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CRIANÇA E NATUREZA – TUDO O QUE VOCÊ PRECISA SABER

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Aqui  falo tudo o que você precisa saber sobre a relação criança e natureza respondendo  9 perguntas recorrentes feitas por mães, pais e educadores.

Ao longo da minha jornada com o Educando Tudo Muda  defendendo o brincar com e na natureza,  seja em contato com os pais nos encontros do Playoutside, seja nos cursos de formação de educadores, ou  nos workshops do livro ‘A Turma da Floresta – uma brincadeira puxa outra’, tenho respondido muitas perguntas a cerca da relação da criança com o mundo natural e os benefícios que isto acarreta ao desenvolvimento infantil.

Reuni as perguntas mais frequentes neste artigo com o intuito de reforçar a importância de construirmos um reservatório de experiências vivas e reais na primeira infância, estimulando a apreciação e respeito pela natureza e todos os seres viventes, de forma a  impregnar o  corpo e alma da criança e garantir além do seu  desenvolvimento saudável,  atitudes pró ambientais na vida adulta.

Na natureza temos um dos estímulos mais ricos e completos que propiciam aprendizados sobre a matriz natural,  e levam a criança a  compreender sobre si mesma, o outro, seu meio e suas relações.

 

CRIANÇA E NATUREZA – TUDO O QUE VOCÊ PRECISA SABER

TIRE SUAS DÚVIDAS

9 perguntas sobre a relação criança e natureza

 

criança-e-natureza1.QUAL A IMPORTÂNCIA DE BRINCAR AO AR LIVRE, COM A NATUREZA?

Brincar em contato com a natureza é fundamental para o desenvolvimento integral infantil. A natureza em si potencializa o desenvolvimento nos âmbitos biopsicossocial e espiritual.

Ela é o espaço de pertencimento da criança, de suas raízes com a Terra.  A partir da relação com o mundo natural,  um mundo que exala aromas, floresce, frutifica, emite sons nativos, e tem sabores diversos, por meio do próprio corpo e sentidos, a criança apreende os princípios que regem a vida na Terra – seus ciclos de nascimento e morte,  fluxos, processos dinâmicos, e aprende brincando, na linguagem da infância.

Além disso, essa relação promove o sentimento de ligação  e interdependência entre os seres viventes. Daí  advém a atitude ética do cuidado com o meio ambiente. Pouco podemos esperar de um adulto que não teve contato com a natureza na infância em termos de consciência de preservação ambiental, pois só cuidamos e amamos aquilo que conhecemos, com o qual temos algum vínculo de afeto.

 

2.QUAIS OS BENEFÍCIOS, PARA A SAÚDE FÍSICA E MENTAL DA CRIANÇA, DE BRINCAR NA NATUREZA? 

O afastamento do mundo natural tem gerado  problemas físicos e mentais e para compensar os efeitos negativos dos hábitos urbanos e da invasão tecnológica que tomou conta da vida de todos nós, inclusive das crianças, é preciso  doses frequentes de natureza.

Sob o ponto de vista físico é importante ressaltar que os primeiros anos do ser humano correspondem ao ciclo do movimento. A criança tem atividade motora intensa  e por este motivo necessita de experiências diárias de expansão e atividades corporais livres e espontâneas. Os verbos de ação desta etapa de desenvolvimento são: correr, pular, saltar, rolar, escorregar, girar, subir, descer, escalar,  trepar, etc, e não os verbos assistir, teclar, sentar, escrever e ler.

As crianças precisam de  espaços abertos, amplos, em terrenos irregulares e diversificados  –  de terra, grama, pedrinhas, que possuam elevações e declives, favorecendo assim diferentes estímulos sensoriais. Esses estímulos contribuem para a estruturação do sistema muscular infantil e seu desenvolvimento motor,  gerando destreza corporal e domínio espacial. A musculatura dos pés e pernas são fortalecidas ao deixarmos  a criança andar de pés  descalços, promovendo desenvoltura no andar, correr e saltar.

A relação criança e natureza propicia um gasto maior de energia, o que auxilia na prevenção da obesidade, no alívio de tensões, e na qualidade do sono que está diretamente ligada ao crescimento infantil.

Ao ar livre, em exposição aos raios solares, prevenimos a deficiência de vitamina D, que além de importante para o desenvolvimento dos ossos,  potencializa e regula o sistema imunológico.

Em ambientes naturais, a criança inevitavelmente será levada à alternância de foco – ora fixará o olhar naquilo que está próximo à ela, ora seu olhar estará direcionado para objetos ao longe, permitindo que os olhos sigam uma linha vertical, horizontal e de profundidade, impedindo o encurtamento dos músculos oculares, e consequente miopia.

Ao brincar em contato com a natureza, estamos prevenindo o surgimento de  alergias e fortalecendo o sistema imunológico, uma vez que a criança fica exposta  à uma  série de bactérias e micro-organismos.

A natureza oferece momentos de liberdade e relaxamento. Isto impacta de maneira positiva o estado mental das crianças e reduz sintomas de estresse e ansiedade que hoje tem acometido a infância também.

criança-e-naturezaOutro valioso benefício  é  o amadurecimento psicológico  da criança. Brincando em ambientes naturais a  criança fica exposta à situações imprevisíveis  e desafiadoras. Isto possibilita importantes aprendizados, tais como saber correr riscos e medi-los. Entendendo que riscos  são aqueles cujas consequências são baixas e aceitáveis, em comparação aos ganhos que propiciam às crianças. Tudo isso contribui para o bem-estar mental dos pequenos, promovendo equilíbrio interno, autonomia, e resiliência.

Brincar ao ar livre pressupõe interações presenciais,  convívio social, desenvolvimento de relações humanas, formação de vínculos afetivos, que vão estruturando aos poucos a psique infantil, gerando autoconfiança.

Várias pesquisas relacionam as vivências na natureza com a diminuição dos sintomas de hiperatividade e déficit de atenção, como os trabalhos produzidos pelo Laboratório de Pesquisa de Humanos e Ambiente da Universidade de Illinois que descobriram que espaços ao ar livre estimulam brincadeiras criativas, melhoram a interação positiva com adultos, e melhoram o foco e a concentração das crianças.

 

3.QUAIS AS ATIVIDADES E BRINCADEIRAS QUE PAIS, MÃES E CUIDADORES PODEM PROPOR PARA AS CRIANÇAS BRINCAREM NA NATUREZA E COM A NATUREZA?

A OMS diz que, entre 1 e 4 anos de idade, é preciso se movimentar por pelo menos 3 horas ao dia – engatinhando andando, balançando, pulando, etc. Já entre 3 e 4 anos, das 3 horas de movimento, espera-se que 1 hora deva ser de atividades intensas, que façam transpirar e acelerar a frequência cardio-respiratória, como  a brincadeira de pega-pega, esconde-esconde.

Toda criança é um pequeno cientista. Sendo assim, uma caminhada por um parque ou praça,  propicia um mundo de brincadeiras naturais: observar formigas, lagartas, minhocas, musgos, líquens, diversos seres vivos fascinantes para a essência curiosa e exploratória da criança.

Acompanhar borboletas, subir em árvores, correr entre elas ou se esconder, colher folhas, flores, sementes, pegar pedras. Com esses achados e coletas de materiais orgânicos,  galhos viram espadas ou varinhas de condão nas mãos das crianças. Folhas e flores ora podem ser decoração de um lindo bolo, ora adorno de uma coroa na cabeça. Construir brinquedos e composições artísticas com objetos da natureza, é algo muito divertido para as crianças.

criança-e-naturezaO livro ‘A Turma da Floresta – uma brincadeira puxa outra’  é uma história inspiradora de conexão com a natureza e fala exatamente sobre o encantamento dessas brincadeiras e a mágica dos brinquedos naturais, que sem forma estruturada e função definida, permitem infinitas possibilidades, algo sempre diferente e novo. A história da Turma da Floresta é um exemplo de como a natureza tem o poder de instigar a capacidade imaginativa infantil e permitir às crianças inventar e criar  brinquedos de acordo com o enredo de suas brincadeiras.

LEIA MAIS: O LIVRO

Na contra mão dos brinquedos industrializados que ditam as regras das  brincadeiras, brincar em contato com a natureza dá às crianças  liberdade, possibilita o exercício da imaginação e estimula a criatividade entre elas, tornando-as protagonistas das brincadeiras.

Será pouco provável que na fase adulta uma pessoa se lembre dos brinquedos industrializados que ganhou. Mas sem dúvida, não se esquecerá da pipa colorida rasgando o céu azul,  da força do vento na  linha do carretel em suas mãos e do adulto cuidador ao seu lado ensinando as manobras necessárias para a pipa voar longe.

Quando pensamos em estimular o brincar da criança em contato com a natureza devemos partir do simples, do que está perto, acessível, do pequeno. Lembrar do que brincávamos na nossa infância e propor tais brincadeiras é sempre positivo, essas lembranças são carregadas de afetividade e criam um ambiente de muita energia.

 

4.QUAL FREQUÊNCIA RECOMENDADA PARA QUE AS CRIANÇAS TENHAM ESSE CONTATO?

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que a criança brinque ao ar livre pelo menos meia hora ao dia.

 

5.EXISTE ALGUMA RESTRIÇÃO DE IDADE PARA OS PEQUENOS BRINCAREM NA NATUREZA?

Nenhuma. O que deve existir é o bom senso e os cuidados básicos. Em relação a um bebê, é aconselhável  deitá-lo sobre  uma toalha ou canga, usar um mosqueteiro, proteger do sol, oferecer líquidos para hidratação, etc.

 

6.EXISTE UMA RELAÇÃO ENTRE O CONTATO COM A NATUREZA E A ALIMENTAÇÃO DAS CRIANÇAS?

Uma está diretamente ligada à outra. Crianças que brincam mais tempo na natureza adquirem maior consciência sobre a alimentação. Este é resultado de um estudo de 2008 da Health Education Research.

A relação criança e natureza começa  pela boca, por meio de uma alimentação saudável. Mudar  alguns hábitos familiares pode fazer toda  diferença como preparar as refeições junto com as crianças. Chame-as  para ajudar a  descascar, lavar, misturar, amassar  e sentir o delicioso aroma dos temperos enquanto a comida está no fogo. A cozinha é lugar de encantamento, de memórias afetivas e de riqueza de estímulos sensoriais – as formas e texturas, as cores dos alimentos, os aromas e sabores.

Outra dica é substituir  as idas ao supermercado com as crianças nos fins de semana pelas compras em feiras livres. Ali as crianças aprenderão de forma divertida, com a simpatia dos feirantes, os nomes das frutas e legumes e experimentarão alimentos que em casa recusam dizendo não gostar sem nunca ter provado.

 

7.QUAL A RECOMENDAÇÃO PARA PAIS E MÃES QUE NÃO TEM A OPORTUNIDADE DE CRIAR SEUS FILHOS EM LOCAIS CERCADO POR NATUREZA?

Quem  não tem a oportunidade de morar próximo de lugares ricos em natureza, pode ter o cuidado de cultivar alguns vasos de plantas em casa,  e atribuir a criança a responsabilidade de cuidar, regando, mexendo na terra. Pode cultivar temperos no beiral da janela da cozinha para usar na culinária.

Pode também prestar atenção nos trajetos que faz com a criança até a escola, e procurar onde há verde. Descer um ponto antes da escola e caminhar observando as árvores do caminho. O mesmo se estiver de carro, estacionar um quarteirão antes e caminhar com a criança até a escola atentos à natureza ao redor. E nos fins de semana priorizar passeios em parques, praças, ambientes naturais  mais verdes, amplos.

Estar ao ar livre em contato com a natureza é uma experiência de liberdade. A amplitude do  espaço num parque por exemplo, permite a visão  do céu aberto, das altas copas das árvores. É a oportunidade de sentir-se livre. Tudo isso traz  a vivência de expansão da alma e elevação do espírito.

 

8.COMO ESTIMULAR O CONTATO COM A NATUREZA EM UM MUNDO MEDIADO PELAS TECNOLOGIAS?

Um dos vilões que afetam a saúde da infância nos dias de hoje é o acesso precoce e abusivo dos dispositivos digitais pelas crianças. A  transferência de responsabilidades em relação aos cuidados e atenção que a criança exige tem sido  entregues pelos pais aos meios digitais. Crianças têm recebido cada vez mais a atenção de TVs, jogos, smartphones, tablets, etc.

A Dra. Julieta Jerusalinsky, psicanalista infantil,  alerta sobre os perigos que ameaçam a criança pelo uso de forma inadvertida desses dispositivos, e ressalta a importância da qualidade da experiência interativa presencial nos anos iniciais de vida para a estruturação psíquica da criança.

Entre os perigos citados por ela estão:  a ausência psíquica dos pais – de corpo presente mas ausentes psiquicamente em relação aos filhos;  a linguagem fragmentada, fria e de isolamento produzida por esses aparelhos, que emitem sequências sonoras mas não estabelecem uma conversa com a criança;  e a falta de mediação dos adultos em relação as informações acessadas pelas crianças via internet – informações descontextualizadas, desprovidas das experiências vivenciadas dos adultos, sem a transmissão de valores culturais.

Não se trata de negar os benefícios das inovações tecnológicas  ou  classificá-las  como maléficas, mas de chamar a atenção para as influências  e consequências  desta revolução digital na vida dos pequenos em fase de formação, pois a predominância tecnológica na vida da criança, além do risco de ser viciante e causar dependência,  interfere  no convívio social, na qualidade dos relacionamentos e fortalecimento de vínculos afetivos, reduz  os momentos de lazer da família, e rouba o tempo do brincar, do exercício da imaginação e criatividade da criança .

Aos pais cabe a responsabilidade de estabelecer  limites seguros e coerentes de tempo de uso das telas pelas crianças e de também estimular e propiciar aos filhos momentos de brincadeiras ao ar livre.

 

criança e natureza9.QUAL PAPEL TEM A ESCOLA NA PROMOÇÃO DA RELAÇÃO CRIANÇA E NATUREZA?

A escola como elo entre a família, a cultura e a infância, tem a responsabilidade de ampliar o mundo da criança e oportunizar para ela o que está faltando na sociedade.

As escolas estão sendo desafiadas a romper com o velho modelo de sala de aula entre quatro paredes com carteiras enfileiradas, e despertar para o potencial educador da natureza, reconhecendo outros territórios educativos como ambientes de aprendizagem  e brincar livre.

Hoje as crianças passam a maior parte do dia dentro das instituições educacionais, desta forma é tarefa da escola garantir espaços e atividades que promovam o equilíbrio emocional dos alunos.

Devemos nos conscientizar de que tanto a escola quanto a família desempenham um papel fundamental no  estabelecimento e incentivo da conexão das novas gerações  com a natureza, e este trabalho está ancorado na liberdade do viver natural e lúdico nos primeiros anos de vida da criança.

Então, o que estamos esperando para investir nesta relação tão saudável para a criança?

Se você tem uma pergunta sobre criança e natureza envie para ana@educandotudomuda.com.br Ficarei feliz em responder sua pergunta.

Abraço caloroso

Ana Lúcia Machado

 

 

CRIANÇAS PRECISAM DA LUZ DO SOL

Crianças precisam da luz do sol

Assim como as  plantas, as crianças precisam da luz do sol. Sol é vida, é fonte de energia, é sinônimo de saúde e bem-estar. Aspectos da vida moderna  têm dificultado a exposição aos raios solares, tais como a permanência em ambientes fechados, o corre corre diário, a violência urbana, etc.

Paralelo à isso, nas últimas décadas uma cruzada mundial tem sido lançada contra a exposição prolongada aos raios solares. Não sem razão, os meios de comunicação vêm enfatizando os efeitos negativos da exposição ao sol.  Por não haver um contraponto informando o outro lado da moeda, para a maioria das pessoas prevalece os danos causados pela radiação solar – câncer de pele,  catarata,  insolação, desidratação, manchas na pele, etc.

Crianças precisam da luz do solEntretanto, estudos têm demonstrado que os benefícios da exposição ao sol superam os riscos (Grant, Holick 2005). A luz do sol tem grande impacto fisiológico e psicológico nos seres humanos. A exposição aos raios solares faz parte da história do homem desde que trabalhavam em campos e terras sob a luz e calor do sol, e  está intrinsecamente relacionada com à saúde em todas as fases da vida  –  desde a formação no útero materno até a etapa do envelhecimento.

O saudável banho de sol que tanto ajudou no tratamento  da  tuberculose no final do século 19 (antes da descoberta dos antibióticos na década de 1930), precisa ser resgatado  como fonte de saúde física e mental e voltar a ser prescrito  regularmente pelos médicos com as devidas orientações.

A luz solar ajuda as crianças a produzir níveis adequados de vitamina D promovendo inúmeros benefícios. Hoje a vitamina D (Colecalciferol) é  reconhecida como o principal potencializador e regulador do sistema imunológico. Além da fixação do cálcio para a formação dos ossos e dentição, níveis adequados de vitamina D podem prevenir várias doenças e fortalecer o organismo para enfrentar males como bronquite, pneumonia e infecções.

O Dr. John Cannell, fundador do Vitamin D Council, fala que ainda não se sabe como a vitamina D atua na prevenção dessas doenças, mas existe evidências que ela estimula a produção de proteínas com propriedades antimicrobianas e induz a produção de células que regulam e fortalecem os processos imunológicos, tornando-os mais eficientes. Ele adverte que os alimentos fornecem apenas 10% da quantidade de vitamina D desejável. Para alcançar níveis mais elevados por meio de ingestão alimentar, seria preciso comer 50 ovos por dia, ou 9 kgs de queijo, ou 2 kgs de salmão.

O jornalista e escritor  Ian Wishart, autor do livro  ‘Vitamina D – Seria esta a vitamina milagrosa?’,  investigou inúmeros estudos publicados relacionando a deficiência de vitamina D às mais variadas doenças e condições de saúde como Alzheimer, autismo, asma e alergias, câncer de mama, cólon e próstata, depressão, doenças autoimunes, entre  outras.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a deficiência de Vitamina D no organismo das pessoas já é  um problema mundial.  Pesquisa liderada pela nefrologista Rosa Maria Moysés durante o inverno de 2006  na cidade de São Paulo, demonstrou  que 75% dos paulistanos apresentam níveis de vitamina D  abaixo do normal. No verão, esse percentual cai  para 45% – índice considerado insatisfatório para um país tropical  onde o resultado esperado fica  em torno de 5%.

Crianças precisam da luz do solA fisiologia humana foi projetada para obter a maior parte da sua vitamina D por meio da exposição ao sol. Cerca de 90% da necessidade de vitamina D é produzido pelo próprio organismo enquanto tomamos sol. Os raios solares penetram a pele e seguem até os rins e o fígado, onde ocorre a transformação da vitamina D que age sobre  51 órgãos.

Os níveis adequados de Vitamina D devem ser mantidos em todas as fases da vida,  desde o desenvolvimento fetal até a velhice. Para isso a exposição solar diária é fundamental uma vez que a radiação dos raios ultravioleta-B (UVB) são a principal fonte dessa vitamina.

 

A  deficiência de vitamina D  está ligada à várias doenças (Grant WB, Holick, 2005):

  • Osteoporose em adultos e idosos;
  • Osteomalácia em crianças;
  • Fraqueza muscular
  • Raquitismo infantil,
  • Câncer de próstata, cólon, reto, mama,
  • Coronariopatias,
  • Hipertensão,
  • Diabetes,
  • Artrite,
  • Esclerose múltipla,
  • Doença de Crohn,
  • Psoríase,
  • Esquizofrenia,
  • Infecções

LUZ DO SOL

COMO ADMINISTRAR A EXPOSIÇÃO AO SOL – para auxiliar na síntese da vitamina D

Crianças precisam da luz do sol-Para produzir vitamina D  deve-se tomar banho de sol de 15 à 20 minutos por dia, sem usar protetor solar. Para pele morena ou negra, esse tempo deve ser maior, pois quanto mais escura a pele, mais difícil é a produção de vitamina D. Não vale tomar sol através da janela pois a radiação UVB é absorvida pelo vidro quase totalmente.

-Indica-se uma exposição solar de cerca de 30% da superfície do corpo –  braços, pernas, pescoço, costas. É aconselhável a proteção do rosto. Quanto maior a área exposta,  menor o tempo necessário para a síntese  da vitamina.

-É recomendado tomar  sol entre 10h da manhã e 15h da tarde. Este é o  período de maior incidência dos raios ultra violeta B que auxiliam na absorção da vitamina D pelo organismo.

-Deve-se evitar a exposição prolongada nos horários mais quentes do dia –  das 12h às 15hs. A dica é a seguinte: você deve expor a pele por cerca de metade do tempo necessário para que ela comece  a bronzear. Os pais devem ser cuidadosos para não excederem o tempo de exposição. A pele de uma criança é delicada.

-Lembre-se  de oferecer água, chás, ou sucos  após o banho de sol para garantir  a reposição de líquidos.

 

LUZ DO SOL – OUTROS BENEFÍCIOS

Os efeitos benéficos dos raios solares não se limitam à síntese da vitamina D. Veja outros benefícios:

 

MELHORA O HUMOR

O sol afeta as emoções. A mudança no nível de luminosidade altera a química cerebral influenciando o nosso lado emocional. Você provavelmente já percebeu que em dias ensolarados a  disposição parece aumentar. Nos sentimos mais alegres e extrovertidos.

A exposição à luz do sol estimula a produção de serotonina, dopamina e melatonina. Essas substâncias são responsáveis pelo bom humor, regulação do ciclo do sono, energia e motivação.

Quando o corpo recebe a luz solar que chega ao cérebro por meio do nervo óptico, os níveis de serotonina aumentam regulando o humor e gerando a sensação de bem-estar.

É sabido que em países mais frios, de invernos rigorosos, a população corre maior risco de desenvolver depressão sazonal. Sabe-se também que pessoas que sofrem de depressão geralmente têm baixos níveis de serotonina. O banho de sol é um tratamento altamente eficaz nestes casos (Maruani e Geoffroy 2019).

 

Crianças precisam da luz do solREGULA O SONO

A melatonina, hormônio que regula os ciclos do sono é ativado pela luz solar produzindo um efeito sedativo e sensação de calma e tranquilidade. Essa exposição contribui também para que as crianças internalizem  a diferenciação entre os ciclos diurnos e noturnos, o que resulta na melhoria do sono e prevenção dos  distúrbios do ritmo circadiano (van Mannen et al 2017).

                                      

O ritmo circadiano  é o período de  24 horas sobre o qual o ciclo biológico  se baseia e que regula  todo o funcionamento do corpo humano. Ele está sob a influência da  exposição à luz solar e interfere no equilíbrio das atividades físicas, químicas, e  psicológicas do organismo, influenciando a digestão, o estado de vigília, o sono, a regulação das células e a temperatura corporal. Ele precisa do claro e do escuro para que funcione de maneira  adequada.

A escassez da luz solar durante o dia e o excesso de iluminação artificial à noite podem causar uma desordem no “relógio interno”. É preciso manter uma rotina equilibrada com as crianças com estímulos diurnos e tranquilidade ao anoitecer.

 

Crianças precisam da luz do solPREVINE A MIOPIA

A ocorrência de miopia tem crescido entre as crianças no mundo todo. Por um lado isso está relacionado com o uso excessivo dos dispositivos digitais e consequente exposição à fonte da luz azul das telas. Mas sabe-se  também que a falta de exposição à luz do sol contribui para o aumento da incidência de miopia.

O pesquisador Ian Morgan da Australian National University, alerta que as crianças precisam passar pelo menos 3 horas por dia  expostas  à níveis de iluminação natural correspondente à sombra de uma árvore.

A iluminação a que estamos expostos a maior parte do tempo é muito fraca. Dentro de casa varia em torno de 50 lux, assistindo TV na sala, e  500 lux, numa sala de aula bem iluminada. Para prevenir a miopia, o nível de luminosidade necessária é de 10.000 lux.

Espaços amplos, abertos e com iluminação natural estimulam o exercício dos músculos oculares. Períodos diários de brincadeiras ao ar livre são fundamentais para proteger as crianças de desenvolver a miopia.

 

AUXILIA NA PROTEÇÃO DOS NEURÔNIOS

Há receptores de vitamina D espalhados por todo o sistema nervoso central e hipocampo. Sabe-se que a luz solar afeta o fluxo sanguíneo no cérebro e este por sua vez  interfere nas funções cognitivas.  Sabe-se também que a vitamina D ativa e desativa enzimas cerebrais participantes da síntese de neurotransmissores e crescimento dos nervos. Ela também atua como protetora dos neurônios.

De forma que a falta da vitamina D no organismo pode afetar processos cognitivos, tais como capacidade de raciocínio e concentração, memória, retenção de novas informações, etc.

Estudo realizado na Universidade de Cambridge pelo neurocientista David Llewellyn, apontou que pessoas com níveis inadequados de vitamina D apresentam resultados inferiores em testes de agilidade e desempenho mental.

 

Crianças precisam da luz do sol

OUTRAS DICAS

Afaste as cortinas, levante as persianas e abra as janelas. Permita que os raios de sol entrem em sua casa. Mantenha todos os ambientes iluminados e arejados durante o dia.

Não se esqueça todos os dias de olhar para o céu, observar as nuvens, ouvir os pássaros e conectar-se com a sua própria luz interior.

 

Leia também: 36 MOTIVOS PARA CONECTAR AS CRIANÇAS À NATUREZA

 

 

As crianças precisam da luz do sol. Precisamos garantir que elas tenham seu tempo ao sol diariamente. A organização da rotina em casa com a família e também nas escolas deve oportunizar que as crianças usufruam os benefícios do sol.

Precisamos sim ter cuidado com a exposição ao sol e tomar as devidas precauções em relação aos raios UVB prejudiciais: uso de protetor solar, chapéus e bonés, etc. Mas não podemos considerar a luz solar uma ameaça à saúde.  As crianças precisam da luz do sol para seu desenvolvimento e uma vida adulta com saúde.

Crianças, abram os braços para o sol  – nos quintais, nas varandas, sacadas, nos corredores, nas lajes, e nos pátios das escolas!  Neste momento de tantas incertezas que atravessamos, nada é mais certo e seguro que o sol que nasce a cada dia, trazendo luz e calor.

Abraço caloroso

Ana Lúcia Machado

 

 

 

 

 

O QUE FAZER COM AS CRIANÇAS EM CASA – QUARENTENA COVID-19

crianças em casa

O que fazer com as crianças em casa neste período de quarentena Covid-19?

A gravidade do momento que estamos vivendo exige que paremos. Evitar a propagação da COVID -19  é nossa prioridade. Tudo o mais pode ficar para depois. É hora de usar a tecnologia a nosso favor. Postergar tudo o que não for urgente e fazer de casa tudo o que for possível.

A quarentena é questão de responsabilidade social, amor próprio, aos familiares e ao próximo. Nós podemos reduzir a velocidade com que o vírus se propaga por meio do distanciamento  e isolamento social. Pode parecer um remédio amargo demais. A vida vai se desorganizar, virar de ponta cabeça, mas devemos aproveitar estes dias forçados de reclusão  para refletir sobre a fragilidade do sistema que rege nossas vidas em sociedade, o quanto estamos apartados do mundo natural, do convívio salutar que gera intimidade, e do conhecimento verdadeiro uns dos outros.

É hora de colocar na balança nossa maneira de viver para mudarmos o que for preciso e sairmos fortalecidos desta crise.

O QUE FAZER COM AS CRIANÇAS EM CASA?

 crianças em casa

 

Neste período sem aulas, o que fazer em casa com as crianças? É preciso criar uma rotina que permita  trabalhar ‘home office’ ao lado delas.

Comece por uma conversa com as crianças falando sobre o vírus e os cuidados que devem ser tomados. Se precisar de ajuda, baixe a cartilha COVIBOOK, que explica de maneira lúdica para os pequenos o que eles precisam saber.

 

Será preciso também explicar que você trabalhará em casa e precisará de colaboração. Faça os combinados necessários com as crianças nesta conversa estabelecendo regras claras.

Você não tem que achar que precisará entreter as crianças o tempo todo. Organize o dia estabelecendo uma alternância entre períodos de expansão e contração, movimento e concentração, atividade e descanso. Essa oscilação pendular promoverá equilíbrio ao ambiente e harmonia na relação entre vocês. Não se cobre demasiadamente tentando dar conta de tudo. Aprenda a observar as crianças. Elas dão muitas pistas de como agir com mais leveza e assertividade.

Tudo fluirá melhor se você fizer pausas em seu trabalho para dar  um minuto de atenção  ao seu filho. Entre um cafezinho e outro, incentive-o com palavras positivas para que ele sinta-se encorajado e continue concentrado no que estiver fazendo. Essa atitude  diminuirá a necessidade dele de atenção constante de sua parte.

No fim do dia você poderá reservar um tempo maior para olhar atentamente tudo o que ele fez, e reforçar seu empenho e criatividade. Isso elevará a auto estima, a confiança e autonomia da criança para que ela se torne a cada dia menos dependente de você.

E lembre-se de que as crianças são curiosas, adoram  desafios e gostam de sentir que podem ajudar. Essas características serão consideradas na hora de pensar em brincadeiras, atividades e tarefas significativas. Levando também em conta a personalidade de cada criança.

É importante também que  você reconecte-se à sua criança interior, recordando lembranças da infância para reavivar seu lado brincante que será mais requisitado a partir de agora. Existe um potencial imenso nesta conexão:

LEIA AQUI: COLECIONADORA DE INFÂNCIAS – PARA QUE SERVEM AS LEMBRANÇAS DA INFÂNCIA?

 

Veja outras dicas importantes sobre o que fazer com as crianças em casa – facilitando sua rotina

crianças em casa

-Para crianças em idade escolar, peça para a escola orientações pontuais para que seu filho reserve todos os dias um tempo de continuidade dos estudos, como um dever de casa, indicação de leituras, etc. E por que não estabelecer com a escola o envio de atividades online? Assim a criança não perderá o ritmo de estudos.

-Dê às crianças a responsabilidade de algumas tarefas domésticas, tais como arrumar a cama, colocar e tirar a mesa das refeições, regar um vaso, alimentar um animal de estimação, e é claro organizar os brinquedos após as brincadeiras.

-Disponibilize a cada dia materiais diversificados para que elas possam entreter-se: massinha de modelar,  papel, lápis de colorir, fita adesiva, revistas velhas e cola. Não dê à elas tudo de uma vez, senão você criará o caos. Um dia você proporá  pintar,  noutro dia desenhar, etc.

crianças em casa– Separe caixas de papelão, caixa de ovos, rolhas, retalhos. Ofereça cola, barbante, pregador de roupa e deixe-as brincar de forma criativa, inventando seus próprios brinquedos.

-Para as crianças menores, crie um cantinho do brincar, decorando de maneira criativa o espaço com lenços, bolas, um cesto com alguns utensílios de cozinha, para que ela explore e brinque.

-Tire do armário, aos poucos, aqueles quebra-cabeças antigos e desafie as crianças a montarem. Separe um local adequado para que ele possa ficar exposto durante alguns dias sem causar incômodos até a finalização da montagem.

-Tire também do armário jogos de tabuleiro. Este é um passatempo divertido e dinâmico que pode envolver não só as crianças mas a família toda.

-Estabeleça o momento da leitura oferecendo livros variados para que as crianças possam ter opção de escolha. Em seus momentos de pausa aproxime-se da criança e faça alguma pergunta sobre  a história. Se for uma criança pequena, não letrada, brinque com as ilustrações. Peça para ela localizar nas imagens alguns objetos específicos. Ao retirar-se, deixe como sugestão outros objetos para ela procurar.

-Entre uma pausa e outra chame as crianças para olhar para fora. Observe o céu, as nuvens, ouça os pássaros. Não se desconecte-se da natureza mesmo estando dentro de casa.

-Permita momentos de ócio, de não fazer nada. O não fazer nada para a criança é muito importante. É deste espaço vazio  que nascem as brincadeiras mais incríveis e significativas para a criança. O tédio que a criança sente nada mais é  que a oportunidade de entrar em contato consigo mesma,  estimular o pensamento, a fantasia, a concentração e até mesmo elaborar tudo o que está acontecendo neste momento.

-Vá para a cozinha com seus filhos nos dias em que sobrar disposição. Crianças curtem  fazer biscoitinhos, bolos, etc.

-Que tal uma sessão de fotos à noite? Nunca fotografamos tanto, não é mesmo? Paradoxalmente, nunca demos tanta desimportância à esses registros fotográficos. Vamos valorizar com as crianças as lembranças das festas de aniversários, das férias, etc. Garanto que esses momentos reservarão boas risadas e muita alegria!

Ah, não se esqueça, termine o dia com uma ligação para o vovô e a vovó. Eles vão adorar matar a saudade vendo as crianças pelo smartphone.

Não poderia deixar de recomendar o momento especial da história na hora de ir para a cama, seguido de palavras de gratidão ao dia vivido assim tão juntinhos!crianças em casa

Última dica: fique atento ao site Tempojunto que acaba de criar o Guia Covid-19 com muitas dicas sobre o que fazer com as crianças em casa. Eles estão atualizando a cada dia o guia incluindo novas sugestões.

Gostou deste conteúdo? Compartilhe agora com amigos da sua rede e espalhe esta semente. Assim você estará ajudando outras famílias na superação das dificuldades deste momento crítico, e estará também fortalecendo o trabalho do Educando Tudo Muda.

Se tiver alguma dica sobre o que fazer com as crianças em casa, deixe nos comentários. Ajude a ampliar a lista de sugestões.

Abraços

Ana Lúcia Machado

 

COMO PROTEGER NOSSOS FILHOS DO CONSUMISMO INFANTIL

Como proteger nossos filhos do consumismo infantil

Proteger nossos filhos do consumismo infantil é um dos grandes desafios da atualidade.

Esta semana uma leitora do Educando Tudo Muda, mãe de dois filhos pequenos,  entrou em contato comigo pedindo ajuda para uma ideia que deseja implementar  em sua cidade a partir de uma percepção que teve a respeito da relação dos filhos com os brinquedos.

Como proteger nossos filhos do consumismo infantilEm sua  mensagem  ela conta que observou  que muitos dos brinquedos que seus filhos pedem  é mais pelo prazer de ter aquilo que aparece no comercial de televisão e que os amigos tem, do que propriamente a vontade de brincar. Ela diz que “eles brincam uma ou duas semanas e daqui a pouco deixam de lado”.

Foi pensando no relato desta mãe que resolvi reforçar o tema do consumismo infantil  aqui no Educando Tudo Muda.  

Já ultrapassei a fase  dos filhos pequenos. Sei  bem dos desafios da educação das crianças nesse período  e entendo o que o relato dessa mãe significa.

Na maioria das vezes nos sentimos impotentes frente à avidez da indústria aliada ao aprimoramento  da persuasão  dos especialistas da propaganda e do marketing.  A publicidade tem um alvo bem específico: o lado emocional do ser humano. Os  apelos dos comerciais atingem diretamente nossos corações. Se até nós, adultos, somos fortemente seduzidos e temos dificuldades de colocar freio nos impulsos de compras, imagine como uma criança, em sua vulnerabilidade  é impactada!

Os olhos gananciosos da indústria de brinquedos, alimentos, vestuário, estão cada vez maiores em cima das crianças, no potencial consumidor que esses gigantes industriais enxergam na infância.

O  mercado brasileiro de brinquedos  vem crescendo ano após ano  mesmo em situação de crise econômica. Ele apresenta a cada ano mais e mais lançamentos: brinquedos em geral, colecionáveis e educativos, jogos, pelúcias, artigos para festas, fantasias, etc.

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RESPEITO À CULTURA DA INFÂNCIA

cultura da infância

O respeito à cultura da infância está relacionado com o respeito ao tempo de ser criança. Exercer a parentalidade consciente  é  priorizar o que realmente importa no dia a dia: o convívio familiar, a escuta, o afeto e valorizar as coisas simples da vida.

Existe uma ordem natural das coisas na vida das crianças. Antecipar aprendizados não tornará a criança mais inteligente. Acelerar o seu desenvolvimento não resultará em melhor desempenho acadêmico. Assim como na natureza, nada deve ser apressado na infância. Devemos partir do natural, do simples, do que está perto, do pequeno, para aos poucos alcançar o maior, o distante, o abstrato, o complexo.

Então vamos esclarecer algumas questões:

 

RESPEITO À CULTURA DA INFÂNCIA

Você sabia que antes de calçar o bebê, colocar aquele tênis colorido em seus lindos pezinhos,  a criança precisa sentir e conhecer o  mundo pela sola dos pés?

Antes de ouvir Bach, Vivaldi, Mozart, ou quaisquer compositores de música, a criança precisa escutar a voz humana, as canções de ninar entoadas pela mãe, pai, avós. A voz humana propicia calma e confiança à criança.

Antes de ler histórias de belos livros ilustrados, a criança tem necessidade de ouvir os pais contarem suas memórias de infância – como brincavam,  suas travessuras,  além  de contarem  as histórias que ouviam de seus pais antes de irem para a cama quando meninos. Isto traz um sentimento de raiz.

Antes de falar inglês ou qualquer outro idioma estrangeiro, a criança aprende a falar a língua materna ouvindo a voz doce da mãe e as conversas ao seu redor. A língua materna traz segurança, conforto, sentimento de pertencimento.

Antes de colocar a criança no judô, capoeira ou balé, role com ela no tapete da sala, girem, escorreguem, corram na grama do parque , na areia da praia, no quintal, em movimentos livres e espontâneos. Dancem – crianças são excelentes dançarinas!

Antes de levá-la para comer  fora de casa, leve-a para a cozinha  e juntos façam uma refeição caseira, gostosa. Ela poderá te ajudar a descascar, lavar, misturar, amassar e poderá sentir o delicioso aroma dos temperos enquanto a comida está sendo preparada. A cozinha é o lugar de aprendizado da vida social. É um espaço de partilhas e trocas.

Antes de oferecer à criança a imagem pronta das telas, permita que ela imagine, crie, desenhe suas histórias. A capacidade imaginativa da criança vai se enfraquecendo aos poucos frente às telas, porque os filmes e desenhos sonham e fantasiam pela criança causando um empreguiçamento na alma infantil.

Antes de dar um brinquedo industrializado que fala, que gira, que faz tudo e torna a criança apenas expectadora, dê à ela a oportunidade de criar seus próprios brinquedos, inventar suas próprias brincadeiras. O brincar que satisfaz é aquele que vem de dentro da criança.

Antes de dar de presente um brinquedo eletrônico caro, compre umas varetas de bambu e algumas folhas coloridas de papel de seda e faça com ela uma pipa para empinar na rua de casa, ou no parque.

Será pouco provável que na fase adulta uma pessoa se lembre do tablet que ganhou no Dia das Crianças. Mas sem dúvida, não se esquecerá da pipa colorida rasgando o céu azul,  da força do vento na  linha do carretel em suas mãos e de você ao seu lado ensinando as manobras necessárias para a pipa voar longe.

Antes de planejar uma viagem distante, programe pequenos passeios ao ar livre, pelo bairro, para conhecer parques e praças do entorno, apropriando-se dos espaços públicos, estimulando a vida comunitária e o contato com a natureza. Ensine a criança a andar de bicicleta e passeiem juntos.

Antes do movimento preciso e delicado das mãos para pegar no lápis e escrever,  a criança precisa movimentar o corpo inteiro –  pular num pé só, pular corda, amarelinha, virar cambalhota, subir em árvore. E precisa de você ao lado para incentivar, dizer que ela é capaz. É preciso entender que o brincar é fundamental  no processo de aprendizagem e aquisição de habilidades nos primeiros anos de vida. Nessa fase a criança precisa se movimentar e ter diferentes experiências sensoriais. O movimento corporal é pré-requisito necessário para o desenvolvimento da fala e posteriormente da leitura e da escrita.

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Antes de uma criança começar a falar, ela canta. Antes de escrever, ela desenha. No momento que consegue ficar de pé, ela dança. Arte é fundamental para a expressão humana. – Phylicia Rashad

 

O respeito à cultura da infância é fundamental. A infância pede calma, precisa de proximidade, do calor do colo, e de atenção. Vamos respeitar o processo natural das coisas, o processo do desenvolvimento infantil. A infância é curta demais para querer ter pressa  e acelerar o tempo da criança.

A estabilidade da vida adulta tem suas raízes no começo da vida. É na infância que enchemos o nosso baú de tesouros para no decorrer  da existência lançarmos mão de riquezas.

Abraço caloroso

Ana Lúcia Machado

 

 

INVESTIMENTO PARA O PRÓXIMO ANO – PRIORIDADE ABSOLUTA

Onde investir em 2018?

Quer uma super dica de investimento para o próximo ano? Diante de um cenário de tantas incertezas e turbulências, onde investir? O mercado oferece várias alternativas de investimentos: ouro, ações, tesouro direto, bitcoin, etc.

Investimento para o próximo ano

 

Entretanto há um investimento apontado por estudos recentes que mostram que investir nos primeiros anos de vida traz um alto retorno econômico e social. Como um estudo da Nova Zelândia publicado no final de 2016 que avaliou 1037 neozelandeses dos 3 aos 38 anos de idade, e que concluiu que os 20% de adultos que tiveram uma infância difícil, com restrições econômicas, descuido e negligência, foram responsáveis por 57% das internações hospitalares, 66% dos pedidos de benefícios sociais e 81% das condenações criminais.

Pesquisas revelam que o começo da vida, a Primeira Infância, tem um forte impacto na vida de um indivíduo e que o desenvolvimento saudável de uma criança, levando em conta  boa alimentação, cuidados com a saúde física e emocional, competências sociais e capacidades cognitivas, forma a base da prosperidade econômica e justiça social de uma nação.

O economista James Heckman, professor emérito na Universidade de Chicago e ganhador do Nobel de Economia no ano 2000, afirma que crianças submetidas desde cedo a bons estímulos, aumentam suas chances de ter mais sucesso na vida adulta e que investir na Primeira Infância é o caminho para o país crescer.

Entrevistado por Monica Weinberg,  da revista Veja, Dr. Heckman diz 

 

“cada dólar gasto com uma criança pequena trará um retorno anual de mais 14 centavos durante toda a sua vida. É um dos melhores investimentos que se podem fazer — melhor, mais eficiente e seguro do que apostar no mercado de ações americano”.

 

Investir no capital humano é e sempre será o melhor investimento. A quantia gasta em educação e saúde, resultará em economia ao longo da vida, em serviço social e sistema prisional.

SAIBA MAIS mais sobre a importância dos primeiros anos de vida. Baixe gratuitamente o Caderno Globo Primeira Infância AQUI

 

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Acompanhe os trechos principais da entrevista:

Por que os estímulos nos primeiros anos de vida são tão decisivos para o sucesso na idade adulta? É uma fase em que o cérebro se desenvolve em velocidade frenética e tem um enorme poder de absorção, como uma esponja maleável. As primeiras impressões e experiências na vida preparam o terreno sobre o qual o conhecimento e as emoções vão se desenvolver mais tarde. Se essa base for frágil, as chances de sucesso cairão; se ela for sólida, vão disparar na mesma proporção. Por isso, defendo estímulos desde muito cedo.

Quão cedo? Pode parecer exagero, mas a ciência já reuniu evidências para sustentar que essa conta começa no negativo, ou seja, com o bebê ainda na barriga. A probabilidade de ele vir a ter uma vida saudável se multiplica quando a mãe é disciplinada no período pré-natal. Até os 5, 6 anos, a criança aprende em ritmo espantoso, e isso será valioso para toda a vida. Infelizmente, é uma fase que costuma ser negligenciada — famílias pobres não recebem orientação básica sobre como enfrentar o desafio de criar um bebê, faltam boas creches e pré-escolas e, sobretudo, o empurrão certo na hora certa.

Qual é o preço dessa negligência? Altíssimo. Países que não investem na primeira infância apresentam índices de criminalidade mais elevados, maiores taxas de gravidez na adolescência e de evasão no ensino médio e níveis menores de produtividade no mercado de trabalho, o que é fatal. Como economista, faço contas o tempo inteiro. Uma delas é especialmente impressionante: cada dólar gasto com uma criança pequena trará um retorno anual de mais 14 centavos durante toda a sua vida. É um dos melhores investimentos que se podem fazer — melhor, mais eficiente e seguro do que apostar no mercado de ações americano.

Se isso é tão claro, por que a primeira infância não está na ordem do dia de quem tem a caneta na mão para decidir? Há ainda uma substancial ignorância sobre o tema. Algumas décadas atrás, a própria ciência patinava no assunto. A ideia que predominava, e até hoje pesa, é que a família deve se encarregar sozinha dos primeiros anos de vida dos filhos. A ênfase das políticas públicas é na fase que vem depois, no ensino fundamental. E assim se perde a chance de preparar a criança para essa nova etapa, justamente quando seu cérebro é mais moldável à novidade.

A classe política também evita olhar para a primeira infância por achar que esse é um investimento menos visível a curto prazo? Os políticos podem, sim, considerar isso, mas estão redondamente enganados. Crianças pequenas respondem rápido aos estímulos de qualidade. Para quem tem o poder de decidir, deixo aqui a provocação: não investir com inteligência nesses primeiros anos de vida é uma decisão bem pouco inteligente do ponto de vista do orçamento público. Basta usar a matemática.

 

onde investir em 2018?O que mostra a matemática? Vamos pegar o exemplo da segurança pública. Há ao menos dois caminhos para mantê-la em bom patamar. Um deles é contratar policiais, que devem zelar pelo cumprimento da lei. O outro é investir bem cedo nas crianças, para que adquiram habilidades, como um bom poder de julgamento e autocontrole, que as ajudarão a integrar-se à sociedade longe da violência. Pois a opção pela primeira infância custa até um décimo do preço. Recaímos na velha questão: prevenir ou remediar? Como se vê, é muito melhor prevenir.

Que tipo de política pública de primeira infância tem surtido mais efeito? O grande impacto positivo vem de programas que conseguem envolver famílias pobres, creches e pré-­escolas, centros de saúde e outros órgãos que, integrados, canalizam incentivos à criança — não só materiais, evidentemente. O programa americano Perry, da década de 60, é um exemplo clássico de que o investimento em uma boa pré-escola produz ótimos resultados.

Por que esse modelo é bom? Ele envolve ativamente os alunos em projetos de sala de aula, lapidando habilidades sociais e cognitivas, sob a liderança de professores altamente qualificados. A família mantém um estreito elo com a escola. Temos de ter sempre certeza de que a família está a bordo, qualquer que seja a iniciativa.

Não é irrealista esperar tanto de famílias que vivem na pobreza, como no Brasil?Um bom programa de primeira infância consegue ajudar a família inteira, fazendo chegar até ela informações, boas práticas e valores essenciais, como a importância do estudo para a superação da pobreza.

Acesse a entrevista completa AQUI

Estão todos convocados, governo, organizações, sociedade e famílias, a fazer este investimento no próximo ano!

Feliz ano novo!

Abraço fraterno

Ana Lúcia Machado

A EDUCAÇÃO ECOLÓGICA COMEÇA COM A EDUCAÇÃO DOS SENTIDOS – CRIANÇA E NATUREZA

A educação ecológica começa com a educação dos sentidos

A educação ecológica começa com a educação dos sentidos  no decorrer da infância.

Estamos diante de uma geração de analfabetos ecológicos – crianças cada vez mais afastadas do mundo natural, que desconhecem a procedência dos alimentos que levam à boca. Acham que o leite vem da embalagem Tetra Pack. Não sabem que o bifinho é a carne do boi abatido de forma violenta. Não sabem nem identificar as frutas e legumes comuns da culinária do dia a dia.

A educação ecológica começa com a educação dos sentidos

Esta é uma geração que passa a maior parte do dia confinada em ambientes fechados, distantes da luz do sol, do contato com a natureza e que conhece o reino mineral, vegetal e animal por meio das telas de cristal líquido.

O documentário Muito além do peso de 2012, disponível na plataforma  *Videocamp,  aborda o tema da obesidade infantil  e aponta a ignorância das crianças em relação aos alimentos produzidos pela terra.  O fime mostra como as crianças confundem mamão com abacate, beringela com rabanete, e não são capazes de identificar uma abobrinha, um pimentão, uma beterraba, etc.

Entretanto ao apresentar à elas as embalagens de “alimentos” ultraprocessados, reconhecem de imediato as marcas e logo dizem o nome desses produtos, chegando ao absurdo de identificarem a batata apenas pelo pacote de salgadinho frito.

No livro Desemparedamento da infância, uma professora da Educação Infantil da cidade de Novo Hamburgo (RS), relata uma história alarmante. Ela e sua turma, por falta de área verde na escola, passaram  a frequentar um espaço arborizado da igreja vizinha à instituição educacional. Assim que começaram a desfrutar do amplo gramado repleto de árvores frutíferas, era a época final do ciclo das frutas e haviam muitas caídas de maduras pelo chão. As crianças ao verem as laranjas espalhadas pelo gramado, ficaram indignadas e perguntaram: -Quem jogou as laranjas no chão? Elas não fizeram relação entre a laranjeira e as laranjas caídas no gramado.

Será que não chegamos ao ápice da desconexão com a vida?

A educação ecológica começa com a educação dos sentidosVivemos como nunca antes um distanciamento entre homem e natureza, e consequente ruptura com processos de vida. Até 2050, segundo dados da ONU, 66% da população mundial se concentrará em centros urbanos. No Brasil este percentual já está na ordem de 84%. Um dos resultados desse êxodo rural é que vivemos como se não fizéssemos parte da natureza e como se dela não dependesse nossa sobrevivência.

 

 

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EDUCAÇÃO DOS SENTIDOS VERSUS EDUCAÇÃO ECOLÓGICA

A natureza é o espaço de pertencimento da criança, de suas raízes com a Terra.  A partir da relação com o mundo natural,  um mundo que exala aromas, floresce, frutifica e emite sons nativos, por meio do próprio corpo e sentidos, a criança apreende os princípios que regem a vida na Terra – seus ciclos de nascimento e morte,  fluxos, processos dinâmicos, e aprende brincando, na linguagem da infância.

Como podemos reaproximar a infância ao mundo natural? 

Estimular todos os sentidos da criança com formas primordiais, substancias vivas, e materiais orgânicos é fundamental para restabelecer esta conexão.

A educação ecológica começa com a educação dos sentidos

Essa reaproximação pode iniciar pela boca, por meio de uma alimentação saudável. Comece substituindo as idas ao supermercado com as crianças nos fins de semana pelas compras em feiras livres. Sim aquelas  onde os feirantes anunciam aos berros os preços promocionais das baciadas de chuchus, mandioquinhas, pimentões e que gentis oferecem  generosas fatias de melancia, abacaxi, melão, para degustação. Ali as crianças aprenderão de forma divertida, com a simpatia dos feirantes, os nomes das frutas e legumes e experimentarão alimentos que em casa recusam dizendo não gostar sem nunca ter provado.

Depois troque o pedido de comida por aplicativo no sábado à noite pela ocupação da cozinha por toda a família. A cozinha é lugar de encantamento, de memórias afetivas e de riqueza de estímulos sensoriais – as formas e texturas, as cores dos alimentos, os aromas e sabores.

Convide as crianças para ajudar a preparar as refeições. Elas poderão descascar, lavar, misturar, amassar  e sentir o delicioso aroma dos temperos enquanto a comida está no fogo. Dá mais trabalho? Leva mais tempo? Sim, com certeza, mas o resultado torna compensador todo o esforço.

ONDE A VIDA PULSA E ACONTECE AO VIVO

Proporcionar e incentivar o brincar livre das crianças em áreas verdes é  também fundamental para a relação da criança com a natureza. É algo simples, acessível, custa pouco, gera alegria  e um profundo sentimento de ligação  e interdependência entre os seres viventes. Brincar na natureza em contato com os elementos é em essência criar raízes com a Terra.

Experimente levá-las ao parque e fazer uma caminhada atentos ao assobio do vento, ao canto dos pássaros. Aos poucos isso gera uma quietude que permite até ouvir a própria respiração, o ar que entra e sai dos pulmões. Que outros sons é possível escutar? Talvez o barulho dos passos das crianças ao pisar em folhas secas. Permita também que elas fiquem descalças para sentir a energia natural da terra. Que sensação tudo isso traz?

Caminhe de olhos bem abertos deixando que cada investigação das crianças, cada minúcia do percurso se transforme em assombro, em suspiros de encantamento.

Rubem Alves  disse que “o ato de ver não é coisa natural, precisa ser aprendido”. O olhar precisa ser apurado para permitir que a alma infantil registre as imagens grandiosas da vida que pulsa. Para que elas possam ir além dos limites dos matizes dos lápis do estojo escolar.

Saiba que toda criança é um pequeno cientista. O contato com a natureza propicia a observação de formigas, lagartas, minhocas, musgos, líquens – diversos seres vivos fascinantes para a essência curiosa e exploratória das crianças. Dê à elas a oportunidade de colher pelo caminho folhas, flores, sementes, galhos, pedras, e com esses achados inventar brinquedos e brincadeiras divertidas.

A educação ecológica começa com a educação dos sentidosDevemos ser zelosos quanto ao mundo que apresentamos às crianças. Raffi Cavoukian, ativista da infância, fundador do Centre for Child Honouring, fala que “nenhuma tela de computador vai dar a criança uma brisa suave de verão nem o aroma da primavera, e nenhum toque que realmente emocione virá de representações artificiais do mundo.

Como experimentar a sensação refrescante de uma árvore depois de horas ao sol se não de maneira real, sentido na pele a alternância do quente para o frio?  Como apreciar  o cheiro de terra molhada se não andarmos sobre ela após a chuva? Como conhecer o aroma do eucalipto se não partirmos um galho com as mãos? Experienciar  no mundo real é primordial para uma aprendizagem positiva e verdadeira.

Daí  advém a atitude ética do cuidado com o meio ambiente. A criança em contato com o mundo natural é o potencial cuidador e preservador  da natureza porque em seu corpo haverá registros dessa interação.

A primeira infância é o período mais importante para o trabalho educativo de base.  A verdadeira educação ecológica tem início nesta etapa da vida. Dá-se por meio de experiências vivas e reais em ambientes ricos em áreas verdes.

A educação ecológica está diretamente ligada à educação dos sentidos. Acontece à luz do sol, ao contemplar do arco-íris depois de uma forte chuva de verão, no comer das frutas colhidas no pé, no alcançar o galho mais alto de uma árvore, sentindo a aspereza do seu tronco, e a lisura das suas folhas, no chapinar das poças d’água, no sentir a força do vento ao colocar no alto a pipa colorida.

A educação ecológica começa com a educação dos sentidos

Projeto Playoutside – alegria de brincar na natureza

Pouco podemos esperar de um adulto que não teve contato com a natureza na infância em termos de consciência de preservação ambiental, pois só cuidamos e amamos aquilo que conhecemos, com o qual temos algum vínculo de afeto.

Devemos nos conscientizar de que tanto a família quanto a escola desempenham um papel fundamental no  estabelecimento e incentivo da conexão das novas gerações  com a natureza.

 

 

 

Vivenciar o mundo natural de maneira lúdica e artística, é o caminho para a educação ecológica  e da formação de uma nova geração de guardiões da natureza. Todo empenho no sentido da preservação ambiental será em vão caso não se restabeleça a relação da infância com a natureza e se cultive uma existência harmônica entre todas as espécies viventes.

 

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Abraço caloroso

Ana Lúcia Machado

*É possível baixar o arquivo do filme bastando se cadastrar na plataforma e organizar sua sessão.

 

 

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