio de detalhes for o brinquedo, mais ele exigirá da criança e permitirá o uso da imaginação e criatividade. Quanto mais simples ele for, maior a liberdade da criança em transforma-lo em outras coisas de acordo com o enredo das suas brincadeiras.

Sob o ponto de vista da imaginação e criatividade infantil, os brinquedos industrializados feitos de materiais sintéticos, criam uma situação de passividade na criança, provocam um certo “empreguiçamento” e empobrecimento da vida interior. Uma vez que esses brinquedos são desenvolvidos com funcionalidades específicas, entregam nas mãos da criança um produto rígido, limitando a atuação infantil, e na maioria das vezes fazendo dela mera expectadora ou executora.

Em termos de estímulos sensoriais, o plástico é um material extremamente limitado e pobre para o desenvolvimento infantil – sem cheiro; é frio e liso ao tato; é leve, possui tamanho desproporcional ao peso; de cor forte e antinatural.

Na concepção do artista plástico e teólogo Gandhy Piorski, autor do livro Brinquedos do Chão, “o plástico é um imitador de realidades que induz a criança a falsas sensações distanciando-a dos processos de aprendizagens do mundo vivo”.

Susan Linn, psicóloga norte-americana, autora do livro  ‘Crianças do consumo: a infância roubada’, afirma que uma boa brincadeira é 90% a criança e 10% brinquedo. Os brinquedos industrializados, os brinquedos prontos,  fazem exatamente o inverso: sobrepõem-se a potência da criança e ao seu protagonismo.

Indo ainda mais fundo nesta questão, a escritora britânica Jay Griffiths, em seu livro “Kith – the riddle of the Childscape”, afirma que “as crianças que brincam apenas com brinquedos industrializados têm um oco interior que não pode ser suprimido pelo seu próprio brincar e por sua imaginação, criando uma relação de dependência da indústria do entretenimento para sua satisfação constante.”

 

NATUREZA, O MAIOR E MELHOR PARQUE DE DIVERSÕES E BRINQUEDOS

Brincar sem plásticoOs ambientes naturais, ricos em áreas verdes, são fonte de um brincar criativo. Sabemos o quanto o brincar é fundamental para o desenvolvimento infantil e a saúde da criança. Entretanto é preciso ressaltar que a potência da atividade lúdica se encontra na própria criança e não apenas nos brinquedos.

É necessário oferecer a criança tempo e espaços que favoreçam o brincar. E não existe lugar mais positivo para isso do que a natureza, o melhor brinquedo. Nela encontramos os estímulos mais ricos e completos para o desenvolvimento integral da criança.

Brincar em espaços naturais coloca a criança diante do potencial lúdico da natureza e expõe os pequenos à riqueza e diversidade dos elementos naturais, propiciando infinitas possibilidades de brincadeiras e invenção dos próprios brinquedos com o que a natureza oferece – gravetos, sementes, folhas, etc.  Brincando com a natureza a criança explora um campo fértil para o exercício da criatividade. As materialidades telúricas são provocadoras, nutrem a imaginação criadora e a vida anímica da criança.

Um passeio na mata, uma caminhada no parque, praça ou jardim, num lugar bonito com pássaros, árvores, plantas, flores, terra úmida e insetos, aguça a curiosidade infantil. Cheiros novos, sons de pássaros, do vento, das folhas secas. Formas diferentes de folhas, cores variadas de flores. Observar formigas, lagartas, minhocas, musgos, líquens, diversos seres vivos fascinantes para a essência curiosa e exploratória da criança.

Andar na lama, na chuva. Acompanhar borboletas, subir em árvores, correr entre elas ou se esconder, colher frutos, pegar pedras. Construir brinquedos e composições artísticas com objetos da natureza, dar asas à imaginação. Tudo isso são possibilidades encantadoras dos brinquedos oferecidos pela terra. De forma que ao término da brincadeira, em uma autêntica logística reversa, tudo pode retornar para a natureza decompondo se, e gerando mais vida.

Podemos fazer escolhas simples em prol da saúde da criança, mas para isso é necessário atitudes firmes frente aos apelos de consumo da publicidade das empresas fabricantes de brinquedos. Se estivermos convictos dos efeitos negativos deste excesso de plástico na vida da criança e das consequências para o meio ambiente, tenho certeza que será mais fácil dizer “não” para o próximo brinquedo de plástico.

A saúde da criança e do meio ambiente dependem da nossa reconexão com a natureza em todos os âmbitos da vida e da ética do cuidado a todos os seres viventes.

 

COMO MUDAR HÁBITOS E PROMOVER O BRINCAR SEM PLÁSTICO?

Brincar sem plástico – a mudança começa com pequenas atitudes e cada um de nós pode fazer a diferença.  A conscientização sobre nossos atos e hábitos é o primeiro passo. Comece analisando a quantidade de brinquedos de plástico que você tem em casa. Essa análise também é válida para as escolas, principalmente as escolas de Educação Infantil.

Algumas atitudes podem contribuir para as mudanças que queremos ver no mundo:  o incentivo ao brincar livre na natureza, a aquisição de brinquedos feitos de outros materiais, a redução do consumismo de brinquedos plásticos, o aumento da vida útil dos brinquedos de plástico que as crianças já possuem por meio do incentivo a práticas de trocas, empréstimos e doação de brinquedos, a adoção de brinquedos coletivos, etc. Veja algumas sugestões:

 

1.Promova o brincar livre na natureza – no quintal de casa, jardim, praças ou parques públicos

2.Incentive as crianças na criação de seus próprios brinquedos, como faziam nossos antepassados, utilizando elementos naturais: gravetos, sementes, folhas, pedras. Vale também papelões, rolhas, tecidos, revistas e jornais – reutilize esses materiais

3.Opte por outros materiais ao adquirir brinquedos novos para as crianças, como os brinquedos artesanais, educativos – brinquedos de madeira de reflorestamento, de feltros, bonecas de pano, etc

4.Reduza os brinquedos plásticos deixando disponíveis apenas aqueles com os quais a criança brinca com maior frequência, os seus favoritos

5.Dê um novo destino aos brinquedos mais velhos ou aqueles com os quais a criança não brinca mais, doando-os para instituições. Isso prolongará a vida útil do brinquedo, evitando o descarte

6.Faça os brinquedos circularem entre as crianças organizando feiras de trocas

7.Incentive o empréstimo de brinquedos entre amigos da escola, vizinhança e familiares

8.Adote a prática do brinquedo coletivo entre irmãos e primos, valorizando o acesso em detrimento da posse

9.Leve os brinquedos quebrados aos hospitais de brinquedos para serem recuperados ou doe para serem customizados

10.Descarte adequadamente os brinquedos que não têm mais conserto e/ou cobre dos fabricantes a logística reversa

11.Converse com sua família e amigos sobre o movimento brincar sem plástico e comunique a sua decisão de reduzir o uso de brinquedos de plástico para obter apoio

12.Compartilhe em suas redes sociais fotos, vídeos de dicas de brinquedos feitos de outros materiais, e das crianças brincando na e com a natureza usando #brincarsemplastico para atrair mais adeptos

Brincar sem plástico – esse é sem dúvida um grande desafio para as famílias e para as escolas. Sabemos que não eliminaremos o plástico de nossas vidas totalmente, mas podemos refletir sobre seu uso, nossas escolhas e o consumo de maneira ética.  Precisamos nos unir por um mundo com menos resíduos, em prol da saúde da criança e do planeta. Adote o #brincarsemplastico em sua casa e em sua escola, e incentive o brincar na e com a natureza.

 

CONVITE ESPECIAL: Cadastre-se para receber nossa newsletter e baixar gratuitamente o e-book  ‘Brincando com os 4 elementos da natureza’. Conheça as demais publicações ‘A Turma da Floresta uma brincadeira puxa outra’ e ‘Livro do Educador brincando com a natureza’.  Acompanhe o Educando Tudo Muda pelo Instagram @educandotudomuda

 

Abraço afetuoso e saúde

Ana Lúcia Machado

 

MAIS NATUREZA NO COTIDIANO DA CRIANÇA

É possível colocar mais natureza no cotidiano da criança mesmo morando nos centros urbanos. Muitas vezes basta abrir a janela e aguçar a percepção para descobrir um mundo real que exala aromas, floresce, frutifica, emite sons nativos, e possui sabores variados.

A natureza em si potencializa o desenvolvimento da criança nos âmbitos biopsicossociais e espirituais. Na natureza encontramos os estímulos mais ricos e completos necessários para o desenvolvimento integral e saudável dos pequenos.

Entretanto somos cada vez mais atraídos pelo mundo criado pelo homem  e sofremos as consequências do afastamento  da natureza. Com rotinas cada vez mais desnaturalizadas, pelo predomínio da alta tecnologia, das máquinas que fazem tudo e entregam tudo pronto para nós, é preciso equilibrar a balança entre o virtual e o real, levando mais natureza no cotidiano da criança, conectando-a a vida.

 

Como colocar mais natureza no cotidiano da criança?

Veja algumas sugestões:

 

Mãos na terra

As plantas dentro de casa enchem os ambientes de cores, aromas, oxigênio e nos aproximam dos ciclos das estações do ano. Plante com a criança grãos de feijão para que possa acompanhar seu processo de germinação e crescimento a cada dia. Cultive também ervas aromáticas e medicinais, para uso na culinária e para algum mal estar eventual de um membro da família. Atribua à criança a responsabilidade de regar os vasos de plantas dentro e fora de casa.

 

 

Pés na terra

Deixe a criança de pés descalços em contato direto com a energia da terra, exposta a diferentes texturas: areia, grama, folhas secas, pedrinhas, lama. Segundo a medicina chinesa, na sola dos pés estão localizados pontos que correspondem aos órgãos vitais e regiões de todo corpo, que são massageados de forma natural ao tocarem o solo, resultando em bem estar e saúde.

 

O céu diurno

Observe a movimentação das nuvens. A cada minuto uma nova forma se configura no céu. Nuvens formam animais, objetos, paisagens, etc., que rapidamente vão se  transformando em diferentes coisas. A mesma brincadeira, de encontrar coisas, pode ser feita olhando entre os vãos da vegetação das copas das árvores. O vento vai deslocando a folhagem dos entroncamentos criando assim desenhos diferentes.

 

O céu noturno

Acompanhe o ciclo lunar. Se encante com o brilho e luminosidade da lua cheia. Com um binóculo observe também as estrelas.

 

mais naturezaBichos de jardim

Por menor que possa ser o seu quintal, nele a criança pode encontrar minhocas, formigas, borboletas, besouros, passarinhos, e aprender muito com a natureza.

 

 

Fenômenos naturais

Contemple o pôr do sol, a chuva que cai lá fora. Deixe a criança tomar um banho de chuva. Observe o vento arrastando as folhas e agitando os galhos das árvores. Tudo isso coloca a criança em contato com a energia da natureza.

 

O potencial lúdico da cozinha

Chame a criança para ajudar  a descascar e lavar legumes e frutas; amassar e misturar, sentindo o delicioso aroma dos temperos enquanto a comida está no fogo. A cozinha é lugar de memórias afetivas e  de riqueza de estímulos sensoriais  –  formas e texturas, cores dos alimentos,  aromas e sabores. As sobras de cascas, as sementes e folhas, podem ser aproveitadas para brincadeiras de comidinhas e até mesmo confecção de brinquedos. Não despreze esses materiais orgânicos, são matérias primas para a imaginação e criatividade nas mãos da criança.

 

Animais de estimação

Atribua à criança os cuidados dos animais domésticos. Isso contribui para o aumento da sua autoestima, para sua capacidade de empatia e habilidades sociais.

 

mais naturezaBanho de sol

Garanta uns 20 minutinhos de banho de sol todos os dias. As crianças precisam de sol. A exposição aos raios solares traz inúmeros benefícios para a saúde.

 

 

Livros e histórias sobre a natureza

Ao ir para a cama, aproveite para contar histórias sobre animais, plantas, lugares de natureza exuberante, e sobre aventuras na natureza. Há muitos livros sobre o mundo natural  que despertam o interesse da criança pelos animais e pelas plantas, aproximando a criança da natureza.

 

O norte-americano Richard Louv, jornalista e ativista pela infância,  em seu livro A última criança da natureza diz que

“um círculo cada vez maior de pesquisadores acredita que a perda do habitat natural, ou a desconexão com a natureza, mesmo quando ela está disponível, tem implicações enormes para a saúde humana e o desenvolvimento infantil. Eles dizem que a qualidade dessa exposição afeta nossa saúde em um nível celular”.

O documentário O Começo da Vida 2: Lá Fora aponta as consequências da falta de natureza no cotidiano das crianças e adolescentes. O filme é um alerta sobre a urgência de transformação das cidades e escolas em espaços mais verdes e amigáveis à infância. O documentário pode ser visto na Netflix e nas principais plataformas digitais – Videocamp, iTunes, Google Play, Youtube, , Net Now e Vivo Play. Assista o trailer oficial do filme AQUI

Vamos então nos mobilizar no desafio de colocar mais natureza no cotidiano da criança?

Abraço caloroso

Ana Lúcia