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HISTÓRIAS DE BRUXAS – POR QUE CONTAR HISTÓRIAS DE BRUXAS PARA AS CRIANÇAS?

A Bruxa na literatura infantil

Entes estranhos e seres encantados sempre estiveram presentes nos contos de tradição oral, e desde o surgimento da literatura infantil, no século XVIII, a figura da bruxa tem sido marcante.

As bruxas constituem uma das mais populares criações do imaginário – símbolo do contato com a natureza, do poder do feminino, e do desejo de transformações.

Com uma pitada de bem e de mal, muitas vezes são representadas de chapéu pontudo, verruga no nariz e com poderes sobrenaturais. São criaturas horrendas, malvadas, que voam numa vassoura e adoram fazer poções mágicas.

Histórias de bruxasEsta personagem faz parte da infância de todos os tempos, em diferentes culturas. Nas  narrativas mais modernas, por vezes, aparece como seres mais divertidos, atrapalhados e nem tão maus assim.

Nos contos de fadas temos bruxas famosas, tais como a Rainha Malvada da Branca de Neve e os sete anões, e a Malévola da Bela Adormecida. Temos ainda as bruxas do Mágico de Oz , a Madame Min da Espada era a lei e muitas mais.

No Brasil, a representação da bruxa aparece com a personagem Cuca, de Monteiro Lobato, no Sítio do Picapau Amarelo. Caracterizada como uma velha com rosto de jacaré e dedos de gavião, a Cuca rouba as crianças que não querem ou demoram a dormir.

No final da década de 70, com a ascensão da literatura infantil, a bruxa conquista as narrativas autorais, com histórias de Maria Clara Machado, A bruxinha que era boa; de Sylvia Orthof, Uxa – ora fada, ora bruxa; de Bartolomeu Campos Queiroz, Onde tem bruxa tem fada, entre outras.

Exemplos de bruxas mais recentes podem ser encontrados nas histórias da Bruxa Onilda de Enric Larreula e Roser Capdevila, e de Harry Potter de J. K. Rowlling.

POR QUE CONTAR HISTÓRIAS DE BRUXAS PARA AS CRIANÇAS?

A figura da bruxa, presente nos contos de fadas, que foram depurados ao longo dos tempos, auxilia na organização da psique infantil, uma vez que os seres encantados estão ligados à essência do ser humano, e ao nosso lado sombrio, que esconde comportamentos e desejos que temos dificuldade de expressar.

Histórias de bruxasEva Furnari, a mestre das bruxas dos livros ilustrados brasileiros, nos adverti sobre a importância das histórias como caminhos para resolver conflitos, oferecer  soluções, e ajudar a elaborar questões internas.

As histórias dão às crianças um repertório que contribui para a leitura de mundo. De  acordo com psicólogos, psiquiatras, pedagogos e demais especialistas, na figura da bruxa, os pequenos encontram uma maneira de lidar e enfrentar seus medos.

Para o psiquiatra e escritor Celso Gutfreind,

o medo tem uma função importante nos contos, representando uma emoção fundamental para toda a vida do ser humano e constituindo-se em um fator de proteção durante a infância. Aprender a lidar com ele é um desafio para a criança.” (Contos e desenvolvimento psíquico)

Então não tenha receio de contar histórias de bruxas para as crianças e aproveite esta  seleção de livros com histórias de bruxas variadas – más, boas, divertidas, e atrapalhadas. Ótima leitura e bom divertimento!

HISTÓRIAS DE BRUXAS

Clique no título do livro para ver a capa e ter acesso a mais informações: 

  1. A bruxa Zelda e os 80 docinhos, Eva Furnari

Uma narrativa divertida e cheia de aventuras que se passam na cidade de Piririca da Serra, onde vive a Bruxa Zelda. Bóris, um cientista, fica sabendo de uma fórmula que contém o elixir da juventude e essa preciosidade está anotada num caderno amarelo. Mas Tia Ambrósia, tia de Bóris, também tem um caderno amarelo, contendo incríveis receitas culinárias. A Bruxa Zelda deseja obter a fórmula, mas com qual receita irá se deparar? Essa é uma história criada há mais de 20 anos continua a encantar e fazer rir as crianças.

 

  1. A Bruxa do armário de limpeza, Pierre Gripari

Nesta história a bruxa vive em um armário de limpeza, perto da porta de entrada de uma casa recém-comprada. O novo morador chegou a desconfiar do preço baixo pago pela casa, mas não fazia ideia dos desafios que teria que enfrentar para conseguir morar na casa e se livrar da bruxa.

 

  1. As memórias da Bruxa Onilda, Enric Larreula e Roser Capdevila

Desde criança, Bruxa Onilda apronta poucas e boas. Sempre atenta às magias de sua mãe, a bruxinha acaba aprendendo cedo como utilizar seus poderes. No primeiro aniversário, ganha um bolo e um grande ovo, de onde sai a coruja Olhona, que vira sua grande amiga e companheira de aventuras.

 

  1. Carona na vassoura, Julia Donaldson

Uma bruxa sorridente voava em sua vassoura, quando o vento derrubou seus pertences… Alguns animais ajudaram a recolher os itens e, agradecida, ela resolveu lhes dar uma carona em sua vassoura. Mas será que ela aguentaria o peso?

 

5.Bruxinha Zuzu, Eva Furnari

A Bruxinha Zuzu é uma bruxa, claro, mas quem reparar direito vai ver que ela tem umas coisinhas diferentes. Neste livro a história é contada com imagens e não com palavras. A personagem da história atribui à varinha mágica todas as confusões que acontecem ao longo da narrativa.

 

  1. As bruxas, Roald Dahl

Você saberia reconhecer uma bruxa de verdade? Bruxa de verdade nem parece bruxa. E aí está o perigo. Como é que a gente vai saber quem é bruxa e quem não é? Pois este livro conta a história de um menino que, de tanto se meter em encrenca com bruxas, acabou especialista no assunto.

 

  1. Era uma vez uma bruxa, Lia Zatz

Esta é uma história muito especial  em forma de carta enigmática. A bruxa Meleca, cansada de sua vida tranquila em uma linda floresta, resolve mudar para um lugar mais movimentado para viver novas aventuras: a cidade. E tantas aventuras ela vive, que quase termina sua história em um hospital para bruxas.

 

  1. Bruxinha Zuzu e o gato Miu, Eva Furnari

Este livro conta histórias da Bruxinha Zuzu e de seu amigo, o gato Miú, que é um bichaninho exageradamente dramático, trágico, sentimental e medroso, além de envergonhado.

 

  1. Bruxa Onilda em apuros, Enric Larreula e Roser Capdevila

A festa à fantasia’ – Bruxa Onilda foi convidada para uma festa à fantasia e não sabia o que vestir. Depois de muito experimentar, decidiu ir de múmia. A festa foi um sucesso e – quem diria! -, apesar de ficar quase sem roupa, a bruxa ganhou o concurso de melhor fantasia! ‘A hora da verdade’ – Em uma de suas experiências malucas, Bruxa Onilda inventou o soro da verdade.

 

  1. As cartas de Ronroroso, Hiawyn Oram

Ele se chama Ronroroso Seramago de Bragança B e tem um problema grande como seu nome: sua bruxa, Hilda Bruxilda, quer ser tudo, menos o que deveria ser… Suba na vassoura e divirta-se à beça com os dramas do gato da bruxa que não quer ser bruxa!

 

  1. Histórias de bruxa boa, Lya Luft

Um livro cheio de feitiços e fantasia que mostra que a magia está no ar: qualquer jardim pode ser habitado por fadas e duendes, de repente bichos podem falar, uma avó pode voar montada numa vassoura e uma neta pode ser ajudante de feiticeira! Quem diria que a avó de Tatinha era uma bruxa boa chamada Lilibeth?! E como toda bruxa boa, ela só fazia feitiço para proteger as pessoas e assustar as bruxas más. Mas o que ninguém na escola esperava é que Tatinha logo se tornaria uma bruxinha-ajudante da avó. Nestas histórias dois mais dois podem não ser quatro, o claro pode ser escuro e o sol pode virar lua!

 

  1. A bruxa Jezibaba e a menina bordadeira, Fabio Sombra

A tal bruxa tinha uma coruja que sonhava em ser colorida. Eis que uma menina bordadeira, com a ajuda de um feitiço, poderia lhe dar cores. Uma narrativa envolvente e emocionante, contada em cordel.

 

  1. Bruxa, bruxa, venha a minha festa, Arden Druce

A bruxa desta história recebe um convite para uma festa. E uma festa bem estranha na qual estarão presentes um pirata, um tubarão, um lobo, um espantalho, uma coruja e outros tantos personagens… Uma narrativa, marcada pela repetição do texto do anúncio do convite, e pela beleza das imagens, repletas de detalhes e de cores e que, muitas vezes, dão indicações de quem será o novo convidado.  A bruxa é convidada para uma festa e diz que só irá se o gato for. Esse pede para chamar o espantalho, que quer levar a coruja e, assim por diante, de modo que várias criaturas acabam sendo convidadas. As crianças adoram.

 

  1. A bruxa Salome, Audrey Wood

Antes de ir ao mercado, a mãe avisou: “Não abram a porta para estranhos”, mas as crianças deixaram entrar a bruxa Salomé! Agora, só a mãe poderá salvá-las.

 

  1. A inacreditável história de crianças perdidas, Jean Claude

Gilda vivia aprisionada por um Ogro horrível. Era sempre muito obediente, porque não queria ser devorada. Godofredo também estava preso com uma Bruxa horrorosa. Ele tinha que fazer tudo que ela pedia e não tinha sossego nunca. Os dois não aguentam mais, vão ter que bolar um plano e juntar coragem para sair dessa situação, ou melhor, fugir!

 

  1. Sorumbática, Eva Furnari

Era “Noite das Travessuras”. A campainha da casa das tias tocou pela quinta vez. PHÉÉÉ! Eles abriram a porta esperando que fossem os pequenos bruxos pedindo guloseimas. Mas… Oh! Não! Quem seria?

 

  1. Como apavorar as bruxas, Catherine Leblanc

Bruxas, vampiros e monstros… Agora o leitor vai aprender como se defender de todos eles. Bruxas são observadoras poderosas e estão sempre à espreita para pegar crianças desprevenidas. Já os vampiros são seres da noite que vagam pelos céus escolhendo suas vítimas! Quem nunca teve medo de histórias assim? Este é praticamente um manual de sobrevivência contra tudo o que nos assusta ajudando os pequenos leitores a encarar e superar seus medos de uma forma criativa e bem-humorada!

 

  1. Mortina, Barbara Cantini

Mortina é uma menina diferente de todas as outras: ela é uma menina-zumbi. Passa os dias no Palacete Decrépito com sua tia Fafá Lecida e seu inseparável amigo, o galgo albino Tristão. O maior sonho de Mortina é ter amigos de sua idade para brincar, mas sua tia nunca deixa que ela saia de casa, porque tem medo da reação dos humanos ao conhecerem a pequena zumbi. Para sua alegria, um dia a oportunidade perfeita aparece: o Dia das Bruxas, quando todas as crianças saem às ruas com as fantasias mais horripilantes. Mortina nem vai precisar trocar de roupa para encarar a maior aventura de sua vida.

 

  1. O grande livro das bruxas, vários autores

Ainda que não se acredite nelas, há bruxas por toda parte! Prepare-se para se apavorar e se divertir com contos, jogos e as histórias mais horripilantes e engraçadas. Neste livro, feito pelos mais importantes ilustradores do mundo, as bruxas estão à solta. Prontas para aterrorizar!

 

  1. Manu e a Cuca, Juan Chaveta

Ninguém nunca viu a Cuca, mas todo mundo tem medo dela. Quer dizer, todo mundo, não. Manu não tem! Um dia, ela acordou com uma Cuca perto dela, aquela que os pais chamam para pegar crianças que não dormem. Manu, percebendo que a Cuca parecia triste, resolveu escrever um “Cuconário”, verbete biográfico de como ela via a Cuca, e assim descobriu que nem sempre o que se ouve é verdade!

 

  1. A vassoura encantada, Chris Van Allsburg

A viúva Minna Shaw adota como ajudante uma vassoura mágica, abandonada em sua casa por uma bruxa. A vassoura faz de tudo: limpa, corta lenha, alimenta as galinhas e até toca piano. Acontece que a vizinhança não se conforma com a presença da vassoura e querem destruí-la.

 

  1. Casa do Cuco, Alexandre Camanho

Cuco, é um astuto e cauteloso pássaro que, com seu cantar, alerta os animais das armadilhas, quase sempre fatais, da maldosa bruxa. Certo dia, o cuco, fantasiado de estranho forasteiro, chega à casa da bruxa e consegue enganá-la, trocando os animais que ela mantinha em cativeiro por um falso cuco. A vingança da velha não tarda e o pássaro é capturado para sempre. Mesmo assim, ele cuidará da proteção e do destino das criaturas da floresta, saindo de hora em hora da casinha onde foi aprisionado. Trata-se de um reconto de texto de tradição oral alemão, que explica a origem dos relógios de madeira com o pássaro cuco entalhado. A narrativa foi enriquecida com novos elementos, situações de conflito e personagens.

 

23. O Saci, Monteiro Lobato

O saci é um dos mais icônicos livros do universo do Sítio do Picapau Amarelo. É nessa história que a temida Cuca aparece pela primeira vez, além de tantos outros personagens do folclore brasileiro. Ao lado de um saci arteiro, mas com bom coração, Pedrinho embarca em uma aventura pela floresta nos arredores do sítio para salvar sua prima Narizinho das terríveis garras da bruxa Cuca.

 

24. Winnie, a feiticeira

Winnie a Feiticeira morava numa casa preta. A casa tinha tapetes pretos poltronas pretas cama preta lençóis e cobertores pretos. Até o banheiro era preto. Wilbur o gato também era preto é claro. O problema é que Winnie nao conseguia enxergá-lo… até o dia em que ela resolveu fazer uma de suas mágicas!

 

Abraço

Ana Lúcia Machado

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Jacoby, S. (2010). A bruxa no imaginário infantil: <i>A última bruxa</i> de Josué Guimarães. Letras De Hoje44(4). Recuperado de https://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/fale/article/view/6549

https://labedu.org.br/livros-que-fazem-criancas-crescerem-49-sob-o-feitico-das-bruxas-1/

https://quindim-com-br.cdn.ampproject.org/v/s/quindim.com.br/blog/por-que-criancas-precisam-conhecer-bruxas-e-contos-de-fadas

 

 

A REVOLUÇÃO DO BRINCAR SEM PLÁSTICO EM 12 PASSOS – como libertar as crianças da infância plastificada

brincar sem plástico

A revolução do brincar sem plástico é em primeiro lugar um convite ao brincar livre em contato com a natureza, além de uma proposta de reflexão sobre atitudes éticas de consumo dos brinquedos plásticos. Trata-se de um alerta para as famílias e as instituições educacionais a respeito dos impactos do consumo de brinquedos plásticos na saúde das crianças e do planeta.

Já parou para pensar que quase tudo ao nosso redor é composto por plástico e o quão presente ele está na vida das crianças? Muitos utensílios infantis de uso diário são feitos desse material: mamadeiras, chupetas, copos, pratos e principalmente brinquedos. O plástico está tão impregnado em nossas vidas que fica difícil imaginá-la sem ele. É urgente trazer para discussão o seu consumo ético.

A produção e o consumo desenfreado do plástico, bem como a poluição causada por ele, tornou-se um problema global e um dos maiores desafios ambientais para a humanidade. Os números são alarmantes. A população mundial produz algo em torno de 300 milhões de toneladas de plástico por ano, poluindo o solo, a água, e o ar.

brincar sem plasticoSegundo o estudo “Solucionar a Poluição Plástica – Transparência e Responsabilização” realizado em 2019 pela Ong  (WWF),  o Brasil é o 4º país do mundo que mais gera lixo plástico, sendo que apenas 1,28% é reciclado.  Além disso, 77,5% dos municípios brasileiros não realizam a coleta seletiva, ou seja, grande parte dos resíduos são perdidos, indo parar em lixões, aterros, bueiros, rios, lagos, mares e oceanos.

O Brasil está em 16º lugar num ranking de países que mais descartam resíduos plásticos no oceano. De acordo com a  ONU Meio Ambiente, o mar poderá ter mais plástico do que peixes até 2050, se continuar este consumo crescente.

Ao analisar o mercado de brinquedos no Brasil, diretamente ligado à cultura da infância, constata-se um faturamento anual na ordem de R$ 10,5 bilhões. Um mercado que despeja regularmente novidades nas prateleiras das grandes redes varejistas. Somente em 2016, contou com mais de 9.000 modelos de brinquedos, atraindo a atenção do público infantil, instigando o desejo por novos brinquedos, alimentando assim a insatisfação das crianças e seu comportamento consumista.

Sabe-se que 90% dos brinquedos fabricados no mundo são feitos de plástico e que nem todo tipo de plástico é adequado para a produção de brinquedos. Algumas substâncias utilizadas na fabricação desses produtos são potencialmente tóxicas, cancerígenas e causadoras de distúrbios hormonais nas crianças.

Brinquedos de plástico

 

 

Estima-se uma produção de 1,38 milhão de toneladas de brinquedos de plástico  no período entre 2018 e 2030. Mais de um terço desse total corresponde a embalagens dos brinquedos que são descartadas de imediato, e  por conta da mistura de tipos de plásticos e a adição de pigmentos e brilho, torna a reciclagem praticamente impossível  e o problema ainda maior.

E mais, ao considerarmos o tempo de decomposição do plástico, cerca de 500 anos, conclui-se  que todos os brinquedos de plástico fabricados até hoje continuam existindo no planeta, seja na forma de outros produtos por meio da reciclagem, ou acumulados em aterros sanitários. Sabe-se ainda que ao fragmentar-se em microplásticos, esses resíduos contaminam a água, os alimentos, e ameaçam a vida de vários seres viventes.

Outro agravante são aqueles brinquedos de origem duvidosa, de fácil aquisição e baixo custo, brinquedos contrabandeados, sem certificação do INMETRO. Há brinquedos de baixíssima qualidade que quebram facilmente e logo são descartados indo parar no lixo em curto tempo.

 

A REVOLUÇÃO DO BRINCAR SEM PLÁSTICO

Neste mês de julho está acontecendo uma campanha global denominada “Julho sem plástico”.  A campanha tem por objetivo diminuir o uso e o descarte de plástico no planeta. Esse movimento começou em 2011 com a Ong australiana Plastic Free Foundation pedindo para as pessoas, durante o mês de julho, evitarem o uso de plásticos descartáveis, de uso único ou de curto prazo. O sucesso da iniciativa ganhou adeptos por todo o mundo.

Pegando carona neste movimento, Educando Tudo Muda propõe a reflexão sobre a presença do plástico no brincar da criança, o desafio do brincar sem plástico, e sugere algumas ações para diminuir a quantidade de brinquedos plásticos visando a redução da sua produção e consumo.

 

Por que aderir ao movimento brincar sem plástico?

Além de todas as consequências do consumo desenfreado de produtos plásticos pela sociedade contemporânea, já mencionados neste artigo, é preciso entender a relação das crianças com os brinquedos. Vamos começar falando sobre o que é um bom brinquedo. 

 

Brinquedo precisa ser de plástico? É preciso brinquedo para brincar? Com quantos brinquedos se faz uma infância feliz?

 

Quanto menos estruturado e cheio de detalhes for o brinquedo, mais ele exigirá da criança e permitirá o uso da imaginação e criatividade. Quanto mais simples ele for, maior a liberdade da criança em transforma-lo em outras coisas de acordo com o enredo das suas brincadeiras.

Sob o ponto de vista da imaginação e criatividade infantil, os brinquedos industrializados feitos de materiais sintéticos, criam uma situação de passividade na criança, provocam atrofia psíquica, um certo “empreguiçamento” e empobrecimento da vida interior. Uma vez que esses brinquedos são desenvolvidos com funcionalidades específicas, entregam nas mãos da criança um produto rígido, limitando a atuação infantil, e na maioria das vezes fazendo dela mera expectadora ou executora.

Em termos de estímulos sensoriais, o plástico é um material extremamente limitado e pobre para o desenvolvimento infantil – sem cheiro; é frio e liso ao tato; é leve, possui tamanho desproporcional ao peso; de cor forte e antinatural.

Na concepção do artista plástico e teólogo Gandhy Piorski, autor do livro Brinquedos do Chão, “o plástico é um imitador de realidades que induz a criança a falsas sensações distanciando-a dos processos de aprendizagens do mundo vivo”.

 

COMO LIBERTAR AS CRIANÇAS DA INFÂNCIA PLASTIFICADA

A indústria de brinquedos despeja no mercado todos os anos o oposto ao que acontece no processo do brincar infantil. Susan Linn, psicóloga norte-americana, autora do livro  ‘Crianças do consumo: a infância roubada’, afirma que uma boa brincadeira é 90% a criança e 10% brinquedo. Os brinquedos industrializados, os brinquedos prontos, oferecidos no mercado hoje, fazem exatamente o inverso: sobrepõem-se a potência da criança e ao seu protagonismo.

Indo ainda mais fundo nesta questão, a escritora britânica Jay Griffiths, em seu livro “Kith – the riddle of the Childscape”, afirma que “as crianças que brincam apenas com brinquedos industrializados têm um oco interior que não pode ser suprimido pelo seu próprio brincar e por sua imaginação, criando uma relação de dependência da indústria do entretenimento para sua satisfação constante.”

Pesquisa inédita encomendada em 2019 pelo Programa Criança e Consumo, do Instituto Alana, e conduzida pelo Grupo de Estudos e Pesquisa em Química Verde, Sustentabilidade e Educação (GPQV), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), apresenta importantes dados que alertam sobre os brinquedos de plástico e seu impacto na saúde das crianças e do meio ambiente – “Infância Plastificada: O impacto da publicidade infantil de brinquedos plásticos na saúde de crianças e no ambiente”

Segundo dados da pesquisa, o Brasil é o 7º maior mercado de brinquedos no mundo, o que representa apenas 2,7%  da demanda global. Entretanto o Brasil tem o maior potencial de crescimento de vendas, uma vez que 20 milhões de crianças brasileiras ainda não têm acesso a brinquedos.

Diante da ganância da indústria e do comércio em relação ao potencial do mercado brasileiro, cabe a nós exigirmos a produção de produtos alinhados a responsabilidade com as questões ambientais e de sustentabilidade planetária por meio do desenvolvimento do design de brinquedos ecológicos, fabricados a partir do reaproveitamento de materiais e novas composições, como plastificantes de fontes renováveis, derivados de produtos vegetais, e biodegradáveis.

 

NATUREZA, O MAIOR E MELHOR PARQUE DE DIVERSÕES E BRINQUEDOS

 

Os ambientes naturais, ricos em áreas verdes, são fonte de um brincar criativo. Sabemos o quanto o brincar é fundamental para o desenvolvimento infantil e a saúde da criança. Entretanto é preciso ressaltar que a potência da atividade lúdica se encontra na própria criança e não apenas nos brinquedos.

É necessário oferecer a criança tempo e espaços que favoreçam o brincar. E não existe lugar mais positivo para isso do que a natureza, o melhor brinquedo. Nela encontramos os estímulos mais ricos e completos para o desenvolvimento integral da criança.

Brincar em espaços naturais coloca a criança diante do potencial lúdico da natureza e expõe os pequenos à riqueza e diversidade dos elementos naturais, descortinando infinitas possibilidades de brincadeiras e invenção dos próprios brinquedos com o que a natureza oferece – gravetos, sementes, folhas, etc.  Brincando com a natureza a criança explora um campo fértil para o exercício da criatividade. As materialidades telúricas são provocadoras, nutrem a imaginação criadora e a vida anímica da criança.

Um passeio na mata, uma caminhada no parque, praça ou jardim, num lugar bonito com pássaros, árvores, plantas, flores, terra úmida e insetos, aguça a curiosidade infantil.

Cheiros novos, sons de pássaros, do vento, das folhas secas. Formas diferentes de folhas, cores variadas de flores. Observar formigas, lagartas, minhocas, musgos, líquens, diversos seres vivos fascinantes para a natureza curiosa e exploratória da criança.

Andar na lama, na chuva. Acompanhar borboletas, subir em árvores, correr entre elas ou se esconder, colher frutos, pegar pedras. Construir brinquedos e composições artísticas com objetos da natureza, dar asas à imaginação. Tudo isso são possibilidades encantadoras dos brinquedos oferecidos pela terra. De forma que ao término da brincadeira, em uma autêntica logística reversa, tudo pode retornar para a natureza decompondo se, e gerando mais vida.

Podemos fazer escolhas simples em prol da saúde da criança, mas para isso é necessário atitudes firmes frente aos apelos de consumo da publicidade das empresas fabricantes de brinquedos. Se estivermos convictos dos efeitos negativos deste excesso de plástico na vida da criança e das consequências para o meio ambiente, tenho certeza que será mais fácil dizer “não” para o próximo brinquedo de plástico.

A saúde da criança e do meio ambiente dependem da nossa reconexão com a natureza em todos os âmbitos da vida e da ética do cuidado a todos os seres viventes.

 

COMO MUDAR HÁBITOS?

A mudança começa com pequenas atitudes e cada um de nós pode fazer a diferença.  A conscientização sobre nossos atos e hábitos é o primeiro passo. Comece analisando a quantidade de brinquedos de plástico que você tem em casa. Essa análise também é válida para as escolas, principalmente as escolas de Educação Infantil.

Algumas atitudes podem contribuir para as mudanças que queremos ver no mundo:  o incentivo ao brincar livre na natureza, a aquisição de brinquedos feitos de outros materiais, a redução do consumismo de brinquedos plásticos, o aumento da vida útil dos brinquedos de plástico que as crianças já possuem por meio do  incentivo a práticas de trocas, empréstimos  e doação de brinquedos, a adoção de  brinquedos coletivos,  entre outras sugestões.

 

A REVOLUÇÃO DO BRINCAR SEM PLÁSTICO EM 12 PASSOS

1.Promova o brincar livre na natureza – no quintal de casa, jardim, praças ou parques públicos

2.Incentive as crianças na criação de seus próprios brinquedos, como faziam nossos antepassados, utilizando elementos naturais: gravetos, sementes, folhas, pedras. Vale também papelões, rolhas, tecidos, revistas e jornais, reutilize esses materiais

3.Opte por outros materiais ao adquirir brinquedos novos para as crianças, como os brinquedos artesanais, educativos,  – brinquedos de madeira de reflorestamento, de feltros, bonecas de pano, etc

4.Reduza os brinquedos plásticos deixando disponíveis apenas aqueles com os quais a criança brinca com maior frequência, os seus favoritos

5.Dê um novo destino aos brinquedos mais velhos ou aqueles com os quais a criança não brinca mais, doando-os para instituições. Isso prolongará a vida útil do brinquedo, evitando o descarte

6.Faça os brinquedos circularem entre as crianças organizando feiras de trocas

7.Incentive o empréstimo de brinquedos entre amigos da escola, vizinhança e familiares

8.Adote a prática do brinquedo coletivo entre irmãos e primos, valorizando o acesso em detrimento da posse

9.Leve os brinquedos quebrados aos hospitais de brinquedos para serem recuperados

10.Descarte adequadamente os brinquedos que não têm mais conserto e/ou cobre dos fabricantes a logística reversa

11.Comunique sua família e amigos sobre a sua decisão de reduzir o uso de brinquedos de plástico para obter apoio.

12.Compartilhe fotos, vídeos e dicas de brinquedos feitos de outros materiais em suas redes sociais usando #brincarsemplastico para atrair mais adeptos.

 

Este é sem dúvida um grande desafio para as famílias e para as escolas. Sabemos que não eliminaremos o plástico de nossas vidas totalmente, mas podemos refletir sobre seu uso, nossas escolhas e o consumo de maneira ética.

Precisamos nos unir por um mundo com menos lixo, por infâncias desplastificadas  e crianças com mais saúde. Adote o #brincarsemplastico em sua casa e em sua escola.

CONVITE ESPECIAL: Cadastre-se para receber nossa newsletter e baixar gratuitamente o e-book  ‘Brincando com os 4 elementos da natureza’. Conheça as demais publicações ‘A Turma da Floresta uma brincadeira puxa outra’ e ‘Livro do Educador brincando com a natureza’.  Acompanhe o Educando Tudo Muda pelo Instagram @educandotudomuda

Abraço afetuoso e saúde

Ana Lúcia Machado

MAIS NATUREZA NO COTIDIANO DA CRIANÇA

É possível colocar mais natureza no cotidiano da criança mesmo morando nos centros urbanos. Muitas vezes basta abrir a janela e aguçar a percepção para descobrir um mundo real que exala aromas, floresce, frutifica, emite sons nativos, e possui sabores variados.

A natureza em si potencializa o desenvolvimento da criança nos âmbitos biopsicossociais e espirituais. Na natureza encontramos os estímulos mais ricos e completos necessários para o desenvolvimento integral e saudável dos pequenos.

Entretanto somos cada vez mais atraídos pelo mundo criado pelo homem  e sofremos as consequências do afastamento  da natureza. Com rotinas cada vez mais desnaturalizadas, pelo predomínio da alta tecnologia, das máquinas que fazem tudo e entregam tudo pronto para nós, é preciso equilibrar a balança entre o virtual e o real, levando mais natureza no cotidiano da criança, conectando-a a vida.

 

Como colocar mais natureza no cotidiano da criança?

Veja algumas sugestões:

 

Mãos na terra

As plantas dentro de casa enchem os ambientes de cores, aromas, oxigênio e nos aproximam dos ciclos das estações do ano. Plante com a criança grãos de feijão para que possa acompanhar seu processo de germinação e crescimento a cada dia. Cultive também ervas aromáticas e medicinais, para uso na culinária e para algum mal estar eventual de um membro da família. Atribua à criança a responsabilidade de regar os vasos de plantas dentro e fora de casa.

 

 

Pés na terra

Deixe a criança de pés descalços em contato direto com a energia da terra, exposta a diferentes texturas: areia, grama, folhas secas, pedrinhas, lama. Segundo a medicina chinesa, na sola dos pés estão localizados pontos que correspondem aos órgãos vitais e regiões de todo corpo, que são massageados de forma natural ao tocarem o solo, resultando em bem estar e saúde.

 

O céu diurno

Observe a movimentação das nuvens. A cada minuto uma nova forma se configura no céu. Nuvens formam animais, objetos, paisagens, etc., que rapidamente vão se  transformando em diferentes coisas. A mesma brincadeira, de encontrar coisas, pode ser feita olhando entre os vãos da vegetação das copas das árvores. O vento vai deslocando a folhagem dos entroncamentos criando assim desenhos diferentes.

 

O céu noturno

Acompanhe o ciclo lunar. Se encante com o brilho e luminosidade da lua cheia. Com um binóculo observe também as estrelas.

 

mais naturezaBichos de jardim

Por menor que possa ser o seu quintal, nele a criança pode encontrar minhocas, formigas, borboletas, besouros, passarinhos, e aprender muito com a natureza.

 

 

Fenômenos naturais

Contemple o pôr do sol, a chuva que cai lá fora. Deixe a criança tomar um banho de chuva. Observe o vento arrastando as folhas e agitando os galhos das árvores. Tudo isso coloca a criança em contato com a energia da natureza.

 

O potencial lúdico da cozinha

Chame a criança para ajudar  a descascar e lavar legumes e frutas; amassar e misturar, sentindo o delicioso aroma dos temperos enquanto a comida está no fogo. A cozinha é lugar de memórias afetivas e  de riqueza de estímulos sensoriais  –  formas e texturas, cores dos alimentos,  aromas e sabores. As sobras de cascas, as sementes e folhas, podem ser aproveitadas para brincadeiras de comidinhas e até mesmo confecção de brinquedos. Não despreze esses materiais orgânicos, são matérias primas para a imaginação e criatividade nas mãos da criança.

 

Animais de estimação

Atribua à criança os cuidados dos animais domésticos. Isso contribui para o aumento da sua autoestima, para sua capacidade de empatia e habilidades sociais.

 

mais naturezaBanho de sol

Garanta uns 20 minutinhos de banho de sol todos os dias. As crianças precisam de sol. A exposição aos raios solares traz inúmeros benefícios para a saúde.

 

 

Livros e histórias sobre a natureza

Ao ir para a cama, aproveite para contar histórias sobre animais, plantas, lugares de natureza exuberante, e sobre aventuras na natureza. Há muitos livros sobre o mundo natural  que despertam o interesse da criança pelos animais e pelas plantas, aproximando a criança da natureza.

 

O norte-americano Richard Louv, jornalista e ativista pela infância,  em seu livro A última criança da natureza diz que

“um círculo cada vez maior de pesquisadores acredita que a perda do habitat natural, ou a desconexão com a natureza, mesmo quando ela está disponível, tem implicações enormes para a saúde humana e o desenvolvimento infantil. Eles dizem que a qualidade dessa exposição afeta nossa saúde em um nível celular”.

O documentário O Começo da Vida 2: Lá Fora aponta as consequências da falta de natureza no cotidiano das crianças e adolescentes. O filme é um alerta sobre a urgência de transformação das cidades e escolas em espaços mais verdes e amigáveis à infância. O documentário pode ser visto na Netflix e nas principais plataformas digitais – Videocamp, iTunes, Google Play, Youtube, , Net Now e Vivo Play. Assista o trailer oficial do filme AQUI

Vamos então nos mobilizar no desafio de colocar mais natureza no cotidiano da criança?

Abraço caloroso

Ana Lúcia

 

 

Educação ambiental – quando e como começar

Educação ambiental, quando e como começar

Precisamos refletir à cerca do impacto que nós, seres humanos, causamos neste organismo vivo que é a Terra, repensado nossa maneira de ser e estar no mundo.

Estamos diante do esgotamento do planeta devido a exploração de seus recursos naturais por meio de demandas cada vez maiores de bens de consumo, excesso de produção de resíduos, poluição do ar, dos rios, mares e envenenamento do solo.

educação ambientalVivemos uma crise civilizacional generalizada e sem precedentes. O que acontecerá à Terra se continuarmos consumindo e explorando seus recursos? Essa não é a pergunta correta. Devemos sim perguntar: o que acontecerá ao ser humano?

Essa resposta já foi dada em 1854 pelo cacique Noah Sealth da tribo Duwanaish quando dirigiu-se ao então presidente dos EUA Franklin Pierce que insistia em querer comprar as terras de seu povo indígena, dizendo:

 

“O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um dos fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo.”

 

O chefe Sealth num documento legendário disse mais:

“Esta terra é sagrada para nós. Essa água brilhante que escorre nos riachos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a terra, vocês devem lembrar-se de que ela é sagrada, e devem ensinar as suas crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo…”

 

Na ‘Conferência Mundial sobre a Educação para o Desenvolvimento Sustentável’ que aconteceu online em maio, a UNESCO, depois de ter analisado os currículos de educação de 50 países, apelou a todos os participantes que coloquem a Educação Ambiental no centro dos currículos escolares até 2025, uma vez que os atuais currículos não abordam a mudança climática, e apenas 19% deles tratam sobre biodiversidade.

O estudo da UNESCO, Aprender pelo nosso planeta, mostrou que a educação tradicional não tem preparado os alunos para  atuarem em um mundo onde as mudanças climáticas e a perda de biodiversidade se apresentam como uma das maiores ameaças à vida humana.

A diretora geral da Unesco, Aidrey Azoulay  afirmou que  “A educação deve preparar os alunos para compreenderem a atual crise ambiental […]. Para salvar o planeta, devemos transformar a nossa forma de viver, produzir, consumir e interagir com a natureza.”

Educação ambiental, quando e como começar

educação ambientalA verdadeira educação ambiental se dá por meio do experienciar. Acontece quando oportunizamos às crianças interações diretas com a natureza.

Falar sobre a preservação do meio ambiente entre quatro paredes, dentro da sala de aula, não despertará o interesse das crianças pelo mundo natural.

Nas palavras do poeta e romancista indiano Rabindranath Tagore, em seu livro Meditações, ele diz:

 

“roubamos da criança esta terra, que é dela, para lhe ensinar geografia; roubamos sua linguagem, para lhe ensinar gramática. Ela tem fome do épico, e não lhe damos mais que crônicas de acontecimentos e datas…Todos nós sabemos que as crianças amam a terra; seu corpo e sua mente estão, como as flores, sedentos de luz, de sol, de ar. Elas jamais se sentem inclinadas a deixar de ouvir os constantes convites que o universo faz a seus sentidos para que se estabeleça uma comunicação direta entre eles.”

 

A este sentimento das crianças de afinidade inata com a natureza, chamamos biolifia.

A infância é o período mais importante para o trabalho educativo de base.  A educação ambiental deve iniciar nesta etapa da vida por meio de experiências vivas e reais em ambientes ricos em áreas verdes. Daí advém a atitude ética do cuidado com o meio ambiente.

educação ambientalO cuidado está na essência do humano. Ele é a base possibilitadora da existência humana enquanto humana, como afirma Leonardo Boff. Se negligenciarmos essa base, caminharemos para nossa própria extinção. Precisamos resgatar essa essência. Boff atribui a falta de cuidado à desconexão com o TODO, ao desconhecimento de que todas as coisas estão ligadas umas às outras.

No final da década de 70, um professor da Universidade Estadual de Iowa, Thomas Tanner, investigou a vida de ambientalistas na tentativa de identificar o que os havia atraído para o ativismo ambiental, e descobriu que a influência mais significativa foi a experiência vivida na natureza, em zonas rurais ou lugares de natureza selvagem.

Em 2006, Nancy Wells e Kristi S. Lekies, pesquisadoras da Universidade de Cornell, desenvolveram estudos para investigar a influência da infância na formação de ambientalistas. Cerca de duas mil pessoas com idades entre 18 e 90 anos foram entrevistadas com o intuito de averiguar a possível relação entre o grau de exposição da criança à natureza e o nível de consciência ambiental na idade adulta.

A preocupação dos adultos pelo meio ambiente e o comportamento que isto gera, tem relação direta com a participação em atividades na natureza selvagem nos primeiros anos de vida. O estudou sugeriu ainda que o brincar livre na natureza é muito mais efetivo do que atividades comandadas por adultos.

Uma década depois, a pesquisadora Catherine Broom da Universidade de British Columbia concluiu em seus estudos que, quanto mais uma criança cresce em contato com áreas verdes, maior a sua chance de apreciar e cuidar do meio ambiente na fase adulta. Oitenta e sete por cento das pessoas participantes da pesquisa que tiveram oportunidades de brincar ao ar livre em contato com o mundo vivo, durante a infância, ainda mantinham o afeto pela natureza quando adultos, e oitenta e quatro por cento desses jovens disseram que cuidar do meio ambiente é uma prioridade para eles.

Diante de tudo isso, se quisermos garantir uma nova geração de cuidadores do meio ambiente, precisaremos resgatar os vínculos das crianças com a natureza e investir na formação de um reservatório de experiências vivas e reais nos primeiros anos de vida, estimulando a apreciação e o respeito pela natureza e por todos os seres vivos.

Apreço pela naturezaA literatura infantil também tem se ocupado com a questão do meio ambiente. Os livros podem despertar o apreço pela natureza. Uma boa história de aventura em ambientes naturais pode influenciar de maneira positiva as crianças e incentivar o interesse pelo mundo vivo.

O clássico  O menino do dedo verde de Maurice Druon, publicado originalmente em 1957, considerada uma obra inovadora por ser a primeira a tratar de ecologia, é um bom exemplo de uma história inspiradora que desperta o olhar para a natureza. Druon apresenta um menino que rompe os muros da escola para conhecer o mundo na prática, aprender com a vida real – a melhor escola.

Já o livro ‘O quintal da minha casa’, recém lançado pela Editora Companhia das Letrinhas, fala sobre seres vivos e imaginários que habitam nosso quintal – muitas plantas e bichos. Nele tem céu estrelado, sol, chuva e muitas pessoas diferentes. Acontece que andaram mexendo no nosso quintal e tudo passou a desandar- o que deveria ser preservado, começou a ser destruído. Essa obra convida a refletir sobre o meio ambiente e como estamos cuidando de nosso planeta

Pouco podemos esperar de um adulto que não teve contato com a natureza na infância em termos de consciência de preservação ambiental. Atitude pró-ambiental na fase adulta resultará de crianças que criaram vínculos de afeto com a natureza pois cuidamos daquilo que amamos, e amamos aquilo que conhecemos.

‘Dê às crianças a chance de amar a Terra antes de pedir que elas a salvem’, é o que diz sabiamente David Sobel, professor norte americano da Universidade de New England.

Abraço carinhoso e saúde

Ana Lúcia Machado

Biblioteca Verde para Educadores

Biblioteca Verde é uma curadoria focada no tema criança e natureza. Nela você encontra uma seleção de livros  fundamentais para o aprofundamento dos  seguintes temas: aprendizagens ao ar livre, educação ambiental na infância, a relação criança e natureza, brinquedos e brincadeiras na e com a natureza.

São publicações indispensáveis para a trajetória de pesquisadores e formadores das infâncias. Essas indicações têm o objetivo de estimular as investigações sobre as interações das crianças com a natureza e retroalimentar  conhecimentos e práticas educativas que promovam o desenvolvimento infantil integral.

Trata-se de publicações importantes para todo Educador ter à mão para estudos  e consultas visando a saúde da infância e do planeta.

BIBLIOTECA VERDE PARA EDUCADORES

EDUCAÇÃO VERDE, CRIANÇAS SAUDÁVEIS

Os meninos e meninas de hoje passam a maior parte do tempo em espaços fechados, sentados, assistindo à TV. Eles vivem constantemente debaixo de uma supervisão adulta obcecada por segurança e quase já não têm momentos de brincadeiras descontraídas ao ar livre. As crianças precisam da natureza. Elas se sentem espontaneamente atraídas por ambientes naturais e, quando estão em contato com eles, desenvolvem-se de uma forma mais saudável em todos os níveis: físico, emocional, mental, social e espiritual. Passar algum tempo ao ar livre, em uma interação direta com a vida, é um direito fundamental da infância que deveria ser reconhecido na nossa sociedade. Este livro foi escrito para todas as pessoas, pais e educadores, dispostas a se empenhar para atingir esse ideal.

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A ÚLTIMA CRIANÇA NA NATUREZA

Este livro apresenta uma abrangente síntese de pesquisas e também de histórias de todo o mundo que relacionam a presença da natureza na vida das crianças com seu bem-estar físico, emocional, social e acadêmico. Richard Louv cunhou pela primeira vez o termo Transtorno do Deficit de Natureza e despertou, assim, o interesse da comunidade internacional para um tema bastante atual: o impacto negativo da falta da natureza na vida das crianças, especialmente as que vivem em contextos urbanos.

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CRIANÇAS E NATUREZA – RECONECTAR É PRECISO

O livro é um alerta para as graves consequências físicas e psíquicas de um cotidiano infantil sedentário e conectado a dispositivos eletrônicos. A obra reuni os principais resultados de pesquisas sobre o tema nacional e internacional. A conclusão a que se chega é que a reconexão entre crianças e natureza é urgente, sob o risco de aumento de distúrbios físicos e emocionais causados pela privação de interações com os ambientes naturais, seus seres e processos. Outro efeito nefasto do afastamento entre crianças e natureza é o desinteresse das pessoas pelo mundo natural que, sem conhecê-lo, não se empenham em sua proteção, agravando, deste modo, os problemas ambientais contemporâneos. Apesar deste alerta, as pesquisas cientificas deixam claro que nem tudo está perdido e que ainda há tempo para reversão da situação, basta que devolvamos às crianças o seu direito de contato com a natureza da qual todos nós fazemos parte.

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ALFABETIZAÇÃO ECOLÓGICA

O livro reúne teoria e prática com base no que existe de mais avançado em termos de pensamento sistêmico, ecologia e educação. Pais e educadores de todas as partes do mundo interessados no desenvolvimento de novas formas de ensino e na ampliação dos conhecimentos ecológicos das crianças vão encontrar neste livro uma fonte inestimável de idéias. Reorientar o modo como os seres humanos vivem e educar as crianças para que atinjam seus potenciais mais elevados são tarefas com aspectos bem semelhantes. Ambas têm de ser vistas e abordadas no contexto dos sistemas: familiar, geográfico, ecológico e político. Nosso empenho para criar comunidades sustentáveis será em vão caso as futuras gerações não aprendam a estabelecer uma parceria com os sistemas naturais, em benefício de ambas as partes. Em outras palavras, elas terão de ser “ecologicamente alfabetizadas”.

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A NATUREZA COMO EDUCADORA

Sair da sala de aula com os estudantes é um desafio e uma grande oportunidade para o educador que deseja ajudá-los não só a compreender o mundo em que vivem e a conectar os conhecimentos que via de regra recebem compartimentados, como também a ajudá-los a se perceberem como participantes ativos dele. Acreditamos que para compreender a complexidade do mundo é necessário compreender os diferentes níveis que o compõe e explorar formas de pensar que os inclua. A educação hoje precisa preocupar-se muito mais com a contextualização de seus ensinamentos do que com oferecer informações cada vez mais abstratas. A experiência de dar aulas fora da sala de
aula é uma oportunidade extremamente rica para despertar o interesse pelo mundo, para despertar o entusiasmo nas mentes mais adormecidas, e para promover o desenvolvimento pleno do potencial humano.

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EDUCAÇÃO INFANTIL COMO DIREITO E ALEGRIA

Nas escolas, as crianças permanecem horas em espaços fechados, aprendendo a obedecer, apropriando-se de conteúdos muitas vezes distantes de seus interesses. O trabalho de Lea Tiriba aponta caminhos para uma educação comprometida com a saúde das crianças e do planeta, buscando concepções e práticas que religuem os seres humanos à natureza e digam não ao consumismo e ao desperdício. Com base em extensa pesquisa de campo e bibliográfica, a autora sugere o respeito às vontades do corpo. Desencoraja o “emparedamento” das crianças e propõe um aprendizado que reorganiza a relação entre educadores e educandos, questionando a centralidade das professoras no processo pedagógico e propiciando o surgimento de relações horizontais.

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Top 10 da educação ao ar livreDEDO VERDE NA ESCOLA

Cultivando a alfabetização ecológica na educação infantil, remonta um processo educativo envolvendo alunos, professores e comunidade na transformação do currículo e das metodologias de duas escolas de educação infantil da rede de ensino municipal de São Paulo, ligadas ao respeito e ao cuidado da comunidade de vida, da integridade ecológica, por meio da democracia e da cultura de paz. Com metodologias inovadoras que valorizam as relações entre as pessoas e a natureza, a descoberta dos detalhes da vida e o mergulhar no conhecimento. Esta publicação é dedicada a todos os professores e educadores interessados em promover a cultura da sustentabilidade em suas escolas, potencializando a construção de valores, para quem sabe um dia tornarmo-nos uma sociedade sustentável.

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A CRIANÇA E A NATUREZA – EXPERIÊNCIAS EDUCATIVAS NAS ÁREAS VERDES COMO CAMINHOS HUMANIZADORES

O contato direto com o mundo natural é um dos direitos imprescindíveis das crianças e uma condição essencial para o crescimento saudável delas. Somos constituídos de natureza e de cultura; a Natureza, nossa origem, nos fala e ensina. O vínculo espontâneo com o mundo natural é uma das características das crianças. As áreas verdes são campos férteis para elas vivenciarem a alegria, o bem-estar, para descobrirem sobre si mesmas, sobre a convivência com os outros e para investigarem sobre as coisas que as rodeiam. Nesses ambientes a inventividade e a criatividade das crianças se expandem, a percepção e sensibilidade se ampliam pela riqueza de experiências sensoriais que a Natureza propicia. O corpo exercita a liberdade de brincar e se movimentar segundo suas vontades, e as crianças podem aprender modos interativos que se contrapõem aos padrões de brincar impostos pela mídia.

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CRIANÇA E A EXPERIÊNCIA AFETIVA COM A NATUREZA

Esta obra é a possibilidade para um caminho de mudanças, de quebra de paradigma na forma e no modo de conceber as práticas pedagógicas na educação infantil, na relação da criança com a natureza. A autora convida o leitor, por meio de suas anamneses infantis, a (re) visitar a infância, a traçar percursos que nos levam a amar e desejar, estar e cuidar da Natureza. Esta é uma obra inovadora, uma contribuição teórica concisa aos profissionais que atuam na educação infantil e aos familiares da sociedade contemporânea. Um pensamento lúcido, humanizado e consciente de seu papel na constituição das milhões de crianças cidadãs que são atendidas nas instituições de educação infantil no momento da escrita desta obra. A qualidade do trabalho faz do livro uma referência de leitura, que será de grande utilidade na educação institucional e familiar das crianças. E, acima de tudo, satisfaz um anseio de leitores sedentos por textos afetivos sobre a relação da criança com a natureza.

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O PRINCÍPIO DA NATUREZA

O autor explica por que chegou o momento de repensarmos o futuro, rejeitarmos as perspectivas de apocalipse ambiental e social e, ao contrário, tirarmos o máximo proveito dos poderes revitalizantes do mundo natural. O livro apresenta pesquisas recentes e muitas histórias reais que comprovam como a natureza gera saúde e bem-estar, estimula a criatividade, fortalece os vínculos afetivos entre as pessoas e ainda ajuda a criar alternativas para economias sustentáveis. O Princípio da Natureza  nos desafia a repensar o modo como vivemos atualmente.

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Turma da Floresta Livro do Educador

LIVRO DO EDUCADOR BRINCANDO COM A NATUREZA DA TURMA DA FLORESTA

Este livro é um convite à  prática de um brincar vivo e ecológico no dia a dia com as crianças; um convite à defesa do exercício imaginativo , da saúde da infância e do planeta. Brincar em espaços naturais nos coloca diante da vocação lúdica da natureza e  expõe a criança à riqueza e diversidade dos elementos naturais, abrindo um leque de possibilidades de brincadeiras e invenção dos próprios brinquedos pela criança, tendo a natureza como matéria-prima.

O livro incentiva o brincar em contato com a natureza  inspirado na história da Turma da Floresta – uma brincadeira puxa outra,  primeira obra infantil publicada pela autora,  especializada na primeira infância, e que agora, no Livro do Educador, ensina a fazer brinquedos com elementos da natureza, além de divertidas brincadeiras que nutrem a imaginação da criança e estimulam a criatividade. Disponível na loja do Educando Tudo Muda Livro como livro físico, e pela

Versão digital  e-book

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BRINQUEDOS DO CHÃO

Este livro explora a imaginação do brincar e sua intimidade com os quatro elementos da natureza: terra, fogo, água e ar, e revela a voz livre e fluente da criança em sua trajetória de moldar a si própria, tão esquecida nos estudos sobre a infância. Assim como o brinquedo, interessam ao autor, artista plástico, teólogo, pesquisador da infância e do imaginário, a brincadeira e seu universo simbólico; a experiência da criança quando, em comunhão com a natureza e em sua vivência transcendente, brinca e significa o mundo. Fala sobre os brinquedos da terra, que caracterizam, na produção material, gestual e narrativa da infância, a investigação da matéria e as operações da imaginação no forjar a elaboração e o enraizamento dos papéis sociais na casa, na família e no mundo.

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VIVÊNCIAS NA NATUREZA – VOLUME 1

Este livro apresenta um conjunto precioso de jogos e brincadeiras que convidam os participantes, não só a se divertir nos espaços naturais, mas a construir uma verdadeira amizade com a terra, as rochas, as plantas e os animais com os quais compartilhamos o Planeta. Importantes conceitos ecológicos são abordados dentro de um contexto facilmente vivenciado e compreendido pela criança. Os jogos e brincadeiras apresentados são universais e têm sido difundidos em todo o mundo com grande sucesso. As atividades são organizadas de acordo com a habilidade a ser desenvolvida: apreciação estética, assimilação de novos fatos, concentração, empatia, superação de medos, imaginação, memória, interação com a natureza, trabalho em grupo, confiança, desfrute do silêncio e da solidão.

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VIVÊNCIAS NA NATUREZA – VOLUME 2

Aqui o autor  apresenta e explica a metodologia do Aprendizado Seqüencial.O emprego dessa metodologia potencializa o trabalho do educador: as atividades deixam de ter um fim em si mesmas para compor um processo por meio do qual o aprofundamento da percepção, que requer o aquietar da mente e a abertura para a afetividade, é conseguido – proporcionando experiências fascinantes com a Natureza, tanto para os participantes como para os professores. Este método tem sido empregado com enorme sucesso tanto por professores com seus alunos, como em programas de formação de professores, em que o desenvolvimento pessoal é aliado à aquisição de ferramentas pedagógicas modernas.

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VIDA SECRETA DAS ÁRVORES

As árvores são seres vivos, e como diz Peter Wohlleben neste fascinante livro, também são seres sociais. O livro mostra que nós e as árvores temos muito em comum – as árvores se comunicam, mantêm relacionamentos, formam famílias, cuidam dos filhos e dos doentes, têm memória, defendem-se de agressores, e muito mais.

O autor, engenheiro florestal alemão, alia seus 20 anos de experiência às últimas descobertas científicas para examinar o dia a dia desses seres fantásticos. Com um ponto de vista surpreendente e inovador, o livro se tornou um fenômeno na Alemanha, entrou para a lista de mais vendidos do The New York Times e teve seus direitos negociados para 18 países. Essa viagem fascinante pela vida das árvores e florestas é um convite a repensarmos nossa relação com a natureza.

Depois de ler este livro você nunca mais olhará para as árvores da mesma maneira, até sentirá o desejo de abracá-las!

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Biblioteca verdeCOZINHANDO NO QUINTAL

A pesquisadora de brincadeiras de crianças de norte à sul do Brasil, Renata Meirelles,  mostra neste livro,  como as crianças utilizam os elementos da natureza  na  brincadeira de fazer comidinha. Com fotos e receitas feitas com flores caídas no chão, grama picada e sal de fim de churrasco, entre muitos outros ingredientes, o livro mostra a potência do brincar na natureza.

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MEDITAÇÕES

Em uma sociedade fortemente dominada pela tecnologia e pela ciência, o ser humano está perdendo o contato com a sua dimensão mais íntima e pessoal. Tagore, conhecendo profundamente o pensamento nativo da Índia e do Ocidente, apresenta uma possibilidade de redescobrir o que foi perdido, inspirando gerações ao fornecer uma ponte para essa descoberta da interioridade e da dimensão pessoal da vida, e dos novos sentidos que revelam o valor e a alegria de viver. Os ensaios desta obra, com toda a poesia de Tagore, são dedicados à arte, à educação, à busca da verdade, à meditação e à possibilidade de renascimento.

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O professor norte-americano David Sobel*, nos adverti de maneira sábia dizendo que “antes de pedirmos as crianças que salvem o planeta, precisamos oferecer à elas a oportunidade de amar a Terra”, e só amamos aquilo que conhecemos. Portanto, é trabalho do ensino básico promover interações diretas das crianças com o mundo vivo.

Abraço carinhoso

Ana Lúcia Machado

*David Sobel, professor emérito do Departamento de Educação do Antioch University New England

JOGOS EM FAMÍLIA – lista de jogos divertidos

Jogos em família

Os jogos em família são uma maneira divertida de passar momentos juntos de um jeito descontraído, dinâmico e salutar. Eles entretêm, divertem a todos e além disso auxiliam no desenvolvimento infantil. É um jeito dos pequenos aprenderem brincando, pois os jogos trabalham a concentração, o raciocínio lógico, a criatividade e interação social das crianças.

É preciso lembrar que somos seres lúdicos, o que significa que brincar está na essência do humano e deve fazer parte da vida ao longo de toda a existência. Brincar é um impulso da criança, como uma força da natureza. Brincando a criança se desenvolve de forma integral, conhece sobre si, o outro e o mundo.

Em tempos de isolamento social, por conta da pandemia da COVID-19, estimular o convívio familiar e fortalecer os vínculos afetivos, é sem dúvida algo de extrema importância. Nutrir a alegria de estar juntos promove a saúde mental e bem estar e os jogos em família podem ajudar bastante neste momento.

JOGOS EM FAMÍLIA – lista de jogos divertidos

Jogos em familiaTire do armário todos os jogos – os tradicionais de tabuleiros: damas, ludo, trilha. Vale também os Jogos da memória, batalha naval, etc. Aqui fica a dica de alguns jogos divertidos testado e aprovado por diversas famílias.

Confira:

 

 

RUMMIKUB

Jogos em família Um jogo antigo, que surgiu na década de 30. Jogam de 2 a 4 pessoas. O objetivo é ser o primeiro a baixar todas as pedras do suporte. Joga-se formando sequências numéricas de acordo com as regras. No Youtube você encontra muitos vídeos que ensinam a jogar.

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CARA A CARA

Jogos em famíliaJoga-se apenas duas pessoas por vez, porém é possível organizar um campeonato para que toda a família participe. O objetivo do jogo é descobrir quem é a cara do outro jogador. É preciso usar o raciocínio para fazer perguntas inteligentes, uma vez que só é possível responder as perguntas com “Sim” ou “Não”. É preciso ficar atento às respostas para acertar a cara que o oponente tem no suporte. As crianças a partir de 6 anos gostam bastante desse jogo.

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UNO

Jogos em famíliaPodem jogar de 2 a 10 participantes. Cada um recebe 7 cartas, que são descartadas de acordo com a cor que está no monte das que sobraram. O objetivo é zerar as cartas na mão.

O detalhe é que o baralho pode ditar ações específicas, seja para fazer o próximo jogador receber mais cartas, inverter a ordem das jogadas ou mesmo pular a vez de quem jogaria a seguir, tudo para atrapalhar os demais de chegarem ao objetivo final. É um jogo portátil bem divertido e estimula o pensamento estratégico na hora de jogar as cartas! Os adolescentes apreciam muito este jogo.

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ACADEMIA

Jogos em famíliaAcademia é um jogo que desenvolve a criatividade. Um exercício para você e seus amigos demonstrarem sua habilidade de blefar para convencer seus adversários de que sua resposta é a correta! O importante não é saber o significado correto das palavras, mas sim ter criatividade para confundir os outros jogadores e ganhar muitos pontos.

Joga-se de 2 a 6 participantes. Indicado para crianças a partir de 10 anos

SAIBA MAIS

 

JENGA

Jogos em famíliaUma vez que a torre tenha sido construída, o construtor deve iniciar o jogo. Uma jogada consiste em retirar um e apenas um bloco de qualquer andar que não esteja logo abaixo do andar incompleto mais alto. O bloco retirado deve ser posto no topo da torre, de modo que os blocos formem novos andares. Indicado a partir de 4 anos

SAIBA MAIS

 

Agora, com a proximidade do inverno, é gostoso programar a hora dos jogos em família para aquecer! Bom divertimento!

Abraço caloroso

Ana Lúcia Machado

 

Brincar na natureza – brincadeiras de criança

Brincar na natureza

Brincar na natureza como potência de vida

Talvez você não saiba, mas o melhor brinquedo do mundo para as crianças é a própria natureza – brinquedo bom, bonito, barato e ao alcance de todos. Além do mais, brincar na natureza é essencial para a saúde e o desenvolvimento integral da criança.

Mas parece que estamos esquecidos do quão relaxados ficamos quando colocamos os pés na terra, tomamos sol, sentimos o vento no rosto ouvindo o canto dos pássaros e o farfalhar das folhas secas enquanto caminhamos.

Nos encontramos tão afastados do contato com o mundo natural que brincar na natureza virou até recomendação médica. Hoje pediatras receitam natureza para seus pequenos pacientes – doses diárias de exposição a ambientes naturais, passeios em parques e praças, banho de sol e brincadeiras ao ar livre.

devolvam o tempo de brincar na educação infantilEstá comprovado que crianças que brincam na natureza têm menos riscos de sofrer de ansiedade, depressão, problemas cardiovasculares e respiratórios, obesidade, diagnósticos de TDAH, dislexia, entre outros.

Atividades corporais livres e espontâneas como correr, pular, saltar, rolar, escorregar, girar, subir e descer morros, trepar em árvores, etc, são essenciais nos primeiros anos de vida que correspondem ao desenvolvimento do sistema sensório-motor.

Brincar é um impulso da criança, como uma força da natureza. Brincando a criança se desenvolve de forma integral, conhece sobre si, o outro e o mundo.

” Brincar é a maneira pela qual as crianças adquirem estrutura física, emocional, intelectual e social. Ao brincar é possível praticar as habilidades que serão necessárias para a vida adulta” – Peter Gray 

O QUE POTENCIALIZA O BRINCAR?

  • Brincar livre – não direcionado por adultos
  • Brincar na natureza – parque, praça, jardim
  • Brincar com elementos naturais – gravetos, folhas, sementes, pedras, etc

A qualidade do brincar na natureza é carregada de significado e incomparável, pois a energia viva advinda do mundo natural impregna a organização corpórea da criança gerando saúde e bem estar.

Brincar substrato para a vidaEm contato com o mundo natural as crianças brincam ao mesmo tempo que aprendem sobre ciclos de vida e morte, fluxos vivos, ritmos e processos dinâmicos, e sobretudo criam vínculo afetivo com a mãe Terra, tornando-se cuidadores do meio ambiente.

Richard Louv, uma das maiores autoridades mundiais no tema criança e natureza, autor do livro ‘A última criança na natureza’, afirma que se quisermos promover a saúde e bem estar da nossa espécie precisaremos equilibrar a balança entre o tempo que passamos em ambientes fechados, de frente para as telas, e o tempo que dedicamos a atividades ao ar livre, em contato direto com a natureza.

Louv, cunhou o termo ‘transtorno de déficit de natureza’ para ALERTAR sobre o estilo de vida contemporâneo que está levando as crianças a crescer distantes do meio ambiente e de seus processos de vida, gerando vários problemas físicos e mentais.

 

BRINCADEIRA DE CRIANÇA

Uma das brincadeiras de criança mais gostosas é a de fazer comidinhas com elementos naturais – flores, folhas, sementes, misturado com terra e um pouquinho de água.

Saia com elas à procura dos ingredientes num passeio descontraído pelo parque ou praça recolhendo folhas, flores, sementes, soltas pelo chão. Tenha à mão alguns potes e deixe as crianças livres para fazer bolos, tortas e muitas comidinhas saborosas!

Esta brincadeira, que faz parte da cultura da infância, foi registrada pela educadora e roteirista Renata Meirelles. Ela rodou o Brasil pesquisando as brincadeiras das nossas crianças que resultou num lindo livro – ‘Cozinhando no quintal’.

Biblioteca verdeO livro revela a potência do brincar na natureza e como as crianças utilizam os elementos naturais na brincadeira de fazer comidinha – com fotos e receitas feitas com flores caídas no chão, grama picada e sal de fim de churrasco, entre muitos outros ingredientes.

Desejo muitas brincadeiras divertidas para vocês!

 

Abraço e saúde

Ana Lúcia Machado