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DIA DO LIVRO – DICAS DE LIVROS INFANTIS

Dia do livro e as dicas de livros infantis do Educando Tudo Muda.

Abril é considerado o mês dos livros. A começar pelo dia 02 – Dia Internacional do Livro Infanto-juvenil.  Essa data foi escolhida para homenagear o escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, um dos maiores nomes da literatura infantil mundial.

Hans Christian Andersen, quando criança, foi muito estimulado pelo pai a conhecer e ler obras literárias da época. E foi assim que nasceu seu amor pelos livros e pelas histórias.

Na segunda quinzena, há uma data muito relevante para a literatura brasileira. Dia 18,  Dia Nacional do Livro Infantil. É o mesmo dia do nascimento de Monteiro Lobato. Trata-se de uma homenagem a um dos maiores escritores da literatura infanto-juvenil do Brasil. Já, dia 23, comemora-se o Dia Mundial do Livro.

Incentivar o interesse e amor aos livros deve começar bem cedo. A hora de ler e contar histórias para a criança é um momento de intimidade, uma oportunidade de consolidar o vínculo afetivo, gerando equilíbrio para a criança, como afirma o neurocientista e psicoterapeuta Dr. João Figueiró.

E se você ainda não está convencido sobre a importância dos livros na vida das crianças, veja o que declarou Bill Gates a respeito: ‘Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever – inclusive a própria história.’

Selecionei uma série de dicas de leitura em comemoração ao Dia do Livro, que você acompanha a seguir:

DICAS DE LIVROS INFANTIS

Dia do livroO MUNDO NUNCA DORME

Este livro, sobre natureza, convida as crianças a conhecer um universo paralelo, que fervilha de vida enquanto elas dormem. O mundo pode parecer adormecido na calada da noite, mas não está. Enquanto damas-da-noite desabrocham e estrelas brilham, a natureza dá sequência ao ciclo da vida.

Um gato que perambula pelas ilustrações é testemunha silenciosa, na casa e no quintal, das incontáveis vidas noturnas e diurnas. Uma atmosfera de mistério envolve tudo – até os desenhos naturalistas dos animais no final do livro.

Que criaturas são essas? Ficou curioso(a)?

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Dia do LivroLUA – A noite por todo o mundo

Os recortes das páginas deste livro, capa dura, vão aos poucos refletindo as diferentes fases da Lua – nova, crescente, cheia e minguante. Todos os seres viventes estão sujeitos ás influências do ciclo lunar, à sua luz cheia de mistérios. Enquanto a Lua vai ficando pálida e diminui, o mundo na terra está cheio de criaturas noturnas ocupadas. Você já se perguntou por que a Lua brilha no céu noturno?

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A ÁRVORE

Neste livro de Bartolomeu Campos de Queirós, o autor, como dono de uma árvore que é também morada de passarinhos, borboletas, fala sobre a passagem do tempo e todo aprendizado que o convívio com a sua árvore proporcionou – “Pelo muito que minha árvore me faz pensar, tenho por ela um respeito desmedido. Passo horas do meu relógio decorando as lições que minha árvore me ensina. Ela não sabe que é minha professora.”

Livro sensível, cheio de poesia! E você, tem uma árvore prá chamar de sua?

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Dia do livroCADA UM NA SUA TOCA

Um livro que fala sobre uma forte tempestade na floresta que levou os animais de volta às suas tocas. Cada bicho reage de um jeito ao ter que passar tanto tempo em sua casa até que a tempestade vá embora. Uns intensificam os cuidados com os seus, enquanto outros aproveitam para colocar tudo em ordem. Alguns bichos sentem muita falta dos amigos… Uma história que remete o momento que a humanidade está vivendo tendo que ficar em casa também. Uma maneira descontraída de conversar com as crianças a cerca de um tema tão denso.

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LOLO BARNABÉ

O livro conta a história de Lolo e sua família que viviam no tempo das cavernas . Lolo era um sujeito inteligente e criativo. Ele, sua mulher e seu filho, foram inventando coisas para facilitar a vida e conquistar a felicidade. Porém a cada invenção tecnológica, precisavam trabalhar mais para satisfazer novas necessidades.  Até o dia que foram obrigados a repensar aquele modo de vida. Como ser feliz com tantos objetos sem tempo para o convívio familiar e distantes das coisas elementares da vida? Como fazer o caminho de volta aos valores essenciais da existência humana? Essas são algumas das questões que Lolo e sua família nos instigam a  refletir.

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UMA FLORESTA DE HISTÓRIAS

Um livro que conta a histórias de sete árvores mágicas do mundo todo. A autora, Rina Singh, reuniu história tradicionais sobre árvores sagradas como o castanheiro no Japão, a tamareira na Nigéria, a romãzeira no Marrocos, e mais. Como diz Singh, “as árvores são os seres vivos mais antigos do mundo. São nossas ancestrais!’ Devemos recontar as histórias destes seres para as novas gerações.

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Narrativas provocativasA TURMA DA FLORESTA UMA BRINCADEIRA PUXA OUTRA

O livro narra as aventuras de um grupo de crianças que se reúne num parque do bairro para brincar. No decorrer da tarde, essa turminha inventa muitas brincadeiras e brinquedos com materiais naturais que encontram pelo parque, mostrando que a imaginação das crianças é o melhor brinquedo.

A história da Turma da Floresta propõe a reflexão de  questões relativas à infância na contemporaneidade. Questiona a condição de confinamento das crianças e  vislumbra um tempo de liberdade e de reconexão das crianças com o mundo vivo para a formação de uma nova geração de guardiões da natureza.

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Dia do livroO POTE VAZIO

Uma fábula chinesa que conta a história de um reino perfumado, onde todos os habitantes amavam as flores. Um dia o Imperador distribuiu sementes de flores à todas as crianças do reino para que as cultivassem.  A criança que apresentasse a mais bela flor, depois de um ano, seria o sucessor do Imperador. Ping foi a única criança que não conseguiu cultivar as sementes do Imperador, apesar de sempre cultivar lindas flores. Repleto de ilustrações coloridas, de traços delicados, a história traz consigo uma lição de vida para crianças e adultos.

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O LENÇO

Este é um livro-imagem encantador que conta a história de uma menininha que brinca com um lenço que encontrou na gaveta da cômoda do quarto de sua mãe. Com o lenço a menina cria várias brincadeiras. Uma história que nos convida a olhar a riqueza dos materiais não estruturados que estão à disposição da criança no seu dia a dia e que estimulam a imaginação e criatividade.

Dei de presente para minha sobrinha acompanhado de 2 metros de tecido de cetim vermelho de bolinhas brancas, como o do livro. O tecido é um material que dá potência ao brincar da criança. Rico em cores, tamanhos, texturas e transparências, é um grande aliado do mundo imagético infantil.

Não preciso dizer que foi sucesso absoluto. Ela curtiu o livro, o lenço, brincou como a menininha da história e ainda inventou outras maneiras de brincar inspirada pela história. Livro nota 1000. Coloque na lista de boas ideias de presentes para as crianças.

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Narrativas provocativasO JARDIM CURIOSO

Uma história para refletir sobre a ética do cuidado. O livro conta a história de uma cidade sem nenhum tipo de vegetação – sem árvores e jardins. Liam, um menino curioso, acaba descobrindo uma passagem que dá acesso aos trilhos de uma antiga estação de ferro. Lá, ele faz uma descoberta que desperta sua vocação de jardineiro. Passa então a cuidar deste espaço e a partir disso transforma a realidade cinzenta da cidade. Por suas mãos cuidadosas uma nova cidade começa a renascer. E se cada pessoa fosse um jardineiro a cultivar um canto de sua cidade?

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Dia do LivroUMA ÁRVORE

Alina resolveu plantar uma árvore. Sua atitude desencadeou uma série de mudanças. Da árvore cresceu um galho. No galho passarinhos construíram seu ninho. No ninho surgiram 3 ovinhos. E se a menina não tivesse plantado a árvore? Pequenas atitudes transformam o mundo. Uma história de fé, pois todo aquele que planta, tem que acreditar no poder da semente. E se cada criança tivesse a mesma atitude de Alina?

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A COR DO LÁPIS COR DE PELE – FALANDO SOBRE DIVERSIDADE COM AS CRIANÇASA COR DE CORALINE

Certa manhã Coraline estava na sala de aula, quando um coleguinha se aproximou e disse: Coraline, você me empresta o lápis cor de pele?  Essa pergunta deixou a menina intrigada. Ela olhou para sua caixa de lápis de cor e pensou:  Cor de qual pele?

Essa história traz o tema da diversidade de maneira lúdica para as crianças, e instiga importantes questionamentos, tais como: identidade, representatividade e empatia. Assim como na natureza, onde a variação entre semelhantes é imensa, entre nós seres humanos também encontramos as mais variadas constituições e características físicas –  em relação a peso, altura, formato de rosto, tipo e cor de cabelo, de olho e ainda de pele. Todas essas variações fazem com que ninguém seja igual a ninguém. Somos semelhantes, porém diferentes uns dos outros.

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ARCA DE NINGUÉM

Esta é uma releitura da história da Arca de Noé que relata de forma bem humorada a dificuldade que Noé teve para convencer os bichos sobre a catástrofe que estava por abater a Terra e assim entrarem na arca.  Só que a água foi subindo, subindo e os animais que até então resistiam entrar na arca juntos defendendo interesses pessoais,  não tiveram outra saída senão esquecerem suas diferenças e entrarem com urgência na arca. Quanto tempo nós, seres humanos, demoraremos a perceber que a água já está na altura dos nossos pescoços?

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Dia do livroUM PASSEIO PELA NATUREZA

Livro capa dura, com ilustrações inspiradoras e janelinhas prá espiar. Um conteúdo rico que  estimula o interesse da criança pelo mundo vivo! É um incentivo a observação da natureza –  flores a brotar, folhas a mudar de cor , aves construindo ninhos para seus filhotes, e muito mais. Uma publicação que contribui para a alfabetização ecológica das crianças, para a  formação de uma visão de mundo sistêmica, de vida interdependente e sustentável.

“Nosso mundo se transforma todo dia, mês e ano. Se não apreciamos com calma, suas maravilhas desbotam e desaparecem enquanto não estamos olhando. Então pare e ouça o doce canto dos pássaros, toque de todas as árvores e casca. Repouse e sinta o beijo morno do sol…”

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Dia do LivroPÁSSAROS E SUAS CASAS

Como são os ninhos de diferentes tipos de pássaros? Neste livro a criança irá conhecer  a casa de várias espécies de aves, onde elas vivem e fazem seus ninhos. Há casas de vários formatos e tamanhos. Abrindo as janelinhas, é possível descobrir muitas coisas sobre os pássaros: como eles se protegem, do que se alimentam, e muito mais. A partir dessa leitura, seu jardim poderá se tornar um lugar mais agradável para os passarinhos. Livro cartonado.

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Como formar crianças leitorasO MENINO DO DEDO VERDE

Um clássico da literatura para crianças e jovens em todo o mundo. O livro conta a história de um menino diferente que transformava tudo o que tocava, suas impressões digitais causavam reverdecimento e alegria. As proezas de seu dedo verde eram originais e um segredo entre ele e o velho jardineiro, Bigode, para quem seu polegar era invisível e seu talento, oculto, um dom do céu.  A mágica história de Tistu, garoto com raro poder de semear o bem por onde passa, é uma aventura fantástica com final singelo e extraordinário.

Publicado originalmente em 1957, é considerada uma obra inovadora por ser a primeira a tratar de ecologia. Rico em simbologias, o livro ultrapassa os limites da ecologia para abordar temas profundos do florescimento humano. Druon apresenta um menino que rompe os muros da escola para conhecer o mundo na prática, aprender com a vida real – a melhor escola.

SAIBAMAIS

Dia do LivroDE FLOR EM FLOR

Neste livro de capa dura, as ilustrações contam a história de uma menininha de olhar curioso que em suas andanças pela cidade ao lado de seu pai, passeia de olhos atentos às bonitezas do caminho e faz dos achados ao seu redor, presentes especiais.
Gosto da liberdade da contação das histórias que os livros-imagens propiciam. Gosto da reflexão que esta história provoca: não seria este o olhar que deveríamos cultivar para dar um novo sentido a existência humana sobre a Terra?

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A ÁRVORE

O livro mostra o crescimento das plantas – do nascimento do brotinho, da semente até os frutos, com várias janelinhas cheias de surpresas e muitas ilustrações de animais e insetos. Super interativo, capa dura. Um livro que desperta o interesse pela natureza.

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Dia do livroA FLORESTA

O livro conta a história de um camundongo que um dia decide enfrentar seus medos deixando sua casa  para conhecer os mistérios da floresta. O que ele encontra não é o que imaginava, a floresta reserva muitas surpresas – encontros e enfrentamentos.

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A CAVERNA E O FORNO

Numa  caverna fria e escura habitavam os homens, até que Prometeu – um semideus, ofereceu o fogo aos habitantes da caverna, advertindo-os para que não deixassem o fogo morrer, pois desconhecia como fazer o fogo.  O homem com sua inteligência  foi além: descobriu a arte de fazer fogo, desafiando os deuses, e ambicioso inventou muitas coisas em nome do progresso, transformando a caverna, sua casa, num lugar quente, poluído e fétido.  A caverna, como uma metáfora do planeta Terra, é apresentada pelo autor como um organismo sem ânus. Todo organismo, para viver, tem de ter meios para colocar para fora de si  seus resíduos tóxicos. Sem esfíncteres que realizem essa função excretória, o organismo morre. O que acontecerá com a Terra se não assumirmos a função de reciclagem dos resíduos que produzimos?

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Dia do livroO JORNAL

Este é outro livro-imagem encantador de Patrícia Auerbach , mesma autora do livro ‘O lenço’. Enquanto o pai lê o jornal, o filho, que está em volta dele querendo sua atenção, fica a imaginar o quê há de tão interessante no jornal que o pai não  o larga por horas. Pegando os cadernos do jornal que o pai vai liberando e colocando no chão, o menino criativo, descobre mil e uma maneiras de brincar.

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dia do livroORIE

Este livro é pura delicadeza – fala sobre a vida da pequena Orie, sua família de barqueiros e as viagens pelo rio. Orie acompanha o movimento das águas, do vai e vem do remo de bambu e dos peixinhos e assim, a menina vai descobrindo o mundo que a cerca. O texto poético, com versos curtos, traduz o movimento de palavras que tocam o coração. Desta forma a autora faz o resgate das histórias japonesas que ouvia em sua infância, valorizando a memória de paisagens naturais e marcantes, repletos de vida.

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O SAPO BOCARRÃO

O sapo Bocarrão tem uma boca enorme, é muito guloso e curioso – vive perguntando aos outros animais ‘E VOCÊ, COME O QUÊ? Gordo, verdíssimo, de grandes olhos, ele pula a cada página comendo moscas e jogando conversa fora até o momento em que encontra o terrível crocodilo com seus dentes brancos pontudos – e  o final da histórias é muito engraçado. O livro tem dobraduras-surpresa em todas as páginas, brincadeiras gráficas e cores vibrantes, com letras grandes para facilitar a leitura das crianças recém-alfabetizadas.

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Dia do LivroO HOMEM QUE AMAVA CAIXAS

Este livro fala da relação entre um pai e seu filho e sobre a demonstração do amor paterno de um jeito diferente.
Além do aspecto da riqueza das relações humanas, o livro mostra a potencialidade deste material não estruturado que é a caixa de papelão – mil possibilidades de brincadeiras.

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Dia do LivroO SEGREDO DE ANTON

Um livro perfeito para as crianças que amam desenhar! E qual criança não adora um desenho? Na capa da publicação a criança poderá escrever o seu próprio nome dividindo assim a autoria do livro com Ole Könnecke, premiado escritor e ilustrador alemão.

O autor imaginou a história e começou a ilustrá-la, só que as ilustrações estão inacabadas, permitindo que a criança faça seus desenhos completando as ilustrações, no próprio livro, de acordo com sua vontade e inspiração. Não é uma ideia bacana?

Anton, personagem criado pelo autor, é um menino sapeca e criativo. Caminhando em direção ao parque, Anton acaba se perdendo e vivendo muitas aventuras até achar o caminho e encontrar seus amigos.

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A ÁRVORE GENEROSA

Uma história sobre a amizade entre um menino e uma árvore que mostra a generosidade da mãe natureza, além da ambição humana. O menino desfruta de tudo o que a árvore pode oferecer – seus frutos, sua sombra, seus galhos.  Entretanto, a medida que o menino cresce, aumenta sua ganância e assim ele extrapola a exploração dos recursos da árvore. Uma história para exercitar a empatia incentivando nos colocarmos no lugar da árvore.

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Dia do livroO JARDIM SECRETO

Um clássico da literatura inglesa infantojuvenil apreciado há mais de um século por leitores de todas as idades. Publicado em 1911, já inspirou diversas adaptações para teatro, TV e cinema.

O livro conta a história da menina Mary Lennox  que depois de perder os pais numa epidemia de cólera na Índia, onde nasceu e foi criada, é enviada para viver com um  tio, na zona rural da Inglaterra. O tio, deprimido pela morte da esposa, está sempre em viagens, enquanto seu filho Colin, primo de Mary, passa a vida na cama como inválido.

Solitária, Mary tenta se divertir vasculhando a propriedade, até que descobre um segredo incrível: o deslumbrante jardim de sua falecida tia, trancado e abandonado.

A descoberta do jardim faz com que Mary conheça Dickon, menino que conversa com os animais e as plantas, e se aproxime do primo, que volta a sair da casa numa cadeira de rodas improvisada. Assim, a amizade das três crianças e o encantamento causado pelo jardim começam a transformar a vida de todos na casa.

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REINAÇÕES DE NARIZINHO

Reinações de Narizinho é o primeiro de uma série de livros que abriria as porteiras do Sítio do Picapau Amarelo para os pequenos leitores do Brasil. Com seu universo único e encantador, as aventuras que Narizinho, Pedrinho, Emília e tantos outros personagens vivem nos arredores do Sítio e no Reino das Águas Claras marcaram a história da literatura brasileira e consagraram Monteiro Lobato como o grande nome de nossa literatura infantojuvenil.

Esta nova edição de luxo, organizada por Marisa Lajolo, vem acompanhada por um texto introdutório que explica o contexto cultural da época de publicação do livro e debate as questões polêmicas relacionadas à obra de Monteiro Lobato. Traz também notas de rodapé em formato de diálogo entre as personagens, que explicam o vocabulário e os costumes do Brasil da década de 1920, além de ilustrações que reinterpretam a turma do Sítio.

Edição de luxo, com ilustrações da premiada artista Lole e organização de Marisa Lajolo, a maior especialista da obra lobatiana no Brasil.

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Dia do livroUMA PLANTA MUITO FAMINTA

O livro conta a história de uma planta muito gulosa que nunca se sacia. Como sempre está com fome come todo tipo de criatura: lagarta, borboleta, coelho, vaca paraquedista, mamute voador… Quanto mais ela come, maior ela fica. Quem conseguirá detê-la?

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LABIRINTO DE HISTÓRIAS

Para aqueles que gostam de histórias de bruxas e contos de fadas. Esta é a história de Bento e Manu,  irmãos gêmeos que sonham conhecer uma amiga especial da avó deles: a bruxa Abdula, que sabe tudo sobre histórias e feitiços.

Os irmãos, ao encontrarem seu livro de feitiços escondido, embarcam em uma viagem pelo mundo dos contos de fada e conhecem Chapeuzinho Vermelho, Rapunzel, João, Maria e outros personagens tão queridos das crianças. Todos esses encontros inesperados e emocionantes, porém, não parecem ser suficientes para os dois: afinal, o que queriam mesmo era conhecer a misteriosa bruxa Abdula.  Mas eles vão ter uma surpresa…

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Também não se pode esquecer que dia 9 é o Dia da Biblioteca.

Assista o  documentário, Para gostar de Ler, que fala sobre a importância da leitura na Primeira Infância, disponível no YouTube, , e responda esta pergunta: você lembra qual era seu livro favorito na infância?

abraço caloroso e saúde

Ana Lúcia Machado

APREÇO PELA NATUREZA – LIVROS QUE INSPIRAM AMOR PELA NATUREZA

Apreço pela natureza

O apreço pela natureza pode ser incentivado desde muito cedo na vida de uma criança de diversas maneiras.

COMO INCENTIVAR O APREÇO PELA NATUREZA?

Incentivar o apreço pela natureza por meio da leitura e contação de histórias na infância, é despertar o amor pelo mundo natural, é formar cidadãos que verdadeiramente se importarão com a preservação do meio ambiente na vida adulta.

Os livros podem despertar o apreço pela natureza. Uma boa história de aventura em ambientes naturais pode influenciar de maneira positiva as crianças e incentivar o interesse pelo mundo vivo.

Livros que mostram a vida vegetal e animal também são estímulos para o apreço pela natureza.  Com eles as crianças podem aprender como vivem os bichos e as plantas, e sentirem-se estimuladas a  observar a natureza ao redor, até mesmo aquele capinzinho que  insiste em brotar entre as fendas das calçadas na cidade.

Muitos adultos que sentem apreço pela natureza recordam-se de livros e histórias sobre o mundo natural lidos na infância. Livros que falam sobre a natureza, ajudam a formar uma visão de mundo sistêmica, de vida sustentável, que contribuem para a alfabetização ecológica das crianças.

Somos seres biofílicos – sentimos apego ao mundo natural e seus seres viventes.  A natureza nos acolhe e fortalece nosso senso de filiação e pertencimento.

Lembro com muita alegria a leitura que fiz quando menina, do clássico  O menino do dedo verde de Maurice Druon. Publicado originalmente em 1957, é considerada uma obra inovadora por ser a primeira a tratar de ecologia. Rico em simbologias, o livro ultrapassa os limites da ecologia para abordar temas profundos do florescimento humano.  Druon apresenta um menino que rompe os muros da escola para conhecer o mundo na prática, aprender com a vida real – a melhor escola.

Você se recorda de algum livro lido, quando criança, que tenha influenciado positivamente sua relação com o mundo natural?

LEIA TAMBÉM: COMO FAZER DO MEU FILHO UM FUTURO LEITOR

Apreço pela naturezaEntão, que tal inspirar o apreço pela natureza por meio dos livros e incentivar a leitura ao ar livre?

LIVROS QUE INSPIRAM APREÇO PELA NATUREZA

Veja a lista de livros que você pode oferecer às crianças para  despertar o apreço pela natureza.  Essa lista foi testada e aprovada nos grupos de trabalho com as crianças, nos cursos de formação de educadores e entre a criançada da família também!

 

1.Um passeio pela natureza

Um livro de capa dura com janelinhas de espiar que revela toda a riqueza e beleza do mundo natural: sementes germinando, flores brotando, pequenas criaturas espalhadas pelo mundo que são fundamentais para o equilíbrio da natureza.

Escrito por  Libby Walden, ilustrado por Clover Robin

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2.Pássaros e suas casas

Como são os ninhos de diferentes tipos de pássaros? Neste livro a criança irá conhecer  a casa de várias espécies de aves, onde elas vivem e fazem seus ninhos. Há casas de vários formatos e tamanhos. Abrindo as janelinhas, é possível descobrir muitas coisas sobre os pássaros: como eles se protegem, do que se alimentam, e muito mais. A partir dessa leitura, seu jardim poderá se tornar um lugar mais agradável para os passarinhos. Livro cartonado.

Escrito por  Libby Walden, ilustrado por Clover Robin

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3. A árvore

O livro revela o crescimento das plantas – do nascimento do brotinho, da semente até os frutos, com várias janelinhas cheias de surpresas e muitas ilustrações de animais e insetos. Super interativo, capa dura.

Escrito por Anna Milbourne e Luciano Campelo, ilustrado por Simona Dimitri

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4.Sementes de cabanas encantadas

Este é o livro encantado das famosas sementes de cabanas. No diário de viagem do famoso explorador Afonso Cagibi, você conhecerá as mais incríveis moradas do mundo, espécies variadas de  cabanas – de passarinho, de caramujo, de pescador, etc. Acompanhada de lindas ilustrações, Cagibi relata minúcias preciosas das cabanas que desbravou pelo mundo a fora.

Escrito por  Philippe Lechermeier, ilustrado por Éric Puybaret

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5. A Turma da Floresta uma brincadeira puxa outra

O livro narra as aventuras de um grupo de crianças que se reúne num parque do bairro para brincar. No decorrer da tarde, essa turminha inventa muitas brincadeiras e brinquedos com materiais naturais que encontram pelo parque, mostrando que a imaginação das crianças é o melhor brinquedo.

Escrito por Ana Lúcia Machado, ilustrado por Daniel Salvetti

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6. A Floresta

O livro conta a história de um camundongo que deixa sua casa  para explorar a floresta. O que ele encontra não é o que imaginava, a floresta reserva muitas surpresas – encontros e enfrentamentos.

Escrito e ilustrado por Claire Nivola

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7. Oceanos

Quem são os habitantes do mar? Esta é uma jornada pelos oceanos que explora a grande floresta marítima de algas – seres marinhos exuberantes. Alguns são mestres do esconderijo e da camuflagem como o peixe-pedra que fica imóvel e engole animais que se aproximam dele ou ainda o peixe-camarão  que se esconde entre os espinhos do ouriço-do-mar. O livro fala sobre o vento e suas ondas, as marés, as criaturas que vivem nas profundezas do oceano. Uma leitura para instigar a curiosidade das crianças.

Escrito por Matthew Oldham, ilustrado por Jane Newland

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8. A árvore generosa

Uma história sobre a amizade entre um menino e uma árvore que mostra a generosidade da mãe natureza, além da ambição humana. O menino desfruta de tudo o que a árvore pode oferecer – seus frutos, sua sombra, seus galhos.  Entretanto, a medida que o menino cresce, aumenta sua ganância e assim ele extrapola a exploração dos recursos da árvore. Uma história para exercitar a empatia incentivando nos colocarmos no lugar da árvore.

Escrito e ilustrado por Shel Silverstein

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9. O Jardim Curioso

Uma história para refletir sobre a ética do cuidado. O livro conta a história de uma cidade sem nenhum tipo de vegetação – sem árvores e jardins. Liam, um menino curioso, acaba descobrindo uma passagem que dá acesso aos trilhos de uma antiga estação de ferro. Lá, ele faz uma descoberta que desperta sua vocação de jardineiro. Passa então a cuidar deste espaço e a partir disso transforma a realidade cinzenta da cidade. Por suas mãos cuidadosas uma nova cidade começa a renascer.

Escrito por Peter Brown

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10. Lua, A noite por todo o mundo

Por que  a Lua brilha no céu noturno? As páginas recortadas deste livro refletem os diferentes formatos da Lua durante todo o ciclo lunar. Uma história cheia de poesia sobre a vida noturna, à luz do luar.

Escrito Patricia Hegarty e ilustrado por Britta Teekentrup

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11.De flor em flor

Este livro-imagem revela o olhar curioso de uma menina em suas andanças pela cidade ao lado de seu pai. Ela anda atentamente descobrindo a natureza por onde passa,  colhendo flores que crescem entre as fendas do concreto da cidade.

Escrito por JonArno Lawson e ilustrado por Sydney Smith

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12. Uma floresta de histórias – contos de árvores mágicas do mundo todo

O livro conta a história de sete árvores especiais, inspiradas no folclore de sete povos diferentes. Cada história tem como personagem central uma árvore dotada de poderes mágicos e despertam um senso de humildade e reverência a estes seres da natureza.

Escrito por Rina Singh  e ilustrado por Helen Cann

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13. A árvore

Árvore tem dono? Neste livro, o autor, como dono de uma árvore que é também de morada para os passarinhos e pequenos insetos, fala sobre a passagem do tempo e  sobre todo aprendizado que adquiriu convivendo com sua árvore.

 Escrito por Bartolomeu Campos de Queirós e ilustrado por Mario Cafiero

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14. Cada um na sua toca

Um livro que fala sobre uma forte tempestade na floresta que levou os animais de volta às suas tocas. Cada bicho reage de um jeito ao ter que passar tanto tempo em sua casa até que a tempestade vá embora. Uns intensificam os cuidados com os seus, enquanto outros aproveitam para colocar tudo em ordem. Alguns bichos sentem muita falta dos amigos… Uma história que remete o momento que a humanidade está vivendo tendo que ficar em casa também. Uma maneira descontraída de conversar com as crianças a cerca de um tema tão denso.

Escrito por Walter Sagardoy , ilustrado por Vanessa Prezoto 

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15. O mundo nunca dorme

Este livro, sobre natureza, convida as crianças a conhecer um universo paralelo, que fervilha de vida enquanto elas dormem. O mundo pode parecer adormecido na calada da noite, mas não está. Enquanto damas-da-noite desabrocham e estrelas brilham, a natureza dá sequência ao ciclo da vida.

Um gato que perambula pelas ilustrações é testemunha silenciosa, na casa e no quintal, das incontáveis vidas noturnas e diurnas. Uma atmosfera de mistério envolve tudo – até os desenhos naturalistas dos animais no final do livro.

Escrito por Natalie Rompella , ilustrado por  Carol Schwartz

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16. Brasileirinhos do Pantanal

Este é o quarto volume da coleção Brasileirinhos, de  Lalau e Laurabeatriz, que agora  se voltam para a fauna pantaneira, dando versos e ilustrações aos animais que lá habitam. Do piau-três-pintas ao lagarto-jacaré, essa seleção vai divertir e conscientizar os pequenos leitores sobre os tesouros vivos do Brasil. O Pantanal é a maior planície de inundação do mundo  e guarda em suas matas uma diversidade enorme de animais.

Escrito por Lalau, ilustrado por Laura Beatriz

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17. O quintal da minha casa

O quintal desse livro é cheio de plantas e bichos. Ele tem céu estrelado, sol e chuva. Nele, vivem muitas pessoas ― cada uma de um jeito diferente, mas todas iguais em sua humanidade. Mas andaram mexendo no quintal e, destruindo o que deveria ser preservado. Uma história que convida a refletir sobre o meio ambiente e como estamos cuidando de nosso planeta.

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18. O menino do dedo verde

O livro conta a história de um menino diferente que transforma tudo o que toca, suas impressões digitais causam reverdecimento e alegria. As proezas de seu dedo verde são originais.  A mágica história de Tistu, garoto com raro poder de semear o bem por onde passa, é uma aventura fantástica com final singelo e extraordinário.

Publicado originalmente em 1957, é considerada uma obra inovadora por ser a primeira a tratar de ecologia. Rico em simbologias, o livro ultrapassa os limites da ecologia para abordar temas profundos do florescimento humano. Druon apresenta um menino que rompe os muros da escola para conhecer o mundo na prática, aprender com a vida real – a melhor escola.

SAIBA MAIS

Leia histórias e dê para as crianças livros que inspirem o apreço pela natureza. Incentive a leitura ao ar livre, debaixo da sombra generosa de uma árvore frondosa. Estimule também a troca de livros entre amiguinhos e familiares.

 

abraço afetuoso e saúde

Ana Lúcia Machado

O começo da vida 2: Lá Fora – Criança e Natureza

O documentário ‘O começo da vida 2: Lá Fora‘ estreou em novembro e mostra como a conexão com a natureza pode revolucionar o mundo.

No decorrer do processo evolutivo, os seres humanos estiveram imersos na natureza e seus corpos adaptados à ela. A fisiologia humana reconhece a natureza como casa e responde de maneira favorável quando  em contato com ambientes naturais. No entanto, em 2050, estima-se que 66% da população mundial estará concentrada em áreas urbanas. No Brasil este percentual já está na ordem de 84%.

Somos cada vez mais atraídos pelo mundo criado pelo homem  e sofremos as consequências do afastamento  da natureza. As crianças são as mais prejudicadas com o desequilíbrio causado pelo estilo de vida atual. Elas passam 90% do seu tempo em locais fechados – em casa, em frente da televisão, jogando vídeo games, dentro de salas de aula nas escolas, em shoppings, dentro de automóveis ou transporte público.

As doenças relacionadas à vida moderna tornaram-se um problema social à escala global: obesidade, miopia, déficit de atenção, ansiedade e até mesmo depressão e já não perdoam nem mesmo as crianças.

Felizmente, aos poucos a sociedade está despertando para a necessidade de equilibrar esta balança voltando se para o mundo natural, um ambiente que nos é familiar há milhões de anos.

O COMEÇO DA VIDA 2: LÁ FORA

Existe uma mudança em curso – um movimento de retorno à natureza que está se espalhando pelo mundo. Esse movimento ganhou  um reforço muito expressivo –  o filme ‘O Começo da Vida 2: Lá Fora’.

Trata-se de um documentário que aborda as consequências da falta de natureza no cotidiano das crianças e adolescentes e que alerta sobre a urgência de transformarmos as cidades e escolas em espaços mais verdes e amigáveis à infância.

O Começo da Vida 2: Lá Fora pode ser visto na Netflix e nas principais plataformas digitais (iTunes, Google Play, Youtube, Videocamp, Net Now e Vivo Play).

O documentário é a continuação da franquia de “O Começo da Vida”, lançado globalmente em 2016. Este novo capítulo mostra os benefícios do contato com a natureza no desenvolvimento das crianças, por meio da fala de especialistas e pensadores das áreas de meio ambiente e infância como a Dra. Jane Goodall e o jornalista e escritor Richard Louv, autor do livro ‘A última criança na natureza’.

O Começo da Vida (2016) traduz um conceito muito importante de que ‘a criança se desenvolve a partir da sua genética e a partir das suas interações com o meio’. O Começo da Vida 2: Lá Fora se aprofunda numa questão muito importante, vital para nosso futuro, que é a relação com a natureza – que no fundo é a relação consigo mesmo, porque nós somos a natureza”, diz Estela Renner, co-fundadora da Maria Farinha Filmes e produtora.

O projeto teve patrocínio do Instituto Alana e da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, e apoio Institucional do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – PNUMA, Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, Fundação Bernard van Leer, Programa Criança e Natureza, Children & Nature Network – C&NN, FEMSA Foundation e United Way.  O lançamento do documentário contou com uma Rede de Impacto formada por mais de 100 instituições e indivíduos conectados com o tema, entre essas organizações, o Educando Tudo Muda.

 

“O Instituto Alana acredita muito na importância do audiovisual, de engajamento, de sensibilização, de gerar reflexão na sociedade. A gente também acredita que o cinema é uma ferramenta muito importante de transformação, porque de fato ele toca as pessoas”, diz Laís Fleury, coordenadora do programa Criança e Natureza do Instituto Alana.

“ESSE FILME QUE ESTÁ MUITO ALINHADO  COM O QUE ACREDITAMOS E COM AS NOSSAS DIRETRIZES DE HONRAR A INFÂNCIA E COLABORAR COM UMA INFÂNCIA RICA EM NATUREZA, BOA E SAUDÁVEL PARA TODAS AS CRIANÇAS.”  Laís Fleury

 

“Um dos grandes desafios que a gente vive hoje, ainda mais na pandemia, é o desafio da solidão. As crianças, os adolescentes, estão muito sozinhos e eles encontram na tela uma companhia que pode ajudar muito, pode fazer sentido, mas pode ser uma companhia vazia e que só agrava mais esse sentimento de não pertencimento”, reflete Estela Renner.

“Criarmos vínculos através de afeto, de cuidado, através do cultivo de uma planta que você e seu filho plantam juntos, por exemplo. Está muito mais dentro de nós do que imaginamos, essa vontade de verde, de conexão. E é através do vínculo que encontramos nossos sentidos, nossa plenitude. Então, parece ser muito pequeno plantar alguma coisa em casa, mas pode ter um mundo ali dentro”. Encerra Estela Renner.

“ENQUANTO NÃO NOS ENXERGARMOS PARTE DO MEIO AMBIENTE E SIM COMO DOMINADORES DA NATUREZA, EU ACHO QUE NOSSO FUTURO NÃO SERÁ MUITO SALUBRE.” Estela Renner

 

LEIA TAMBÉM: Como estimular a conexão com a natureza no dia a dia da criança

Acessibilidade

Mantendo o compromisso de democratização do acesso da produtora e da distribuidora, também é possível assistir ao filme organizando uma exibição pública pelo VIDEOCAMP com recursos de legendas, legendas descritivas – closed caption, audiodescrição e linguagem de sinais em português, inglês, espanhol.

No VIDEOCAMP, o filme conta com recursos de legendas (português, inglês e espanhol), dublagem (português), legendas descritivas – closed caption (português, inglês e espanhol), audiodescrição (português, inglês e espanhol) e linguagem de sinais (LIBRAS – linguagem brasileira de sinais, ISL – international sign language, LSE – lengua de signos española).

 

Assista trailer oficial do filme AQUI

 

Abraço e saúde

Ana Lúcia Machado

 

 

A BRUXA NA LITERATURA INFANTIL – DIA DAS BRUXAS – HALLOWEEN

As bruxas nas histórias infantis

Desde o surgimento da literatura infantil, no século XVIII, a bruxa é uma figura marcante nas histórias para crianças. Outros seres encantados e assustadores, como monstros, lobos, dragões, duendes, também sempre estiveram presentes nos contos de tradição oral.

A bruxa constitui uma das mais populares criações do imaginário – símbolo do contato com a natureza, do poder do feminino, e do desejo de transformações. Com uma pitada de bem e de mal, muitas vezes são representadas de chapéu pontudo, verruga no nariz e com poderes misteriosos. São criaturas horrendas, malvadas, que voam numa vassoura e adoram fazer poções mágicas.

Esta personagem faz parte da infância de todos os tempos, em diferentes culturas. Nas  narrativas mais modernas, por vezes, aparece como seres mais divertidos, atrapalhados e nem tão maus assim.

Nos contos de fadas temos bruxas famosas, tais como a Rainha Malvada da ‘Branca de Neve e os sete anões’, e a Malévola da ‘Bela Adormecida’. Há ainda as bruxas do ‘Mágico de Oz’ , a Madame Min em ‘A Espada era a lei’ e muitas mais.

No Brasil, a representação da bruxa aparece com a personagem Cuca, de Monteiro Lobato, no ‘Sítio do Picapau Amarelo’. Caracterizada como uma velha com rosto de jacaré e dedos de gavião, a Cuca rouba as crianças que não querem ou demoram a dormir.

A Bruxa na literatura infantilNo final da década de 70, com a ascensão da literatura infantil, a bruxa conquistou as narrativas autorais, com histórias de Maria Clara Machado, Sylvia Orthof, Bartolomeu Campos Queiroz, entre outros escritores.

Exemplos de bruxas mais recentes podem ser encontrados nas histórias da Bruxa Onilda de Enric Larreula e Roser Capdevila, e de Harry Potter de J. K. Rowlling.

POR QUE CONTAR HISTÓRIA DE BRUXA PARA AS CRIANÇAS?

A figura da bruxa, presente nos contos de fadas, que foram depurados ao longo dos tempos, auxilia na organização da psique infantil, uma vez que está ligada à essência do ser humano, e ao nosso lado sombrio, que esconde comportamentos e desejos que temos dificuldade de expressar.

Eva Furnari, a mestre das bruxas dos livros ilustrados brasileiros, nos adverti sobre a importância das histórias como caminhos para resolver conflitos, oferecer  soluções, e ajudar a elaborar questões internas.

Os contos de fadas, em especial, falam em uma linguagem universal e simbólica. Neles encontramos uma  riqueza infinita, que dispensa explicações para a criança, pois são  assimilados e digeridos de acordo com a necessidade da alma infantil.

As histórias dão às crianças um repertório que contribui para a leitura de mundo. De  acordo com psicólogos, psiquiatras, pedagogos e demais especialistas, na figura da bruxa, os pequenos encontram uma maneira de lidar e enfrentar seus medos.

Para o psiquiatra e escritor Celso Gutfreind,

o medo tem uma função importante nos contos, representando uma emoção fundamental para toda a vida do ser humano e constituindo-se em um fator de proteção durante a infância. Aprender a lidar com ele é um desafio para a criança.” (Contos e desenvolvimento psíquico)

COMO FORMAR CRIANÇAS LEITORAS

Frequentemente pais e  professores questionam  como despertar o interesse pela leitura na infância  e como formar crianças leitoras.  Será que existe uma fórmula mágica para transformar crianças em leitores?

 

Algumas dicas importantes:

-Seja referência de leitor para a criança

-Leia para ela, especialmente na hora de ir para a cama

-Inclua bibliotecas e livrarias nos passeios da família

-Presenteie com livros

-Incentive a troca de livros entre as crianças

ALGUNS CUIDADOS

Especialistas no assunto, recomendam que na qualidade de mediadores de leitura, mães, pais, adultos cuidadores, tomem alguns cuidados:

-sentem-se perto da criança ao ler histórias para elas

-pause durante a leitura para conversar incentivando a curiosidade infantil

-chame a atenção para as ilustrações

-acompanhe a leitura com o dedo para que a criança assimile que a leitura se dá de cima para baixo, e da esquerda para a direita.

Lembre-se: o momento da leitura é um tempo de  intimidade entre vocês, de cultivo do vínculo afetivo, que resulta em equilíbrio emocional para a criança.

E não tenha receio de contar histórias de bruxas para as crianças. Aproveite as dicas de leitura a seguir – uma  seleção de livros com histórias de bruxas variadas – más, boas, divertidas, e atrapalhadas que preparei para você.

 

Ótima leitura e bom divertimento!

Abraço

Ana Lúcia Machado

 

HISTÓRIAS DE BRUXAS

Clique no título do livro para ver a imagem da capa:

  1. A bruxa Zelda e os 80 docinhos, Eva Furnari

Uma narrativa divertida e cheia de aventuras que se passam na cidade de Piririca da Serra, onde vive a Bruxa Zelda. Bóris, um cientista, fica sabendo de uma fórmula que contém o elixir da juventude e essa preciosidade está anotada num caderno amarelo. Mas Tia Ambrósia, tia de Bóris, também tem um caderno amarelo, contendo incríveis receitas culinárias. A Bruxa Zelda deseja obter a fórmula, mas com qual receita irá se deparar? Essa é uma história criada há mais de 20 anos continua a encantar e fazer rir as crianças. 

  1. A bruxa do armário de limpeza, Pierre Gripari

Nesta história a bruxa vive em um armário de limpeza, perto da porta de entrada de uma casa recém-comprada. O novo morador chegou a desconfiar do preço baixo pago pela casa, mas não fazia ideia dos desafios que teria que enfrentar para conseguir morar na casa e se livrar da bruxa.

  1. As memórias da Bruxa Onilda, Enric Larreula e Roser Capdevila

Desde criança, Bruxa Onilda apronta poucas e boas. Sempre atenta às magias de sua mãe, a bruxinha acaba aprendendo cedo como utilizar seus poderes. No primeiro aniversário, ganha um bolo e um grande ovo, de onde sai a coruja Olhona, que vira sua grande amiga e companheira de aventuras. 

  1. Carona na vassoura, Julia Donaldson

Uma bruxa sorridente voava em sua vassoura, quando o vento derrubou seus pertences… Alguns animais ajudaram a recolher os itens e, agradecida, ela resolveu lhes dar uma carona em sua vassoura. Mas será que ela aguentaria o peso?

  1. As cartas de Ronroroso, Hiawyn Oram

Ele se chama Ronroroso Seramago de Bragança B e tem um problema grande como seu nome: sua bruxa, Hilda Bruxilda, quer ser tudo, menos o que deveria ser… Suba na vassoura e divirta-se à beça com os dramas do gato da bruxa que não quer ser bruxa! 

  1. Bruxa, bruxa, venha a minha festa, Arden Druce

A bruxa desta história recebe um convite para uma festa. E uma festa bem estranha na qual estarão presentes um pirata, um tubarão, um lobo, um espantalho, uma coruja e outros tantos personagens… Uma narrativa, marcada pela repetição do texto do anúncio do convite, e pela beleza das imagens, repletas de detalhes e de cores e que, muitas vezes, dão indicações de quem será o novo convidado.  A bruxa é convidada para uma festa e diz que só irá se o gato for. Esse pede para chamar o espantalho, que quer levar a coruja e, assim por diante, de modo que várias criaturas acabam sendo convidadas. As crianças adoram.

  1. A bruxa Salome, Audrey Wood

Antes de ir ao mercado, a mãe avisou: “Não abram a porta para estranhos”, mas as crianças deixaram entrar a bruxa Salomé! Agora, só a mãe poderá salvá-las.

8. Labirinto de Histórias

Bento e Manu são irmãos gêmeos que sonham conhecer uma amiga especial da avó deles: a bruxa Abdula. Dizem que ela sabe tudo sobre histórias e feitiços… Pois é justamente por causa de uma magia da bruxa que os irmãos, ao encontrarem seu livro de feitiços escondido, embarcam em uma viagem pelo mundo dos contos de fada.
Bento e Manu conhecem Chapeuzinho Vermelho, Rapunzel, João, Maria e outros personagens tão queridos das crianças. Todos esses encontros inesperados e emocionantes, porém, não parecem ser suficientes para os dois: afinal, o que queriam mesmo era conhecer a misteriosa bruxa Abdula. Mas eles vão ter uma surpresa…

9. Casa do Cuco, Alexandre Camanho

Cuco, é um astuto e cauteloso pássaro que, com seu cantar, alerta os animais das armadilhas, quase sempre fatais, da maldosa bruxa. Certo dia, o cuco, fantasiado de estranho forasteiro, chega à casa da bruxa e consegue enganá-la, trocando os animais que ela mantinha em cativeiro por um falso cuco. A vingança da velha não tarda e o pássaro é capturado para sempre. Mesmo assim, ele cuidará da proteção e do destino das criaturas da floresta, saindo de hora em hora da casinha onde foi aprisionado. Trata-se de um reconto de texto de tradição oral alemão, que explica a origem dos relógios de madeira com o pássaro cuco entalhado. A narrativa foi enriquecida com novos elementos, situações de conflito e personagens.

10. As Bruxas, Roald Dahl

DIA DAS CRIANÇAS – UM JEITO DIFERENTE DE COMEMORAÇÃO

dia das crianças

O Dia das Crianças originalmente foi instituído com o intuito de discutir os problemas da infância. Criado em 1924, logo após o Congresso Sul-Americano da Criança, um grande evento no Rio de Janeiro que reuniu estudiosos da infância e políticos de vários países para debater temas relacionados à educação, alimentação e desenvolvimento infantil.

Este dia permaneceu inexpressivo, até que, a partir da década de 50 uma campanha de marketing criada por duas grandes empresas fabricantes de produtos infantis, chamou a atenção para essa data dando força à comemoração desse dia com o objetivo de alavancar suas vendas.

dia das criançasDesde então, com a aproximação do Dia das Crianças, este é o período em que cresce, nos meios de comunicação, a publicidade dirigida ao púbico infantil pelas empresas fabricantes de brinquedos e de outros produtos infantis. As crianças são alvo de estratégias mercadológicas e fortes campanhas publicitárias persuasivas, exigindo cada vez mais dos responsáveis diretos da criança, cuidados em relação à exposição excessiva às telas.

Elas são bombardeadas pelos apelos mercadológicos em canais por assinatura, TV aberta, vídeos no Youtube, etc. Como ainda não possuem o senso crítico estruturado, são presas fáceis desses apelos e do consumismo. Saem pedindo insistentemente aos pais os produtos anunciados.

Dados fornecidos pelo Programa Criança e Consumo do Instituto Alana, apontaram um aumento de 331% no quesito publicidade infantil durante o mês de outubro do ano passado, entre os canais infantis Cartoon Network, Discovery Kids e Gloob.

O mercado brasileiro de brinquedos chega a movimentar cerca de R$ 10,5 bilhões anuais, despejando regularmente novidades nas prateleiras das grandes redes varejistas, atraindo as crianças e despertando o desejo por novos brinquedos.

Sabemos que 90% desses brinquedos são feitos de plásticos e que  impactam diretamente a saúde da criança e do planeta, pois as substâncias de determinados tipos de plásticos são tóxicas para as crianças. Além disso, é sabido que a decomposição de certos materiais pode demorar até 500 anos. Isto se torna um problema ambiental muito grave, uma vez que o oceano é o destino quando estes materiais são descartados.

Outro aspecto importante que precisamos levar em conta é que quando a criança brinca apenas com brinquedos industrializados, inibimos sua imaginação e sua capacidade de transformar em brinquedos, elementos do cotidiano que estão à sua volta.

O brinquedo pronto que damos de presente a elas, quebra o ciclo natural do brincar – formado pelas etapas do desejar, planejar, executar e desfrutar -, indo direto para a fase final do processo. Isto coloca a criança numa perspectiva de passividade, empobrece a brincadeira, não estimula a imaginação,  a criação livre, e o trabalho de construção dos brinquedos por elas mesmas.

A ruptura desse ciclo leva a criança a perder rapidamente o interesse pelo brinquedo que lhe é dado. É possível observar uma redução nas interações com esses objetos, menor envolvimento e pouca concentração, pois a criança não se sente ativa no processo de criação dos brinquedos e brincadeiras.

 

MENOS BRINQUEDOS MAIS IMAGINAÇÃO

É o que constatou um estudo de 2017 da Universidade de Toledo (Ohio – EUA) intitulado “A influência do número de brinquedos no ambiente infantil”.  Pesquisadores concluíram que ao disponibilizar menos brinquedos a uma criança, sua imaginação torna-se mais ativa e consequentemente a brincadeira fica mais criativa.

O estudo revelou que quando as crianças têm menos brinquedos no ambiente, brincam por períodos mais longos, e exploram diferentes maneiras de usá-los nas brincadeiras. Menos brinquedos eleva a qualidade do brincar das crianças e pode ajudar a criança a se concentrar melhor na brincadeira com mais criatividade.

 

REPENSANDO O SIGNIFICADO DO DIA DAS CRIANÇAS

Dia das criançasComo sair do lugar comum e dar um novo sentido a esta data? De que forma podemos comemorar o Dia das Crianças sem ceder aos apelos mercadológicos?

Que tal olhar seu entorno e perceber a quantidade de materiais do cotidiano que podem virar brinquedos nas mãos das crianças – caixas de papelão, rolhas, caixinhas de fósforos, lenços, etc.

Que tal observar a natureza num passeio ao parque neste Dia das Crianças e descobrir o lúdico ao alcance das mãos – gravetos, sementes, folhas, pedrinhas, etc, que magicamente podem se transformar em alegres brincadeiras?

Já pensou como seria divertido organizar uma caça aos tesouros da natureza e depois  propor às crianças a criação de um brinquedo ou brincadeira com esses achados?

LEIA TAMBÉM: Livro do Educador brincando com a natureza

Dia das criançasVamos conectar a criança ao mundo vivo e olhar para a vocação  lúdica da natureza. Vamos refletir sobre o que é um bom brinquedo, uma brincadeira potente, sobre a importância do brincar livre, o brincar em família, e possibilidades de viver o Dia das Crianças  de um jeito diferente  valorizando o que realmente importa para a saúde física e emocional das crianças.

Infância rica em vivências sensoriais e lúdicas não precisa de brinquedos industrializados e sim de experiências por meio do brincar livre em contato com o mundo natural.

Feliz Dia das Crianças!

Abraços

Ana Lúcia Machado

INFÂNCIA HIPERDIGITALIZADA


Infância hiperdigitalizada foi assunto do programa ‘Região em Foco’ da Rádio Ondas FM97,7 (Região dos Lagos -RJ), apresentado pelo jornalista Leandro França. Fui convidada para falar sobre o excesso do mundo digital na vida das crianças depois de ter publicado um artigo sobre o aumento do tempo em frente as telas pelos pequenos.

A entrevista está no meu canal do Youtube e foi transcrita para compartilhar aqui no Educando Tudo Muda, confira:

Infância Hiperdigitalizada nas ondas do rádio

Infância hiperdigitalizadaTivemos acesso ao artigo “Infância Hiper Digitalizada” e trazer este assunto aqui na pauta do nosso programa é interessante, já que as telas invadiram de vez a vida dos pequenos. Quais as influências que essas tecnologias exercem no comportamento infantil durante a fase de formação e desenvolvimento?  Nós vivemos sob a influência de uma  revolução tecnológica há muito tempo, e  desde a COVID 19 o mundo inteiro  se rendeu  às telas.  Fomos todos sugados para dentro dos nossos próprios mundos digitais.  As telas representam hoje educação à distância,  socialização com familiares e amigos,  entretenimento e estão sendo usadas até mesmo para consultas médicas.

Mas em relação às crianças , temos que considerar as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria que orienta que  crianças de até dois anos de idade não sejam expostas a telas e que as de até cinco anos tenham contato por menos de uma hora por dia.  Para este período de quarentena a recomendação é que aos menores de 2 anos, seja  liberado apenas para o uso afetivo, gerenciado pelos pais. O que é o uso afetivo? É aquela chamada com vídeo para ver os avós, tios e primos, amiguinhos da escola. Nas outras idades é importante combinar um tempo mínimo para isto, sempre com algum  monitoramento.  Por quê essas  orientações? E aí eu respondo a sua pergunta:

Para se constituir como um ser humano,  a criança depende do ambiente em que vive, dos estímulos que recebe e da interação e convívio com outros seres humanos.  Os primeiros anos de vida correspondem a um tempo primordial da constituição psíquica da criança, da apropriação do próprio corpo por meio dos sentidos, da relação consigo mesma, e das relações com o outro, e tudo isso depende de experiências de  vida no mundo real, de estímulos sensoriais  capazes de  afetar o corpo da criança, e que permita a ela perceber variados cheiros, sons, sabores, impressões táteis.  O mundo virtual não oferece à criança as impressões do mundo natural e a dimensão do humano em suas relações.

Os fenômenos, as manifestações de vida, os processos, não podem ser absorvidos por meio de visualizações, emojis e curtidas. A vida é apreendida pela criança, e as aprendizagens ocorrem na interação com o mundo real, nas relações de afeto, na presença, no olho no olho, no calor do toque.

 

Como os Pais devem estar atentos ao conteúdo exposto aos seus filhos? As crianças estão expostas a uma variedade de conteúdo pela internet. Os pais precisam conhecer o que os filhos estão acessando e vendo. Por trás dos Youtubers e Influencers que as crianças e adolescentes seguem, existe  um forte apelo mercadológico e consumista. Existe o perigo de conteúdos inadequados, as fakenews e ainda o risco de armadilhas de pedofilia. Os pais devem atuar como mediadores, e monitores da vida online das crianças e também negociar os limites de tempo de uso.

 

Muitos pais acabam recorrendo aos eletrônicos para entreter os filhos e conseguir dar conta das tarefas de casa. Há algum jeito de fugir desse roteiro? A linguagem dos smartphones e tablets é uma linguagem de isolamento. Há um perigo muito grande nessa ausência de mediação.  As máquinas “falam” com as crianças de maneira fria, impessoal, descontextualizada, desprovida das experiências vivenciadas dos adultos, sem a transmissão de valores culturais.

As crianças precisam ser participantes da vida da casa. Este é o momento de fazermos juntos. Incluir as crianças nas tarefas que precisam ser executadas, delegar algumas  tarefas de acordo com a faixa etária das crianças. Compartilhar de forma lúdica as atividades do dia a dia como  preparar as refeições, lavar a louça, arrumar a cama, regar as plantas, dar comida para os animais domésticos, etc. Tudo é aprendizagem, talvez até muito mais significativa e também capaz de trabalhar a autonomia e autoestima da criança.

Para fazer diferente, a partir da realidade de cada família, é importante  organizar uma rotina que respeite e contemple todos os tempos. Tempo de promoção da saúde com horas adequadas de sono, atividade física, banho de sol. Tempo para as aulas online e atividades escolares. Tempo offline para o brincar livre para as crianças menores e no caso das  mais velhas, para  atividades  em que possam expressar sua subjetividade por meio de desenhos, colagens, trabalhos manuais, jardinagem, fotografia, música.  Tempo de ócio, momentos de  não fazer nada para que permita que a criatividade floresça, e por fim tempo de convívio salutar – um jogo em família à noite, contação de histórias para os pequenos e o que mais fizer sentido de acordo com o contexto de cada família, não existe um manual, uma receita pronta.

 

É possível identificar quando o mundo virtual começa a fazer mal para alguma criança? De acordo com o Dr. Cristiano Nabuco de Abreu, psicólogo e coordenador do Grupo de Dependência Tecnológicas do Instituto de Psiquiatria do  Hospital das Clínicas de São Paulo, a situação é preocupante. Ele tem atendido casos de crianças viciadas em smartphones, videogames e tablets, incapazes de se relacionar sem ser virtualmente, de manter a concentração e até mesmo dar sequência a um raciocínio lógico.  Em sua experiência clínica, tem atendido casos de crianças com pouco mais de 2 anos de idade que não comem, nem vão para a cama se não tiverem um aparelho digital ao lado.

A Dra. Julieta Jerusalinsky, psicanalista especializada em primeira infância, adverte  que estão chegando ao  consultório crianças que diante de algo da realidade que as pertubam, fazem um gesto de passar o dedo sobre uma superfície como se no movimento do touchpad, elas pudessem alterar a realidade. Estão chegando crianças  repetindo fragmentos sonoros extraídos da internet, que não fazem o menor sentido para ela mesma e para os pais, pois os dispositivos digitais  emitem sequências sonoras, mas são incapazes de sustentar uma comunicação efetiva, um diálogo com a criança. Esses são sinais dos impactos negativos do mundo virtual na vida das crianças.

Por outro lado, com as escolas fechadas, a opção dos professores é ministrar aulas online. Como as crianças devem se adaptar e se comportar para acompanhar essa nova modalidade de aprendizado?Estamos todos tateando frente ao novo. Mas é inegável que as aulas online precisam estar  atreladas a um contexto de realidade da criança e permitir que a partir dos conteúdos apresentados ela faça relações com  experiências vividas,  reais.  As crianças apreendem o mundo e aprendem por meio dos estímulos sensoriais, mediante o contato com a materialidade, com o concreto.

Qual o papel da literatura na infância neste momento de isolamento social? A literatura neste momento pode ser uma janela para o mundo exterior. Diferente dos desenhos animados e filmes, os livros não apresentam um cenário pronto ou uma paisagem fixa.  O trabalho em absorver uma história exige que a criança construa suas próprias imagens, e faça conexões para atribuir significado ao que está lendo ou ouvindo no caso de uma contação de história. Isso torna a criança  mais ativa na situação em comparação com a passividade gerada pelo olhar fixo nas telas. Diante das telas, corpo e imaginação ficam inativos,  ao passo que ao ler, ou ouvir uma história, a imaginação é despertada e capaz de percorrer mundos.

Algum registro, mensagem ou consideração final? Para finalizar quero dizer que a reconexão da infância com a natureza, é o que vai fazer o contraponto a este mundo para vez mais digital. A  relação da criança com o mundo natural  é o que vai garantir a formação de uma nova geração de guardiões da natureza e por consequência  a sustentabilidade do planeta Terra.

OBs.: a entrevista aconteceu no dia 28 de maio de 2020.

Abraço caloroso

Ana Lúcia Machado

 

RETOMADA DAS AULAS PRESENCIAIS – APRENDIZAGEM AO AR LIVRE

retomada das aulas presenciais

Há muito tempo convivemos com uma forte crise do sistema educacional. Um a cada quatro alunos que inicia o ensino fundamental no Brasil, abandona a escola antes de completar a última série, segundo dado do Relatório de Desenvolvimento 2012, divulgado pelo Pnud – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) , 1,3 milhão de jovens entre 15 e 17 anos, deixaram a escola sem concluir os estudos, dos quais 52% não concluíram sequer o ensino fundamental.

Passados mais de seis meses sem aulas presenciais, suspensas para conter o avanço da pandemia, a crise se agravou, o que nos obriga rever nosso modelo de escola e buscar novos paradigmas para a educação.

RETOMADA DAS AULAS PRESENCIAIS

Como retornar a escola de modo seguro?

Muitos países da Europa e da Ásia já retomaram as aulas presenciais com protocolos que incluem a aferição de temperatura na entrada, utilização de máscaras e álcool gel, janelas abertas para ventilação, distância de 1.80 m entre as carteiras, e até mesmo divisórias de plástico para separá-las. Algumas escolas acomodaram as carteiras em quadras esportivas enquanto outras estão realizando aulas ao ar livre.

Isso nos remete ao início do século 20, quando as aulas ao ar livre transformaram-se  em um movimento que se espalhou pela Europa e pelos Estados Unidos como medida de combate a tuberculose. Essa solução, adotada na época, pode servir de inspiração na busca de alternativas que permitam a  retomada das aulas presenciais.

retomada das aulas presenciais

Neste processo de reabertura das escolas podemos também tomar como referência as Escolas da Floresta – escolas que existem há muito tempo nos países nórdicos. Surgiram  na década de 50 na Dinamarca , expandiram-se pela Europa e desde então tem se multiplicado pelo Canadá, Estados Unidos e até em alguns lugares da China.

As Escolas da Floresta são uma alternativa às escolas de educação infantil tradicionais. Elas reconhecem o potencial educador da natureza e buscam proporcionar uma experiência de aprendizagem ao ar livre para as crianças.  As atividades educativas são realizadas no meio da floresta. Não existem salas de aula, nem instalações que delimitem o espaço. As crianças aprendem de maneira lúdica desfrutando uma experiência única. Conheça algumas escolas pelo mundo AQUI

Esse contato com a natureza promove inúmero benefícios  – permite  atividades diversificadas que exploram e incentivam a comunicação, imaginação, construção do pensamento, confiança e resiliência.

“As escolas de educação infantil, enquanto ambientes de circulação e produção de culturas, têm como função primordial ajudar as crianças a manterem e ampliarem seu vínculo com a Natureza, propiciando experiências nas quais elas possam conviver com as plantas, as árvores, os animais, as águas, as chuvas, as pedras, o vento, o fogo, participando, interagindo prazerosamente, sentindo, aprendendo.” – A criança e a natureza, Izenildes Bernardina de Lima

 

Fato é que a retomada das aulas presenciais está diretamente ligada à capacidade transformadora das escolas, ao reconhecimento de outros territórios de aprendizagem – espaços públicos ao ar livre, ambientes abertos, a descoberta da comunidade no entorno da escola, etc.

retomada das aulas presenciaisSabemos que muitas escolas não possuem áreas externas para oferecer experiências ao ar livre. Essas escolas precisarão pensar em alternativas de acesso a locais além de sua sede. A COVID-19  é o empurrão que está fazendo com que os educadores pensem em explorar outros territórios educativos. Sem dúvida este é um momento de profundas mudanças.

…as escolas estão sendo desafiadas a romper com o velho modelo de sala de aula entre quatro paredes com carteiras enfileiradas, e despertar para o potencial educador da natureza, reconhecendo outros territórios educativos como ambientes de aprendizagem…reconhecendo a educação como processo de viver e não preparação para uma vida futura. – Livro do Educador brincando com a natureza, Ana Lúcia Machado

Diante desse cenário tão desafiador, o programa Criança e Natureza do Instituto Alana, elaborou um documento com sugestões para uso de espaços públicos na retomada das aulas presenciais. O documento sugere a ocupação de parques, praças e clubes, com as turmas das crianças pequenas, como forma de evitar a aglomeração e promover o contato com a natureza, além de liberar o uso do espaço escolar interno para as crianças mais velhas e  adolescentes .

A reabertura das escolas é um processo que implica em uma visão de todos os envolvidos nesta cadeia: alunos, famílias, professores, profissionais de apoio  e prestadores de serviços. O debate para o planejamento da retomada das aulas presenciais deve ser amplo e considerar inúmeras questões. Dados desse documento apontam que a reabertura das escolas atinge 38,7 milhões de estudantes da rede pública municipal e 9,1 milhões de estudantes da rede privada, além de 2,7 milhões de docentes e cerca de 2 milhões de profissionais de apoio à atividade educacional.

APRENDIZAGEM AO AR LIVRE

As aulas ao ar livre têm sido discutidas em todo o mundo como alternativa para a retomada das aulas presenciais.

Por que não ensinar do lado de fora? A interação e exploração dos espaços abertos trazem oportunidades educativas muito mais efetivas e perduráveis para as crianças e jovens, é o que afirma  a britânica Juliet Robertson, consultora educacional especializada em aprendizagem ao ar livre. Ela diz que todo o currículo pode ser ensinado fora da sala de aula.

retomada das aulas presenciaisEm seu livro ‘Educar fuera del aula’, Robertson apresenta ideias simples de aulas ao ar livre. Além disso, aborda os problemas práticos que acontecem quando se ensina em ambientes naturais. Ela diz que estar fora da sala de aula desperta todos os sentidos, de modo que os alunos adquirem uma compreensão das coisas por meio desses estímulos sensoriais.

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Em seus anos de experiência do lado de fora com as crianças ela afirma que aprender é um processo emocional e não apenas cognitivo. Sempre sente-se tocada com a expressão de encantamento dos alunos quando captam a conexão que há entre todas as coisas existentes na natureza, e constata, em relação aos professores, os resultados libertadores advindos da prática educativa ao ar livre.

O potencial educador dos espaços naturais é enorme, sem contar que é a maneira mais eficaz de estimularmos a apreciação e respeito pela natureza e todos os seres viventes, e de desenvolvermos uma compreensão de como podemos cuidar do nosso meio ambiente.

Se você achava que o único jeito de ser escola fosse entre quatro paredes, a partir de hoje  mude sua concepção. Existe outro jeito de ser escola. A crise que estamos atravessando só está acelerando um processo que já estava em curso – o movimento de reconexão com a natureza.

…a escola precisa fundamentalmente religar os seres humanos e a natureza, sair, desemparedar, proporcionar vivências nos ambientes naturais, aprender com seus seres e processos. É preciso tornar mais verdes todos os ambientes, quebrar a identificação do lugar de aprender com a sala de aula, desligar do conhecimento exclusivamente racional para a sensibilização, para conhecer com todo o corpo, para o deixar-se afetar na relação de convívio com as demais espécies… – Tiriba & Profice, 2014

Existe um potencial transformador em tudo o que estamos vivendo. Não podemos desperdiçar esta oportunidade – já prá fora com as crianças. Estude, pesquise e experimente fazer diferente. Fica AQUI a dica de outras publicações que falam sobre educação ao ar livre. Deixo os parabéns às professoras e professores brasileiros que neste momento de tantas incertezas têm superado as limitações do distanciamento para viver com as crianças aprendizagens significativas.

Abraço caloroso e saúde

Ana Lúcia Machado