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BRINQUEDOS DE PLÁSTICO – IMPACTO NA SAÚDE INFANTIL E NO MEIO AMBIENTE

Pesquisa inédita apresenta dados alarmantes sobre brinquedos de plástico e seu  impacto  na saúde infantil e no meio ambiente.

O plástico é uma das invenções revolucionárias do século XX. Em 1907, o belga Leo Baekeland criou o primeiro plástico totalmente sintético, dando início a Era dos plásticos feitos à base de petróleo, carvão e gás natural. De lá para cá, as empresas petroquímicas criaram inúmeros tipos de plásticos – poliéster, PVC, náilon, poliuretano, teflon, silicone, para as mais variadas utilidades e o resultado é que hoje se produz 265 milhões de toneladas de plástico por ano.

Já parou para pensar que quase tudo ao nosso redor é composto por plástico e o quão presente ele está na vida das crianças? Muitos utensílios infantis de uso diário são feitos desse material: mamadeiras, chupetas, copos, pratos e principalmente brinquedos.

Pesquisa inédita encomendada pelo Programa Criança e Consumo, do Instituto Alana, e conduzida pelo Grupo de Estudos e Pesquisa em Química Verde, Sustentabilidade e Educação (GPQV), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), apresenta dados alarmantes que alertam sobre os brinquedos de plástico e seu impacto na saúde das crianças e do meio ambiente:

“Infância Plastificada: O impacto da publicidade infantil de brinquedos plásticos na saúde de crianças e no ambiente”

BRINQUEDOS DE PLÁSTICO – DANOS A SAÚDE INFANTIL E AO MEIO AMBIENTE

O mercado de brinquedos no Brasil tem movimentado anualmente cerca de R$ 10,5 bilhões, despejando regularmente novidades nas prateleiras das grandes redes varejistas, atraindo as crianças e levando-as a desejar com frequência um novo brinquedo.

Atualmente, 90% dos brinquedos fabricados no mundo são feitos de plástico. Entretanto nem todo tipo de plástico é adequado para a produção de brinquedos. Algumas  substâncias são tóxicas para as crianças, como o ftalato , substância química que amolece o plástico PVC  –  o mais usado na fabricação dos brinquedos.

Um estudo apresentado na pesquisa analisou a composição de alguns brinquedos de plástico de baixo custo e identificou nas amostras alguns metais, tais como o cádmio, chumbo, cromo e até mesmo vestígios de tório – elemento radioativo.  Essas substâncias contaminam o ar e podem ser inaladas, absorvidas pela pele e também ingeridas pela criança ao levar o brinquedo à boca, colocando em risco sua saúde, podendo  causar  asma, alergia, câncer,  problemas hormonais, reprodutivos, de desenvolvimento.

O PLÁSTICO LIBERA SUBSTÂNCIAS TÓXICAS QUE SÃO ABSORVIDAS PELO ORGANISMO

A contaminação tóxica por brinquedos de plástico também pode acontecer  acidentalmente por aspiração. Casos de objetos aspirados por crianças de 0 a 4 anos, levantados em uma pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em Otorrinolaringologia, mostraram que 91 % das ocorrências foram aspirações de pequenos artefatos de plástico.

 

BRINQUEDOS DE PLÁSTICO – NÚMEROS ALARMANTES

Estima-se que aproximadamente 1,38 milhão de toneladas de brinquedos de plástico serão produzidos até 2030 e que 582 mil toneladas de embalagens de brinquedos serão  descartadas. Estes produtos, por conta da mistura de tipos de plásticos e a adição de outros materiais, como pigmentos e brilho, torna a reciclagem praticamente impossível.

Desta forma, o oceano é o destino dado a esse descarte na maioria das vezes, colocando o Brasil em 16º lugar num ranking de países que mais descartam resíduos plásticos no oceano.

Considerando que alguns plásticos podem demorar até 500 anos para decompor-se, talvez todos os brinquedos de plástico fabricados até hoje estejam ainda por aqui. Sabe-se também que ao fragmentar-se em microplásticos, esses resíduos contaminam a água, os alimentos, e também outros organismos vivos.

Na Alemanha, pesquisadores do Instituto Robert Koch  e do Ministério do Meio Ambiente, investigaram  a quantidade de subprodutos plásticos no organismo de 2.500 crianças e adolescentes de 3 a 17 anos, e identificaram em 97% das amostras de sangue e urina partículas de matérias plásticas.

De acordo com o estudo, essas partículas estão aparecendo cada vez mais no corpo humano. Entre elas, a mais preocupante é a do ácido perfluorooctanóico (PFOA), substância perigosa para o sistema reprodutivo e tóxica para o fígado, usada em panelas antiaderentes e em roupas impermeáveis.

A pesquisa traz também um dado da associação ambientalista Word Wilde Fund for Nature (WWF) que afirma que já estamos ingerindo aproximadamente 5 gramas de plástico por semana ao beber água e cerveja engarrafada, ao comer frutos do mar, e ao temperar a comida com sal.

 

A VULNERABILIDADE DAS CRIANÇAS

O consumo desenfreado do plástico é sem dúvida um dos grandes desafios da atualidade. Tudo isso nos leva a pensar na urgência do consumo consciente e da economia circular. Faz refletir sobre a vulnerabilidade das crianças e a nossa responsabilidade enquanto pais e educadores, afinal somos nós que apresentamos o mundo a elas e que podemos influenciar a formação de hábitos e valores de consumo sustentáveis.

Na maioria das vezes, nós adultos, nos sentimos impotentes frente à avidez das empresas fabricantes de brinquedos aliada às estratégias persuasivas dos especialistas da propaganda e do marketing.  A publicidade tem um alvo bem específico: o lado emocional do ser humano. Os  apelos das campanhas publicitárias atingem diretamente nossos corações. Se até nós somos fortemente seduzidos e sentimos dificuldades de colocar freio nos impulsos consumistas, imagine como uma criança, em sua vulnerabilidade, é impactada.

A exposição precoce das crianças à comunicação mercadológica via programas televisivos e internet é extremamente nociva à saúde mental dos pequenos, além de deseducadora. A criança não tem a capacidade crítica para distinguir conteúdos de apelos publicitários, tornando-se presa fácil do mercado de consumo. A mediação de adultos responsáveis pela criança é fundamental durante a etapa de desenvolvimento físico, cognitivo, psíquico, emocional e social infantil.

PARA PENSAR

Algumas perguntas são importantes para a busca de soluções dos problemas socioambientais que enfrentamos:

Com quantos brinquedos se faz uma infância feliz? É preciso brinquedo para brincar? Brinquedo precisa ser de plastico? O que é um bom brinquedo? 

Sob o ponto de vista da imaginação e criatividade infantil, os brinquedos industrializados feitos de materiais sintéticos criam uma situação de passividade na criança, provocam uma atrofia psíquica, um certo “empreguiçamento”  e empobrecimento da vida interior. Uma  vez que esses brinquedos são desenvolvidos para  funcionalidades específicas, entregam a ela um produto pronto, rígido, limitando a atuação da criança e na maioria das vezes fazendo dela mera  expectadora ou executora.

Em termos de estímulos sensoriais, o plástico é um material extremamente limitado e pobre para o desenvolvimento infantil  – sem cheiro; é frio e liso ao tato; é leve, possui tamanho desproporcional ao peso de cor forte e antinatural. O plástico é um imitador de realidades, como diz Gandhy Piorski em seu livro Brinquedos do chão, induzindo a criança a falsas sensações e distanciando-a dos processos de aprendizagens do mundo vivo.

UMA ESCOLHA SAUDÁVEL – BRINCANDO COM A NATUREZA

Sabemos o quanto o brincar é importante para uma infância saudável. Entretanto é preciso ressaltar que a potência da atividade lúdica se encontra na própria criança e não nos brinquedos. Precisamos apenas oportunizar a ela um ambiente que favoreça  a brincadeira. E não existe ambiente mais positivo para isso do que a natureza. Nela encontramos os estímulos mais ricos e completos para o desenvolvimento integral da criança.

Brincar em espaços  naturais coloca a criança diante do potencial lúdico da natureza e expõe os pequenos à riqueza e diversidade dos elementos naturais, descortinando  infinitas possibilidades de brincadeiras e invenção dos próprios brinquedos com o que a natureza oferece – gravetos, sementes, folhas, etc.  Brincando com a natureza a criança explora um campo fértil para o exercício da imaginação nutrindo sua vida anímica.

Podemos fazer escolhas simples em prol da saúde da criança, mas para isso é necessário atitudes firmes frente aos apelos de consumo da publicidade das empresas fabricantes de brinquedos. Se estivermos convictos dos efeitos negativos deste excesso de plástico na vida da criança e das consequências para o meio ambiente, tenho certeza que será mais fácil dizer não para o próximo brinquedo de plástico.

A saúde da criança e do meio ambiente dependem da nossa reconexão com a natureza em todos os âmbitos da vida e da ética do cuidado a todos os seres viventes.

Confira a pesquisa  “Infância Plastificada: O impacto da publicidade infantil de brinquedos plásticos na saúde de crianças e no ambiente”.

 

Abraço caloroso e saúde

Ana Lúcia Machado

AFETO E INFÂNCIA NA ERA DA COMPLEXIDADE

O afeto é o que sustenta a vida humana. Ele é essencial no desenvolvimento integral da criança e garante a formação de um indivíduo com melhores condições de lidar consigo mesmo e com os outros.

Vivemos um momento de grande complexidade e a infância se encontra no centro das incertezas desta época.  As mudanças sociais ocorridas nas últimas décadas alteraram de forma considerável a estrutura da vida familiar e seus reflexos podem ser observados nitidamente na vida da criança.

Os hábitos cotidianos transformaram-se significativamente, modificando o ritmo e a rotina dos pequenos, que agora têm estilos de vida mais individual e são sedentárias, o que desfavorece o convívio social, as atividades físicas, a imaginação, e a autonomia infantil.

A dinâmica imposta por essas  mudanças  gerou isolamento  e adultização  das crianças,  expondo-as, assim, às mesmas angústias e estresses a que os adultos estão sujeitos, e causando, em muitos casos, males físicos e psicológicos.

O processo de urbanização acelerado e não planejado, associado ao medo pelo aumento da violência, ergueu muros e contribuiu para uma cultura de confinamento. Além disso, valores da sociedade de consumo tomaram conta do universo da criança. Ela é intensamente exposta  a conteúdos que incentivam o consumismo e seduzida por apelos do mundo moderno, repleto de inovações tecnológicas, e tem seu tempo e espaço lúdico invadidos e reduzidos.

Esse é o panorama da infância da atualidade, um cenário que não favorece o desenvolvimento saudável da criança nessa etapa tão importante da vida. A infância é o período no qual edificamos as bases que sustentarão tudo o que virá depois – chão firme que apoiará os passos futuros na juventude, na maturidade e até mesmo no envelhecimento. É a fase em que a qualidade das interações sociais é fundamental para a construção de memórias afetivas cheias de significado, que contribuirão para a formação de sujeitos éticos, resilientes, empáticos, cooperativos e próativos na sociedade.

A infância não é  uma etapa que fica para trás depois que nos tornamos adultos, pois é um ciclo vivo, que volta, e se renova. Ecos da criança que fomos continuam a ressoar dentro de nós no decorrer da vida.

Nas palavras do pediatra  e professor titular da Universidade de Brasília,  Márcio Lisboa: “tudo se forma nos primeiros anos de vida.[…] Como adultos, somos, do ponto de vista da personalidade, o que éramos aos 6 anos. O que significa que nossa estrutura se forma nos primeiros anos de vida. […] Tudo o que acontece neste período reflete na vida adulta sob o ponto de vista físico, emocional e social.”

O nascimento é a primeira grande experiência vivida pelo ser humano e o primeiro obstáculo a ser superado no processo de desenvolvimento. Ao deixar a segurança e proteção do útero materno, o bebê tem que enfrentar os desafios de um mundo desconhecido, o que exige adaptações físicas e psicológicas.

O bebê tem uma relação íntima e praticamente simbiótica com a mãe, e desde os primeiros instantes de vida é ela quem exerce forte influência no desenvolvimento e na formação da sua personalidade.

 

Hoje, sabemos que a qualidade dos cuidados parentais que as crianças recebem é de fundamental importância para a estruturação do cérebro infantil e sua saúde mental futura.  As experiências vividas  por elas têm impacto duradouro na arquitetura cerebral. Nos anos iniciais de vida, formam-se de 700 a 1.000 conexões cerebrais por segundo, que constroem a base para o desenvolvimento cognitivo, emocional e relacional.

Os gestos do adulto na hora de alimentar, dar banho, ninar a criança, trocar sua fralda e seus sentimentos em relação a ela vão provocar reações agradáveis ou não. É necessário que a criança tenha a vivência de uma relação afetuosa, prazerosa e estável com sua mãe –  ou com o cuidador que a substitua –  para a formação do apego e do vínculo, que são a base para o desenvolvimento da personalidade, do caráter e da saúde mental do indivíduo.

Todo o ambiente que envolve a criança e os estímulos sensoriais que ela recebe devem ser amigáveis a ela – texturas, aromas, imagens  e sons que proporcionem vivências genuinamente humanas por meio da expressão facial,  olhar e sorriso, do toque, do tom da voz, e gesto lúdico.

Durante muito tempo, a criança é totalmente dependente de outros seres humanos para sua alimentação, cuidados com higiene, proteção, apoio emocional e estímulos, que são essenciais para o seu desenvolvimento biopsicossocial.

Do ponto de vista das relações humanas, a doutora e psicanalista infantil Julieta Jerusalinsky  avalia a importância dos primeiros anos de vida da criança como um  momento basilar na constituição psíquica, pois se trata da apropriação do próprio corpo e da relação consigo  e com os outros.

 

A CONSTRUÇÃO DO AFETO NA INFÂNCIA

Ao nascer, a criança é entregue à família, que possui o papel de “útero social”, dividido posteriormente com a escola e a comunidade.  Trata-se da segunda gestação, que agora, por meio de relações de afeto com pais, irmãos, avós, tios, professores, amigos e outras crianças, e também do contato com a natureza, vai proteger a criança emocionalmente durante os primeiros anos até que ela possa seguir com confiança e autonomia. O enfrentamento de obstáculos, conflitos, críticas, pela criança, em um ambiente permeado pela afetividade, auxiliará no fortalecimento da sua estrutura psíquica e cognitiva.

A autoestima da criança se constrói durante a infância, tendo como alicerce a afetividade. Uma criança que recebe afeto se desenvolve com muito mais segurança e confiança. A afetividade interferirá na maneira como as pessoas veem as situações e como reagem a elas. É como uma raiz – sustenta a vida emocional da criança, promove sua autoestima e autoconfiança, gera bem-estar e influencia o comportamento humano.

Por afetividade entende-se a qualidade ou caráter de quem é afetivo; o conjunto de fenômenos psíquicos que são experimentados e vivenciados na forma de emoções e sentimentos; a tendência ou capacidade individual de reagir facilmente aos sentimentos e emoções; emocionalidade. Dicionário Houaiss,2009.

Afeto diz respeito àquilo que afeta, ao que mobiliza, por isso reporta à sensibilidade, às sensações. Podemos, ainda, referir afeto como ser tomado por, atravessado, perspassado, quer dizer: afetado. (GOMES e MELLO, 2010.

O afeto se manifesta por meio de sentimentos, atitudes, ações positivas e afirmativas, na interação entre pais, cuidadores e professores e a criança, favorecendo seu amadurecimento. Afeto é a expressão respeitosa que se escolhe em resposta a dificuldades, contrariedades e desafios diante das etapas de desenvolvimento da criança. É a maneira  amorosa de reagir e enfrentar as dores cotidianas naturais, as frustrações decorrentes das vontades que nem sempre podem ser satisfeitas, e a ansiedade pelo tempo de espera das coisas.

O RESPEITO ÀS ETAPAS DO DESENVOLVIMENTO INFANTIL

Apesar de a nossa cultura ter a tendência de querer eliminar as sensações desagradáveis, como a dor, é importante compreender que elas contribuem para o desenvolvimento da percepção, controle e domínio  das emoções pela criança. Quem não tem a oportunidade de fortalecer-se com as vivências dolorosas comuns do dia a dia, mais tarde tenderá  escapar dos sofrimentos inevitáveis da vida de modo inadequado para o viver  em sociedade.

A educação da criança, tanto no âmbito familiar quanto escolar, precisa de bases sólidas que a sustentem. Compreender a natureza da criança, suas características e necessidades biopsicossociais e  espirituais frente  às etapas do seu desenvolvimento  é o ponto de partida para trilhar de maneira segura o caminho da desafiadora  tarefa da educação nos dias de hoje.

É importante respeitar todas as  etapas do desenvolvimento infantil para a formação de indivíduos saudáveis e autônomos, compreendendo que cada fase serve como base para a próxima, e todas elas exigem um trabalho interno da criança, além de estímulos saudáveis do mundo externo.

É necessário entender que a criança apreende o mundo e aprende de forma gradual, de acordo com seu nível de sua compreensão, segundo uma ordem interna de prioridades, ordenadas pelos conhecimentos já assimilados por ela. Portanto, é fundamental respeitar o ritmo da criança, sem antecipação e sem pressa.

Espera-se que pais e educadores atuem como facilitadores desse processo, pois o ser humano depende do ambiente em que vive, do incentivo que recebe e da interação com outros seres humanos para se desenvolver. Na concepção do psicólogo russo Vygotsky, o ser humano não se constrói ser humano se o outro não estiver presente. O humano existe na interação com seus pares. O papel do outro é atribuir significado às experiências e vivências da criança e ser exemplo do modo de ser e estar no mundo de maneira ética.

Além disso, a criança precisa sentir que é capaz de atrair a atenção daqueles que a rodeiam  e perceber que seus gestos, expressões, e necessidades, podem provocar reações no outro, alterando o seu estado. O efeito produzido no adulto também afeta a criança, retroalimentando assim o importante jogo de ação e reação, a influência mútua a que chamamos interação – convívio e comunicação que geram intimidade.

E não é somente na primeira infância que um ambiente de afeto é fundamental. A partir dos sete anos, e à medida que as crianças avançam para a pré-adolescência e a puberdade, a presença, a atenção, a conversa, a mediação e, principalmente, o modo de viver dos pais são de extrema importância para atravessar essa fase em que os adolescentes buscam externamente referências e identificações.

Nesse momento, a rede social formada por familiares e amigos, criada e cultivada durante os anos anteriores, poderá funcionar como uma ponte segura para atravessar essa fase de transição.

Esse é o ideal de educação que queremos alcançar, pautado por disponibilidade ao outro, interesse genuíno, escuta atenta, encontros autênticos e relacionamento profundo. Contudo, não vivemos em um mundo ideal e cada época impõe seus desafios. Dessa forma, convém questionarmos  quais são os desafios da contemporaneidade.

É certo que avançamos de maneira positiva em relação ao fortalecimento dos vínculos parentais a partir de valiosas mudanças. Hoje ao nascer o bebê é imediatamente colocado no peito materno; é feito o alojamento conjunto nas maternidades; estimula-se a amamentação, a livre demanda do leite materno, e a colocação do bebê no quarto dos pais nos primeiros meses. Além disso, a ampliação da licença maternidade e a criação da licença paternidade, ainda que não totalmente satisfatórias, por trata-se de um período curto, são consideradas  conquistas importantes para a promoção da proximidade do bebê à mãe e ao pai. Entretanto percebe-se que as políticas públicas são insuficientes para que essas medidas sejam efetivadas com sucesso. Sabemos que muitas mães são pressionadas a retornar ao trabalho antes do cumprimento total da licença e que algumas optam espontaneamente por encurtar esse período. O que as levam a escolher retornar ao trabalho antecipadamente?

Em 2012 a Fundação Maria Cecília Souto Vidigal  solicitou ao IBOPE uma pesquisa intitulada “A visão da sociedade sobre o desenvolvimento da Primeira Infância”, com o objetivo de identificar percepções e práticas da sociedade no tocante ao desenvolvimento integral da criança. Em resposta a pergunta ‘o que é importante para o desenvolvimento da criança de 0 a 3 anos?’, a pesquisa apontou baixos percentuais atribuídos à tópicos relativos à afetividade, tais como: conversar com a criança (19%) , receber atenção dos adultos (18%), receber carinho e afeto (12%), conforme pode ser visto abaixo. Esse resultado insatisfatório, demonstra o tamanho do desafio que a sociedade tem que enfrentar.

Afeto e infância

Um estudo feito com 14.000 crianças dos Estados Unidos, concluiu que 40% delas não têm vínculos emocionais fortes com seus pais. Os pesquisadores descobriram que essas crianças são mais propensas a enfrentar problemas de aprendizagem e de comportamento.

Outra questão desafiadora que se impõe atualmente  é que as crianças vão para a escola cada vez mais cedo, devido ao fato de pai e mãe trabalharem fora. Esse afastamento precoce do ambiente familiar e consequente antecipação da vida escolar, acaba complicando os limites de atuação entre a família e a escola. Como fica a educação de base até então de responsabilidade da família?  O psiquiatra Içami Tiba (Quem ama educa, 2002)  avalia que “a escola sozinha não é responsável pela formação da personalidade, mas tem papel complementar ao da família”.

A PRESENÇA E A ATENÇÃO DOS PAIS SÃO MUITO IMPORTANTES

É preciso levar em conta que muitas famílias estão desestruturadas. Muitos pais esquecem sua responsabilidade em dar amor, apoio emocional, educar os filhos e participar de suas vidas ativamente. Quais as consequências da carência afetiva na vida da criança?

No livro “A criança terceirizada”, o pediatra Dr. José Martins Filho,  usa o termo “terceirização” para referir-se à transferência das funções paternas e maternas para outras pessoas e relata casos de pais que passam a semana sem ver os filhos, pois, ao saírem de casa muito cedo, eles ainda estão dormindo e ao retornarem, à noite, já estão na cama.  No atendimento em seu consultório, frequentemente ele se vê diante de pacientes que  chegam acompanhados pelas avós, e muitas vezes apenas pelas babás. Que efeito essa ausência parental produzirá na formação da personalidade dessas crianças?

Na visão do Dr. Márcio Lisboa, a tendência à agressividade e ocorrências de comportamentos anti-sociais cada vez mais frequentes, podem ser explicadas pela falta do aprendizado de valores, limites, disciplina,  baixa autoestima, e privação materna durante a primeira infância. Ele apresenta  estudos que  analisam  a biografia de indivíduos portadores de distúrbios comportamentais e que apontam evidências de transtornos afetivos graves com origem na primeira infância, permitindo a conclusão que a semente da violência é implantada na criança em seus primeiros anos de vida pela carência de relações de afeto.

Em 2017 a mídia noticiou uma escola de educação infantil na cidade de São Paulo que oferece uma variedade de serviços que vão além da esfera educacional, o que causou grande polêmica por suscitar uma importante discussão a cerca dos limites de atuação da escola e a responsabilidade das famílias na participação da vida dos filhos. Com o objetivo de aliviar as obrigações dos pais com as atividades domésticas do dia a dia e com isso proporcionar tempo de qualidade  com seus filhos, a instituição oferece um amplo cardápio de facilidades às famílias: lavagem  dos uniformes usados pelas crianças, todas as refeições, inclusive o jantar com opção de compra de comida congelada para os fins de semana, a possibilidade de contratação de professoras como babás, e ainda o serviço de corte de cabelo das crianças na escola. Tais facilidades sugerem uma desconexão com a própria vida, a medida que entrega nas mãos das crianças tudo pronto, sem que elas possam perceber as etapas de feitura das coisas e vivenciar processos.

LEIA TAMBÉM: PROCESSOS DE VIDA E A INFÂNCIA

A constante transferência de responsabilidades em relação aos cuidados e atenção que uma criança exige, além de estar sendo repassada para as escolas, também tem sido  entregues aos meios digitais. As crianças têm ficado cada vez mais tempo entretidas com TVs, jogos eletrônicos, smartphones, tablets, e o tempo disponibilizado para essas atividades têm sido maior que o convívio com outras crianças  e com a família, levando ao isolamento social.

A Dra. Jerusalinsky  alerta quanto ao acesso precoce e uso excessivo desses dispositivos digitais pelas crianças, ressaltando os perigos que ameaçam a infância pelo uso de forma inadvertida e a importância da riqueza da experiência interativa presencial nos anos iniciais de vida.

Entre os perigos apontados encontram-se a ausência psíquica dos pais, que muitas vezes estão de corpo presente mas ausentes psiquicamente em relação àqueles que estão ao lado; a linguagem fragmentada, fria e de isolamento produzida por esses aparelhos, que emitem sequências sonoras mas não estabelecem um diálogo, e a falta de mediação dos adultos em relação as informações acessadas pelas crianças via internet – informações descontextualizadas, desprovidas das experiências vivenciadas dos adultos, sem a transmissão de valores culturais.

Não se trata de negar os diversos benefícios das inovações tecnológicas  ou  classificá-las  como maléficas, mas de refletir sobre as influências  e consequências  desta revolução digital na vida das crianças em fase de formação. Profissionais da área da saúde, especializados na Primeira Infância, tais como a Dra. Julieta Jerusalinsky, a Dra. Ilana Katz, estão questionando que modelo do que é ser humano é oferecido às crianças hoje. Uma vez que elas veem adultos conectados 24 horas, o que elas estão assimilando a cerca de como acontecem as relações humanas? O que é estar com o outro numa relação de afetividade? Existe relação sem celular?

afeto e infânciaAdultos e crianças estão sendo sugados para seus próprios mundos digitais e as consequências disso para a infância são danosas, pois interfere no convívio social, na interação e na qualidade dos relacionamentos, restringe a comunicação, o olhar, o toque, interrompe momentos de intimidade familiar a cada novo toque dos aparelhos.

É essencial estabelecer limites seguros e coerentes de tempo de uso das telas pelas crianças e, sobretudo, examinar  nossas próprias condutas em relação ao uso que fazemos desses aparelhos. É preciso rever o mundo que apresentamos às crianças na atualidade e instituir  princípios  e valores éticos capazes de  nortear a educação delas.

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AFETO E INFÂNCIA – COMO PODEM ACONTECER AS DEMONSTRAÇÕES DA AFETIVIDADE?

Somos seres sociais, precisamos construir vínculos afetivos. Sem afeto, não podem existir nem família nem outras relações sociais de proximidade, e nessa situação uma criança não consegue se desenvolver de forma saudável. O afeto é uma força que atrai, que busca proximidade, ligação  e intimidade. É como um óleo lubrificante, facilitador das relações humanas e dinâmicas sociais.

No mundo material, o afeto é invisível, impalpável. De natureza etérea, ele pode ser percebido em sutilezas. Está presente no brilho do olhar e na luminosidade do sorriso, na temperatura da pele e calor do toque. Está no ar – na entonação da voz, no ritmo da canção de ninar e no tom da conversa. Está no aroma e sopro quente do hálito de quem conta uma história bem de perto. O afeto vive nos lábios do beijo de boa noite. Vive em cada micro segundo das tarefas cotidianas que fazemos junto com os filhos. Manifesta-se  na capacidade de estar disponível para compartilhar com eles acontecimentos corriqueiros do dia, descobertas, decepções, frustrações, etc. Expressa-se na convicção  e transmissão de princípios e valores éticos, na clareza dos limites estabelecidos, na firmeza ao dizer “não” quando necessário, e na sensação de acolhimento do riso, da alegria, do choro e da dor comuns do viver.

Pais, educadores e todos os profissionais que atendem à criança, são  os maiores responsáveis por desenvolver uma consciência que entenda a cultura da infância como uma etapa particular do processo de iniciação do humano, de forma a garantir a sobrevivência da espécie. Nossa capacidade de viver neste planeta de maneira digna, depende de soluções inovadoras e do olhar atento ao começo da vida, à garantia da saúde da infância.  A esse cuidado e olhar atento dá-se o nome de afeto.

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Abraço caloroso

Ana Lúcia Machado

 

 

 

 

 

 

 

 

 

LIVRO DO EDUCADOR BRINCANDO COM A NATUREZA – EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA INFÂNCIA

Livro do Educador brincando com a natureza

Este é o Livro do Educador – brincando com a natureza da Turma da Floresta, que acaba de ser lançado.

Livro do educador brincando com a naturezaInspirado na história do livro ‘A Turma da Floresta uma brincadeira puxa outra’, lançado em setembro de 2019, esta nova publicação é um convite à prática de um brincar vivo e ecológico no dia a dia com as crianças; um convite à defesa do exercício imaginativo , da saúde da infância e do planeta.

Livro do Educador incentiva o brincar em áreas verdes e oferece inúmeras maneiras de explorar os elementos naturais ensinando a fazer brinquedos além de divertidas brincadeiras que nutrem a imaginação da criança e estimulam a criatividade.

Brincar em espaços naturais nos coloca diante da vocação lúdica da natureza e  expõe a criança à riqueza e diversidade dos elementos naturais, abrindo um leque de possibilidades de brincadeiras e invenção dos próprios brinquedos pela criança, tendo a natureza como matéria-prima.

LIVRO DO EDUCADOR BRINCANDO COM A NATUREZA

O Livro do Educador começa apresentando o ciclo do brincar e sua importância para o estímulo da imaginação e da criatividade. Em seguida, mostra os efeitos no desenvolvimento da criança que advêm da sua relação com a natureza e o brincar livre em ambientes naturais. Fala ainda sobre a vocação lúdica da natureza e as características dos elementos naturais.

Por fim traz um passo a passo dos brinquedos e brincadeiras da Turma da Floresta, ressaltando a importância da construção dos brinquedos pelas mãos das crianças e oferecendo sugestões para os Educadores envolverem as famílias e as crianças neste propósito de reconexão com o mundo vivo.

O intuito do Livro do Educador é fortalecer e apoiar as ações dos Educadores no trabalho do desemparedamento da infância e da reconexão das crianças à natureza.  A escola como elo entre a família, a cultura e a infância deve assumir o papel de ampliação do mundo da criança oferecendo o que está faltando na sociedade:  tempo livre, áreas verdes e liberdade de brincar.

As escolas estão sendo desafiadas a romper o velho modelo de aula entre quatro paredes e refletir sobre o potencial educador da natureza, reconhecendo outros territórios educativos como ambientes de aprendizagens. Falar em educação ambiental na primeira infância é falar de experiências vivas em contato com o mundo natural, tudo o mais é abstração para as crianças.

Um livro inspirador para a reaproximação da infância ao mundo vivo, brincares de alegria e encantamento ao ar livre e interação direta com a vida.

A edição é limitada – garanta o seu exemplar. A publicação está disponível na loja do Educando Tudo Muda, acesse  AQUI

Recomendado pelo lunetas.com.br – Múltiplos olhares sobre as múltiplas infâncias

Juntos por infâncias mais lúdicas, livres e verdes!

Abraço carinhoso e saúde.

Ana Lúcia Machado

 

NARRATIVAS PROVOCATIVAS PARA EVITAR O FIM DO MUNDO – HISTÓRIAS QUE TRANSFORMAM

Narrativas provocativas

Narrativas provocativas para evitar o fim do mundo –  histórias que transformam. Selecionei aqui 6 livros para você pensar a respeito da atual condição da humanidade sobre a Terra.

O impacto que nós, seres humanos, causamos neste organismo vivo que é a Terra, deve ser repensado e nossa maneira de ser e estar no mundo precisa ser transformada.

Estamos diante do esgotamento do planeta devido a exploração de seus recursos naturais por meio de demandas cada vez maiores de bens de consumo, excesso de produção de resíduos, poluição do ar, dos rios e mares e envenenamento do solo.

Estima-se que até 2050 a população mundial terá alcançado o patamar de 9,7 bilhões de habitantes (ONU). Isso significa que serão quase 2 bilhões a mais de pessoas consumindo uma variedade de produtos e serviços.

Vivemos uma crise civilizacional generalizada e sem precedentes. O que acontecerá à Terra se continuarmos consumindo e explorando seus recursos? Essa não é  a  pergunta correta.  Devemos sim perguntar o que acontecerá com o ser humano.

A  Terra em sua história passou por grandes cataclismas e sobreviveu. Ela  é poderosa e apesar dos enormes danos causados pelo estilo de vida da humanidade,  encontrará modos de superar  os abusos sofridos. O risco é do ser humano não sobreviver em condições ambientais tão adversas.

A Terra é a nossa única casa e neste exato momento estamos sendo convocados a cuidar dela. Comecemos por habitar de forma ética o nosso próprio corpo, depois a nossa casa com a mudança de hábitos cotidianos por meio do consumo consciente e responsabilidade sobre o ciclo dos materiais. Com certeza cada pequena atitude irá refletir no outro e por conseguinte no meio ambiente. Então vamos lá.

LEIA TAMBÉM: Como proteger nossos filhos do consumismo infantil

NARRATIVAS PROVOCATIVAS PARA EVITAR O FIM DO MUNDO

Estas  6 narrativas provocativas tem o intuito de despertar a consciência, instigar o olhar, e provocar novas ações no mundo. Você acredita no poder das histórias? Já se sentiu provocado por alguma narrativa? Eu acredito. Muitas histórias já provocaram em mim grandes reviravoltas, verdadeiras revoluções. Por isso pare, leia estas histórias, reflita sobre estas narrativas e sinta-se instigado a fazer mudanças no seu modo de vida:

 Narrativas provocativas1.A caverna e o forno

Numa  caverna fria e escura habitavam os homens, até que Prometeu – um semideus, ofereceu o fogo aos habitantes da caverna, advertindo-os para que não deixassem o fogo morrer, pois desconhecia como fazer o fogo.  O homem com sua inteligência  foi além: descobriu a arte de fazer fogo, desafiando os deuses, e ambicioso inventou muitas coisas em nome do progresso, transformando a caverna, sua casa, num lugar quente, poluído e fétido.  A caverna, como uma metáfora do planeta Terra, é apresentada pelo autor como um organismo sem ânus. Todo organismo, para viver, tem de ter meios para colocar para fora de si  seus resíduos tóxicos. Sem esfíncteres que realizem essa função excretória, o organismo morre. O que acontecerá com a Terra se não assumirmos a função de reciclagem dos resíduos que produzimos?

SAIBA MAIS

2.Arca de Ninguém

Esta é uma releitura da história da Arca de Noé que relata de forma bem humorada a dificuldade que Noé teve para convencer os bichos sobre a catástrofe que estava por abater a Terra e assim entrarem na arca.  Só que a água foi subindo, subindo e os animais que até então resistiam entrar na arca juntos defendendo interesses pessoais,  não tiveram outra saída senão esquecerem suas diferenças e entrarem com urgência na arca. Quanto tempo nós, seres humanos, demoraremos a perceber que a água já está na altura dos nossos pescoços?

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3.Lolo Barnabé

O livro conta a história de Lolo e sua família que viviam no tempo das cavernas . Lolo era um sujeito inteligente e criativo. Ele, sua mulher e seu filho, foram inventando coisas para facilitar a vida e conquistar a felicidade. Porém a cada invenção tecnológica, precisavam trabalhar mais para satisfazer novas necessidades.  Até o dia que foram obrigados a repensar aquele modo de vida. Como ser feliz com tantos objetos sem tempo para o convívio familiar e distantes das coisas elementares da vida? Como fazer o caminho de volta aos valores essenciais da existência humana? Essas são algumas das questões que Lolo e sua família nos instigam a  refletir.

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Narrativas provocativas4.O Jardim Curioso

Uma história para refletir sobre a ética do cuidado. O livro conta a história de uma cidade sem nenhum tipo de vegetação – sem árvores e jardins. Liam, um menino curioso, acaba descobrindo uma passagem que dá acesso aos trilhos de uma antiga estação de ferro. Lá, ele faz uma descoberta que desperta sua vocação de jardineiro. Passa então a cuidar deste espaço e a partir disso transforma a realidade cinzenta da cidade. Por suas mãos cuidadosas uma nova cidade começa a renascer. E se cada pessoa fosse um jardineiro a cultivar um canto de sua cidade?

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Narrativas provocativas5.De flor em flor

Este livro-imagem revela o olhar curioso de uma menina em suas andanças pela cidade ao lado de seu pai. Ela caminha de olhos atentos as bonitezas do entorno e faz dos achados do caminhos presentes especiais. Não seria este o olhar que deveríamos cultivar para dar um novo sentido a existência humana sobre a Terra?

SAIBA MAIS

Narrativas provocativas6.A Turma da Floresta uma brincadeira puxa outra

Este livro conta as aventuras de um grupo de crianças que se reúne num parque do bairro para brincar. No decorrer da tarde essa turminha inventa muitas brincadeiras com o que a própria natureza lhe oferece.

João é a primeira criança a chegar no parque e enquanto espera a Turma da Floresta, caminha pela mata até tropeçar num graveto. O menino apanha o graveto do chão e assim tem início uma tarde cheia de brincadeiras divertidas.

A história da Turma da Floresta propõe a reflexão de  questões relativas à infância na contemporaneidade. Questiona a condição de confinamento das crianças e  vislumbra um tempo de liberdade e de reconexão das crianças com o mundo vivo para a formação de uma nova geração de guardiões da natureza.

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Bem, aí estão as 6 narrativas provocativas para evitar o fim do mundo. Qualquer semelhança com essas histórias não é mera coincidência, é a mais pura realidade do que estamos enfrentando. Que essas histórias ajudem a promover as mudanças que precisamos ver no mundo.

Há braços fortes

Ana Lúcia Machado

PEQUENO TRATADO SOBRE A IMPORTÂNCIA DAS PALAVRAS – fique atento ao poder das palavras

Importância das palavras – este pequeno tratado é uma reflexão importante para este momento de convívio familiar intenso. A comunicação não violenta deve ser uma prática constante  para a saúde dos relacionamentos.

PEQUENO TRATADO SOBRE A IMPORTÂNCIA DAS PALAVRAS

Palavra criadora

Acredite no extraordinário poder das palavras

Palavras fluem,  jorram do interior

 

Quando bem ditas

São bálsamo para a alma

Trazem vigor, renovação, esperança

 

Palavras penetram, transformam, curam

Como sementes se espalham pelo chão e florescem

Como espada afiada, ferem

 

importância das palavrasAs palavras  mal ditas

São como vômito azedo a golfar da boca dos homens

Gerando destruição

 

Palavras são poderosas

Produzem vida, mas também  morte

Podem edificar, criar pontes de amor

Ou erguer muros de Berlim

 

Palavras abraçam, acolhem, aquecem

Distanciam, repelem, congelam

 

Dá- nos palavras profundas

Para que a alma saboreie suas pausas

E alcance grandezas!

 

21 FRASES QUE NÃO DEVEMOS DIZER PARA AS CRIANÇAS

pequeno tratado sobre a importância das palavras

  1.  Não chora que passa.
  2. Não chora, não doeu nada.
  3. Anda logo.
  4. Não é nada.
  5. Deixa de inventar moda menino!
  6. Prá que tanta pergunta menina?
  7. Se você fizer isto…
  8.  Se você não obedecer…
  9. Assim você vai cair…você vai escorregar, tropeçar…eu te disse!
  10. Não é assim que se faz.
  11. Eu já falei, eu já expliquei, você não aprende.
  12.  Eu não disse? Bem feito!
  13. Está chorando por isto?
  14. Você não vai conseguir fazer sozinho.
  15. Pára quieta um pouco menina!
  16. Olha o que você aprontou!
  17. Sem choro, não quero ouvir mais nem um piu!
  18. Deixa de ser curioso menino!
  19. Isso não é da sua conta menina!
  20. Porque sim.
  21. Porque não.

Fique atento ao poder das palavras. Essas são frases que negam os sentimentos da criança, que não respeitam o que ela é – um ser curioso, que aprende pela experiência, que se desenvolve pelo movimento, que vive a imaginar, a criar mundos fantásticos e que está conhecendo o mundo.

pequeno tratado sobre a importância das palavrasAmeaças e chantagens não são saudáveis. Podem parecer  meios de controlar a criança, mas são, na verdade, maneiras de domar o  comportamento infantil, e domar não é educar.

Educar requer afeto, escuta atenta e paciência. Educar exige empatia. Se a criança estiver chorando, pergunte o motivo do choro e ajude-a  a manter a calma, ensinando assim a lidar com suas emoções.

 

 

LEIA TAMBÉM: O QUE FAZER COM AS CRIANÇAS EM CASA NA QUARENTENA

O que devemos desenvolver para exercer a parentalidade consciente?

Converse com a criança. Não diga apenas não, ou porque sim. Os porquês são importantes para a construção de uma relação afetuosa entre pais e filhos.

pequeno tratado sobre a importância das palavrasLembre-se, seu filho imitará seu jeito de viver. A criança imita o que vê ao seu redor. Ela capta o que percebe do espaço físico, as ações das pessoas com quem convive e até mesmo seus sentimentos.  Tudo o que fazemos, sentimos e falamos é assimilado pela criança e copiado por ela. Se gritamos, se falamos palavrões, se perdemos a paciência, ficará difícil exigir que a criança faça diferente.

Por isso é tão importante refletirmos sobre nossos atos, sentimentos, e a importância das palavras no dia a dia. Nossas atitudes são aprendidas pelos filhos e são como espelho. O princípio da educação da criança deve ser o autoconhecimento e a autoeducação do adulto.

Este período de quarentena devido a COVID-19, expôs toda a fragilidade das relações humanas e a vulnerabilidade da infância no seio familiar. Em casa, juntos, 24 horas convivendo, os nervos parecem estar a flor da pele e a agressividade exacerbada.

As crianças, isoladas em ambientes hostis, estão ameaçadas no espaço que deveria ser acolhimento e proteção. O que podemos fazer? É hora de escutar a criança.

Janusz Korczak, pediatra e educador (1878-1942), profundo conhecedor da alma da criança, advertia aos que se declaravam cansados do convívio com crianças dizendo:

– Vocês dizem ainda: “Cansa-nos porque precisamos descer ao seu nível de compreensão”. Descer. Rebaixar-se, inclinar-se, ficar curvado. Estão equivocados. Não é isso o que nos cansa, e sim o fato de termos de elevar-nos até alcançar o nível de sentimentos das crianças. Elevar-nos, subir, ficar nas pontas dos pés, estender a mão. Para não machucá-las”.

Vamos refletir sobre o significado e a importância das palavras, sobre a entonação e o volume da nossa voz, e como tudo isso chega as crianças? Que tal experimentar criar um ambiente de mais leveza e harmonia em que a criança possa ser escutada, respeitada e aceita?

Abraço carinhoso

Ana Lúcia Machado

CUIDADO COM O TEMPO GASTO EM FRENTE AS TELAS – CRIANÇAS NA QUARENTENA

O tempo gasto em frente as telas aumentou no mundo inteiro desde as medidas de isolamento social. Todos nós estamos sendo sugados pelos dispositivos digitais – adultos, adolescentes e até mesmo as crianças.

Com a suspensão das aulas presenciais devido à pandemia, milhões de crianças estão vivendo cotidianamente num mundo muito mais digitalizado em frente as telas dos computadores,  smartphones, tablets e também televisores.  Os dispositivos digitais transformaram-se em ferramentas para a educação à distância, meio de socialização com familiares e amigos, e entretenimento.

em frente as telas

As telas invadiram de vez a vida dos pequenos. Entretanto a  exposição excessiva aos aparelhos tecnológicos pelas crianças deve  ser evitada, como recomendam os especialistas.

Como  lidar com os desafios do mundo ainda mais digital? Quais os efeitos  do excesso tecnológico para a saúde física e psíquica das crianças? Quais as influências que essas tecnologias exercem no comportamento infantil durante a fase de formação e desenvolvimento? Há muito mais perguntas do que respostas neste momento, mas existem alguns norteadores para nos auxiliar nesta travessia.

O que precisamos refletir para proteger as crianças?

A recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria é que crianças de até dois anos de idade não sejam expostas a telas e que as de até cinco tenham contato por menos de uma hora por dia. Por quê essa orientação?

A Dra. Julieta Jerusalinsky, psicanalista em primeira infância e desenvolvimento infantil, autora do livro ‘Intoxicações eletrônicas o sujeito na era das relações‘, atribui aos três primeiros anos de vida da criança o sentido de  um “tempo primordial da constituição psíquica, fase que está em jogo a constituição de si, a apropriação do próprio corpo e a relação consigo mesmo, além do estabelecimento das relações com o outro”.  Assim  entende-se que para tornar-se humano, a criança depende do ambiente em que vive, dos estímulos que recebe e da interação e convívio com outros seres humanos.

Questionada sobre como criar filhos neste mundo de telas, a Dra. Jerusalinsky responde  que  “a infância é um tempo da vida crucial para a formação, mas ela termina. Por isso precisamos pensar em como arrumar tempo e lugar para transmitir à criança aquilo que achamos que é decisivo para que ela se torne o adulto de amanhã. Dá muito trabalho, é verdade. Mas ao conviver com uma criança acabamos inventando brincadeiras e evocando passagens da nossa própria infância que, se não fosse pela criança, cairiam no esquecimento. Assim elas acabam por nos fazer um favor aos nos tirar do automatismo da vida adulta e nos convidar a construir uma brincadeira entre gerações. Costuma ser surpreendente o que pode acontecer quando desligamos as telas e abrimos lugar para o convívio”

Em tempo de quarentena, como manter um equilíbrio saudável entre a vida online e offline?

Pais não precisam virar professores e nem entreter as crianças o tempo todo, mas precisam organizar uma rotina familiar, fazer combinados com as crianças e adolescentes, impor limites de horas de uso das telas, permitir o ócio, incentivar outras atividades e atuar como mediadores entre a vida real e virtual.

 

O QUE FAZER COM AS CRIANÇAS EM CASA?

Organize o dia estabelecendo uma alternância entre períodos de expansão e contração, movimento e concentração, atividade e descanso. Essa oscilação pendular promoverá equilíbrio ao ambiente e harmonia nas relações familiares. Não se cobre demasiadamente tentando dar conta de tudo. Aprenda a observar as crianças. Elas dão muitas pistas de como agir com mais leveza e assertividade.

Lembre-se: crianças aprendem constantemente. Mesmo longe da escola elas não param de apreender o mundo e aprender.

COMO ESTIMULAR A CONEXÃO DA CRIANÇA COM A NATUREZA NO DIA A DIA

Este é um momento de fazer juntos,  compartilhar de forma lúdica as atividades do dia a dia: preparar as refeições, lavar a louça, arrumar a cama, regar as plantar, dar comida para os animais domésticos, etc. Tudo é aprendizagem, talvez até muito mais significativa e também capaz de trabalhar a autoestima da criança.

No caso das crianças menores, da Educação Infantil, sabemos que a aula online é muito mais desafiadora. Alguns especialistas recomendam manter as lembranças da escola de forma “analógica” – recordando histórias, brincadeiras, canções aprendidas na escola, e revendo o portfólio das crianças do ano anterior.

Outras ideias cabem também aqui, tais como: troca de correspondências entre as famílias, troca de livros com desenhos feitos pelas crianças sobre a história, troca de brinquedos, e a confecção de um álbum de fotos dos amiguinhos da sala.

Considerações e cuidados importantes:

  1. Se as crianças já estão em frente às telas para as aulas online, o que elas podem fazer  offline no seu tempo livre?
  2. Se os dispositivos digitais tornaram-se meios de educação, socialização e entretenimento, quais os limites para a exposição das crianças as telas?
  3. Conheça o conteúdo que as crianças estão acessando. Por trás dos Youtubers e Influencers que as crianças e adolescentes estão seguindo existe um forte apelo mercadológico e consumista.
  4. Cuidado com o efeito viciante dos vídeos games e séries.
  5. Incentive outras atividades que possam ser prazerosas, em que as crianças possam expressar sua subjetividade em relação ao que estão vivendo: desenho, colagem, trabalhos manuais, jardinagem, fotografia, música, etc,
  6. Desconectem-se  dos dispositivos digitais pelo menos 2 horas antes de ir para cama para preservar a qualidade do sono. Algumas pesquisas indicam que a luz emitida por tablets e celulares tiram o sono e podem fazer mal à saúde.
  7. Preserve o convívio familiar salutar longe das telas, com refeições feitas juntos, um jogo em família à noite e contação de histórias para os pequenos.

Não se esqueça, dada a frieza dos interações virtuais, o convívio familiar é a dimensão do real e do humano capaz de acolher e preencher a vida da criança.

 

Abraço caloroso e saúde

Ana Lúcia Machado

COMO ESTIMULAR A CONEXÃO COM A NATUREZA NO DIA A DIA DA CRIANÇA

Conexão com a natureza –  como podemos estimular a relação da criança com o mundo natural no dia a dia?

Cada vez mais estamos percebendo a importância da conexão com a natureza e neste período de quarentena não podemos distanciar as crianças do convívio com ela. Na natureza encontramos os estímulos mais ricos e completos necessários para o desenvolvimento infantil  integral e saudável.

A natureza além de sábia  é uma grande mestra e tem muito a ensinar para as crianças.   Em conexão com a natureza  as crianças aprendem sobre os princípios que regem a vida na Terra – seus ciclos de nascimento, vida  e morte,  fluxos, processos evolutivos, o que a leva a compreensão  sobre si  mesma , o outro, seu meio  e suas relações.

 

COMO ESTIMULAR A CONEXÃO COM A NATUREZA NO DIA A DIA DA CRIANÇA

Confira algumas sugestões práticas:

1.Chame as crianças para ajudar na cozinha

A conexão com a natureza começa  pela boca, por meio de uma alimentação saudável. Chame as crianças  para ajudar na cozinha. Elas podem lavar e descascar legumes e frutas; amassar e misturar, sentindo o delicioso aroma dos temperos enquanto a comida está no fogo.

A cozinha é lugar de memórias afetivas e  de riqueza de estímulos sensoriais  –  formas e texturas, cores dos alimentos,  aromas e sabores.

Aproveite também para brincar com as cascas de frutas e legumes.  Elas podem virar tintas como a beterraba, a cenoura.   Podem se transformar em animais com alguns cortes estratégicos, como ensina Elffers e Freymann, autores do livro’ Brincando com seus alimentos’. As crianças vão se divertir na cozinha com você. Veja AQUI

 

2.Permita que as crianças mexam com a terra

Cultive plantas em casa e atribua às crianças  a responsabilidade de regá-las. Cultive também ervas aromáticas no beiral da janela para usar na culinária.

 

3.Plante um grão de feijão e até mesmo abacaxi

O famoso grão de feijão no algodão é uma experiência muito gratificante. Observe junto com as crianças o processo de germinação e acompanhe o  crescimento dia a dia. Elas vão se encantar! As crianças são curiosas, são pequenos cientistas que aprendem experienciando.

Se quiser uma experiência mais complexa plante abacaxi em vaso. Conheça o passo a passo AQUI.

 

4.Brinque com as nuvens

Olhe para o céu e observe  a movimentação das nuvens.  Brinque de encontrar  nas nuvens formas de animais e objetos –  um coelho que aos poucos pode virar um regador, que segundos depois pode se transformar num pássaro, num navio, etc. A cada momento uma forma diferente se configura no céu. As crianças são muito criativas e irão surpreender você.

 

5.Silencie e ouça a natureza

Ouça o sopro do vento, o balançar das folhagens, o canto dos pássaros. De olhos fechados, permita que a natureza entre em vocês por meio da escuta atenta.

 

6.Procure por bichinhos de jardim

“Fui criado no mato e aprendi a gostar das coisinhas do chão antes que das coisas celestiais.” Manoel de Barros

 

Assim como o poeta, as crianças adoram observar os bichinhos na terra: formigas, minhocas, taturanas, caramujos, borboletas, aranhas, joaninhas, etc.

 

7. Tome banho de sol

Garanta uns 20 minutinhos de banho de sol todos os dias.  A exposição aos raios solares traz inúmeros benefícios para a saúde. Saiba mais.

 

8.Contemple o pôr do sol

Esta é uma paisagem impactante que a alma guarda para sempre.

 

9.Tome banho de lua

Observar  o céu noturno é muito gostoso.  Acompanhe os ciclos da Lua. Curta com as crianças as noites de Lua cheia. Encante-se com ela.

 

Precisamos estimular  a apreciação e respeito pela natureza e todos os seres vivos, para assim garantir a formação de uma nova geração de guardiões da natureza, e por conseguinte  a preservação da vida, e a sustentabilidade planetária.

Então. vamos conectar as crianças ao mundo natural?

Se você gostou das sugestões, compartilhe com seus amigos e vamos ampliar esta rede de pessoas interessadas na conexão com a natureza.

Abraço caloroso

Ana Lúcia Machado