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EDUCANDO TUDO MUDA ESTÁ EM FESTA – 3º aniversário

A Turma da Floresta - uma brincadeira puxa outra

Educando Tudo Muda está em festa

Está completando 3 anos. Desde a primavera de 2016 desenvolvo este trabalho pela conscientização de educadores e pais sobre os grandes temas da infância com o intuito de promover mudanças nas dinâmicas familiares visando o desenvolvimento integral da criança e mudanças no âmbito da Educação Infantil defendendo o direito de brincar da criança e sua relação com a natureza.

Para comemorar esta data acabo de lançar o livro A TURMA DA FLORESTA – UMA BRINCADEIRA PUXA OUTRA. O livro conta a história de um grupo de crianças que se reúne num parque do bairro para brincar. No decorrer da tarde inventam muitas brincadeiras com o que a própria natureza oferece. João é o primeiro a chegar no parque numa tarde fria de outono. Enquanto espera a Turma da Floresta, caminha pela mata até que tropeça num graveto. O menino apanha o graveto do chão e assim tem início uma tarde cheia de aventuras e brincadeiras.

Educando Tudo Muda

 

A história foi inspirada nas crianças participantes dos encontros do ‘Playoutside – Alegria de Brincar na Natureza’, evento que acontece periodicamente em parques da cidade de São Paulo visando incentivar as famílias a ocupar os espaços públicos e interagir com seus filhos em contato com a natureza.

Acesse  AQUI para participar do próximo encontro.

 

 

A Turma da Floresta chega num momento em que estamos buscando soluções para reverter o afastamento das crianças do mundo natural e pensando em cidades mais amigáveis à elas. Vem para contribuir com o movimento de reconexão e incentivar as explorações e descobertas na natureza pelas crianças.

Meu desejo é que essa história alcance as crianças de todos os cantos do Brasil e que inspire a reaproximação da infância à natureza.

 

A TURMA DA FLORESTA PELO BRASIL

A Turma da Floresta tem viajado para diferentes lugares todos os dias. Já chegou na Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, várias cidades do interior de São Paulo e muitos bairros da capital.

QUER SER DA NOSSA TURMA?

O livro está à venda no site Educando Tudo Muda com promoção de frete gratuito* para qualquer localidade do Brasil.

Para comprar clique AQUI.

Educando Tudo MudaVocê também encontra o livro na Livraria Antroposófica – Rua da Fraternidade, 180  em Santo Amaro, na capital paulista.

No dia 28 de setembro – 14h, acontecerá o lançamento na Livraria PanaPaná, especializada em literatura infantil. Estarei lá contando a história dessa turma e brincando com as crianças –  Rua Leandro Dupret, 396 Vila Clementino.

E dia 1º de outubro – 14h, vou participar do programa “Era uma vez”, da Rádio Mega Brasil Online, apresentado por Celina Bodenmüller e Fabiana Prando, para falar sobre a Turma da Floresta.

Para ouvir e ver, basta acessar o canal:

Mega Brasil Comunicação

 

Não fazemos nada sozinhos, não é mesmo?Todo fazer humano é resultado do trabalho de muitas mãos.

Educando Tudo MudaNeste caso, tive a parceria do Daniel Salvetti, que fez as ilustrações. Daniel foi aluno  desde sempre em escolas de pedagogia Waldorf, fez graduação em Ciências Econômicas e Mestrado em Desenvolvimento Internacional e Emergências Humanitárias. É sua estréia como ilustrador.

“Sempre tive paixão por artes e um encantamento por livros infantis, principalmente aqueles que falam algo verdadeiro de forma lúdica, sincera e bonita”.

O projeto gráfico tem assinatura da Debora Barbieri do Coletivo BabaYaga. A Debora é Graduada em comunicação social,Pós-graduada em design gráfico e Mestranda em Literatura e Crítica Literária na área de Literatura Infantil.

 

 

Educando Tudo Muda já percorreu muita estrada nestes 3 anos de existência, e muita coisa nova está por vir. Neste momento estou preparando um curso online sobre o tema Criança e Natureza que será lançado até dezembro.  O curso visa formar facilitadores da conexão das crianças com a natureza.

Você trabalha com crianças, tem filhos, sobrinhos, netos? Sente a necessidade de promover a reaproximação da criança à natureza? Se sim, quero te convidar para participar de uma pesquisa para identificar as dificuldades e necessidades dos educadores, pais, e todas as pessoas que tenham uma ligação afetiva com a infância, no tocante a este tema. A pesquisa ajudará na criação do curso.

Participe, colabore no desenvolvimento do curso e ajude nossas crianças! Compartilhe e convide outros educadores, pais, avós, tios para participar também. Clique em PESQUISA, abaixo, para responder o questionário. Conto com seu apoio.

PESQUISA

 

Curtiu as novidades? Compartilhe entre os amigos. Você estará colaborando para que esta semente se espalhe e fortalecerá este trabalho em prol da  valorização da infância, e a conexão da criança com a natureza. 

Quer receber em primeira mão os novos artigos, guias e novidades aqui do Educando Tudo Muda, e ainda ganhar um ebook de presente?

Entre para minha lista de contatos!

Abraço carinhoso

Ana Lúcia Machado

*Frete gratuito apenas em território nacional. Para compras fora do Brasil, envie o endereço de entrega para ana@educandotudomuda.com.br e aguarde retorno com as instruções de compra.

A TURMA DA FLORESTA – UMA BRINCADEIRA PUXA OUTRA, literatura infanto juvenil

O livro ‘A Turma da Floresta uma brincadeira puxa outra’ conta a história de um grupo de crianças que se reúne num parque do bairro para brincar. No decorrer da tarde essa turminha inventa muitas brincadeiras com o que a própria natureza oferece.

A Turma da Floresta - uma brincadeira puxa outra

João é a primeira criança a chegar no parque numa tarde fria de outono. Enquanto espera a Turma da Floresta, caminha pelo parque até que tropeça num graveto. O menino apanha o graveto do chão e assim tem início uma tarde cheia de aventuras e brincadeiras.

A história foi inspirada nas crianças participantes dos encontros parentais do ‘Playoutside – Alegria de Brincar na Natureza’, que acontece periodicamente em parques públicos da cidade de São Paulo.

 

A TURMA DA FLORESTA – POR QUE ESCREVI ESTE LIVRO?

Desde 2016 faço coro com algumas vozes que clamam no deserto, como o programa Criança e Natureza, do  Alana, alertando a sociedade sobre a importância do começo da vida, desenvolvendo um trabalho de despertar a consciência sobre a complexidade dos tempos atuais e seus efeitos sobre a infância.

Essa era da complexidade tem afetado de maneira assustadora nossas crianças. O mundo que temos apresentado à elas é um mundo estranho, e em sua essência, artificial. A alma da criança anseia por um mundo verdadeiro. E neste quesito temos sido incompetentes, admitamos.

Acredito na potência do começo da vida. Aposto na mudança e invisto em projetos como o Playoutside – Alegria de Brincar na Natureza, que tem o intuito de criar uma comunidade de famílias que brincam com seus filhos em contato com o mundo natural, num movimento pró infância e natureza pela sustentação da vida.

É por isso que escrevi a história da A Turma da Floresta – para mostrar que transgredir a ordem mundial é preciso, que levar as crianças para a rua é fundamental, e reinserir a infância à paisagem natural é direito da criança e uma questão de sobrevivência da espécie humana.

O livro começa dizendo:

A TURMA DA FLORESTA – UMA BRINCADEIRA PUXA OUTRA.

“Num tempo em que quase nenhuma criança mais podia brincar na rua, havia uma turminha no bairro conhecida como a Turma da Floresta…”

Que tempo é esse? É o nosso tempo. É hoje. E se hoje não ousarmos agir diferente, se não ousarmos acreditar e inventar um outro jeito de ser e estar no mundo, sucumbiremos atrás dos muros da pseudo segurança, dos alarmes, das paredes e portões. Continuaremos a isolar nossos filhos, ilusoriamente,  em salas protegidas –  de estar, de TV, de aula, e principalmente nas salas dos consultórios psicológicos-, para tratar toda a espécie de transtornos e distúrbios.

Sendo assim, esse livro chega num momento em que estamos buscando soluções para reverter o afastamento das crianças do mundo natural e pensando em cidades mais amigáveis à elas. Vem para atender as ânsias da infância, alimentar a imaginação infantil e incentivar as explorações e descobertas na natureza.

A Turma da Floresta é uma história para todas as idades – para nutrir a alma humana e  despertar a consciência de pais e educadores sobre a necessidade da criança  passar algum tempo em contato com a natureza diariamente, em interação direta com a vida.

É uma história escrita para acordar os homens e adormecer as crianças (Carlos Drummond de Andrade em Canção amiga, Novos Poemas, 1948).Quem tem ouvidos para ouvir ouça esta canção, leia essa história.

A TURMA DA FLORESTA  JÁ ESTÁ À VENDA AQUI NO EDUCANDO TUDO MUDA 

Pois então, garanta já o seu exemplar AQUI.

Esta publicação tem ilustrações de Daniel Salvetti e  projeto gráfico assinado  por Debora Barbieri.

A TURMA DA FLORESTA – UMA BRINCADEIRA PUXA OUTRA.QUER SER DA NOSSA TURMA?

Acompanhe as brincadeiras da Turma da Floresta pelo parque e descubra o mundo fantástico da imaginação infantil. Sinta-se chamado a conectar-se com a natureza e fazer parte desta turma também.

Curtiu este conteúdo? Ele é resultado de um trabalho diário pela valorização da infância, e a conexão da criança com a natureza. Compartilhe este artigo. Você estará colaborando para que esta semente se espalhe e estará fortalecendo este trabalho. Conto com seu apoio.

Abraço carinhoso

Ana Lúcia Machado

 

*Para compras fora do Brasil, envie o endereço de entrega para ana@educandotudomuda.com.br e aguarde retorno com as instruções de compra.

CRIANÇA E NATUREZA NA VISÃO DE RICHARD LOUV

CRIANÇA E NATUREZA –  UM MOVIMENTO PELA SUSTENTAÇÃO DA VIDA

Criança e natureza são indissociáveis na visão de Richard Louv. Na minha visão também.

Você sabe quem é Richard Louv?  Trata-se de  um jornalista norte  americano, especialista em Advocacy pela infância. Fundador da Children Nature Network, é  considerado uma das maiores autoridades mundiais no tema criança e natureza.

criança e natureza

 

É também autor de vários livros – dois traduzidos para o português: O Principio da Natureza’, de 2014 e  ‘A Última Criança na Natureza, publicado em 2016 em parceria com o Instituto Alana,  dentro do programa Criança e Natureza. 

Estatísticas revelam que atualmente mais de 80% da população brasileira vive em cidades e que as crianças que moram nos grandes centros urbanos passam 90% do seu tempo em locais fechados, dentro de casa,  em frente da televisão, jogando vídeo games, ou nas escolas dentro de salas de aula. Quando saem com os pais vão ao shopping, restaurante ou cinema.

Doenças que passaram a ser comuns entre as crianças nos dias de hoje, tais como  transtorno de hiperatividade, déficit de atenção, depressão, pressão alta e diabetes, estão diretamente ligadas com a falta de natureza.

 

 

Em “A última criança na natureza”, o jornalista aponta inúmeros estudos sobre os benefícos do contato com a natureza. Apresenta provas constatáveis e conta histórias pessoais interessantes, mostrando como a relação com o mundo natural estimula o desenvolvimento integral da criança, melhora a saúde e gera bem estar, entre muitas outras benesses.

Ele cunhou o termo ‘transtorno de déficit de natureza’ para ALERTAR sobre o estilo de vida contemporâneo que está levando as crianças a crescer distantes do meio ambiente e de seus  processos de vida, gerando vários problemas físicos e mentais.

No livro ‘O Principio da Natureza’, Louv afirma que “quanto mais tempo do nosso dia passarmos na companhia de tecnologia, mais tempo precisaremos passar na companhia da natureza”.

Se quisermos promover a saúde e bem estar da nossa espécie precisaremos equilibrar a balança entre o tempo que passamos em ambientes fechados, conectados à internet e assistindo à televisão, e o tempo que dedicamos à atividades ao ar livre, em contato direto com a natureza.

Ele também sugere que, para cada R$1 gasto pelo sistema educacional, nas escolas de um país, em projetos ligados à tecnologia, como por exemplo acesso à internet, seja gasto no mínimo  o mesmo valor em projetos voltados a reconexão das crianças à natureza.

CONHEÇA A PUBLICAÇÃO: A TURMA DA FLORESTA – UMA BRINCADEIRA PUXA OUTRA

 

 

 

CRIANÇA E NATUREZA –  COMO EQUILIBRAR ESTA BALANÇA

Entrevistado por Alexandre Mansur,  da revista Época, Richard Louv  diz:

“Nas próximas décadas, os desafios ambientais exigirão mudanças fundamentais em nossas vidas e nas instituições. Precisaremos de líderes que entendam como o mundo natural funciona e como os humanos são parte da natureza.”

 

 

Acompanhe os trechos principais da entrevista que fala sobre como promover a relação criança e natureza, cidades amigáveis para a infância, políticas públicas e como integrar  natureza e escolas.

Por que as crianças precisam de contato com a natureza?
Richard Louv – O professor de Harvard Edward O. Wilson tem uma teoria chamada biofilia. Ele sugere que os seres humanos têm atração inata pela natureza. E que precisamos de experiências na natureza para nossa saúde mental e física. A pesquisa, a experiência e o bom-senso sugerem que nossa atração e necessidade de ambientes naturais e envolvimento com outras espécies são fundamentais para nossa saúde, nossa sobrevivência e nosso espírito. Essa conexão é parte de nossa humanidade.

Quando o senhor fala de contato com a natureza está se referindo a parques ou jardins urbanos ou a áreas naturais selvagens como as de parques nacionais?
Louv – Idealmente, o que chamamos de natureza deveria ser uma incubadora de biodiversidade. Devia servir para restabelecer a saúde e o bem-estar dos humanos. Devia ser um santuário para a vida selvagem e plantas nativas. Mas qualquer espaço verde oferece benefícios para o bem-estar físico e mental das crianças. A conexão com a natureza deve ser ocorrência diária. Se projetarmos as cidades para funcionar em harmonia com a natureza e a biodiversidade, essa conexão será um padrão comum. Uma novidade interessante agora é a popularidade crescente da natureza nas pré-escolas. É lá que as crianças aprendem sobre vida selvagem, enquanto aprendem a ler. Nas próximas décadas, os desafios ambientais exigirão mudanças fundamentais em nossas vidas e nas instituições. Precisaremos de líderes que entendam como o mundo natural funciona e como os humanos são parte da natureza.

A maioria da população vive em cidades. No Brasil, isso significa metrópoles com pouca conexão com a natureza. Quais são as consequências para as crianças que crescem cercadas por cimento e asfalto com pouco ou nenhum contato com a natureza?
Louv – À medida que as crianças passam menos tempo em áreas naturais, seus sentidos ficam limitados, no sentido fisiológico e psicológico. Acrescente a isso uma infância exageradamente organizada e a desvalorização das brincadeiras espontâneas. Isso tem enormes consequências para as capacidades de a criança se autorregular. Isso reduz a riqueza das experiências humanas e contribui para uma condição que chamo de “transtorno de déficit de natureza”. Criei esse termo como uma expressão forte para descrever  o que muitos de nós acreditam que sejam os custos da alienação da natureza. Entre esses prejuízos estão um menor uso dos sentidos, dificuldades de atenção, índices elevados de doenças mentais, maior taxa de miopia, obesidade adulta e infantil, deficiência de vitamina D e outros problemas. A ciência estabeleceu correlação entre experiências no mundo natural e melhoras em todas essas condições. É óbvio que o transtorno de déficit de natureza não é um diagnóstico médico. Mas podemos considerá-lo como uma doença da sociedade. Hoje, crianças e adultos que trabalham e estudam num mundo cada vez mais dominado pelo ambiente digital gastam grande energia bloqueando muitos dos sentidos humanos, inclusive alguns que nem sabemos que temos. Fazem isso para concentrar de forma estreita o foco na tela diante dos olhos. Essa é a definição exata de estar menos vivo. Qual pai quer que seus filhos estejam menos vivos? Quem dentre nós quer estar menos vivo? A questão aqui não é ser contra a tecnologia, que nos oferece muitos benefícios, mas encontrar um equilíbrio. Precisamos oferecer a nós e nossas crianças uma vida rica e um futuro rico em natureza.

Estamos ensinando nossas crianças a valorizar a natureza?
Louv –  Nos Estados Unidos – e, pelo que sei, no Brasil –, o mundo natural foi desvalorizado na mídia e na educação, com exceção de alguma ênfase em espécies carismáticas. Mas estamos vendo algum progresso. Um número crescente de homeschoolers [crianças que estudam em casa] e escolas primárias e secundárias independentes estão incorporando experiências naturais no ensino. Não é só ler sobre natureza, mas usar os hábitats naturais como ambiente para várias atividades. Algumas escolas de vanguarda também estão fazendo isso. Estou otimista que isso continue a se expandir à medida que educadores e pais aprendam mais sobre a relação entre a natureza e o desenvolvimento infantil. Num cenário ideal, novas escolas serão projetadas com a natureza em mente. E as escolas antigas serão reformadas com espaços de recreação que incorporam a natureza no projeto central. Outra abordagem é usar as reservas naturais para trabalhos escolares ou a inclusão de fazendas e sítios como parte dessas novas instalações escolares. Precisamos incorporar a educação da natureza, e o conhecimento dos efeitos positivos, no treinamento de todo professor. Precisamos dar crédito aos muitos professores que insistiram em expor seus alunos à natureza, apesar da tendência na direção oposta rumo a um mergulho na tecnologia e na desvalorização das atividades ao ar livre. Os professores e escolas não podem fazer isso sozinhos. Os pais, políticos e toda a comunidade precisam participar. Esse tema precisa ser incluído nas faculdades de pedagogia.

O contato com a natureza é instrumento pedagógico?
Louv – Fala-se muito de tecnologia nas escolas. Mas a grande vanguarda em educação não são tablets nem computadores, mas pomares, hortas e jardins. Pesquisas sugerem que o contato com a natureza é elemento fundamental para nossa habilidade de pensar e criar. Precisamos da natureza como antídoto para alguns dos efeitos negativos da tecnologia. A maior capacidade multitarefa é viver simultaneamente no mundo digital e no físico. Quanto mais hi-tech nossa vida fica, de mais natureza precisamos. Na educação, para cada dólar investido em tecnologia virtual, precisamos investir o mesmo no mundo real – especialmente criando mais ambientes de aprendizagem em áreas naturais. Se fizermos isso, as crianças ficarão bem. Recentemente, visitei uma escola com ensino baseado na natureza numa região pobre. A escola tem conseguido mais avanço acadêmico do que qualquer outra no local.

Os próprios pais e professores também perderam suas conexões com o mundo natural. O que podemos fazer?
Louv – Muitos adultos estão dando mau exemplo. Eles ficam cada vez mais dentro de espaços fechados. Passam mais tempo com os eletrônicos e, como seus filhos, sofrem problemas de saúde relacionados a isso. O aumento da obesidade para adultos e jovens é um sintoma. A maioria das crianças e jovens simplesmente não sabe o que está perdendo. Nunca é cedo demais – ou tarde demais – para ensinar crianças e adultos a apreciar e se conectar com atividades ao ar livre. Pessoalmente, acho que passar tempo ao ar livre é vital para todas as idades. Certamente é verdade que líderes em conservação tiveram experiências na natureza que mudaram suas vidas durante a infância. Logo, as crianças de hoje que tiverem essas experiências positivas na natureza vão dar uma grande contribuição à sociedade como cuidadores da Terra. Se a hipótese de biofilia de E.O. Wilson estiver correta, nós, como espécie, estamos geneticamente programados para termos afinidade com o resto da natureza. Se isso for verdade, então nunca será tarde e você nunca estará velho demais para destravar essa conexão.

Se as pessoas têm tantos bons sentimentos associados à natureza, por que tantos aceitam o desmatamento para a expansão urbana?
Louv- Uma razão é a competição econômica baseada na falsa premissa de que a natureza e a vida humana são coisas separadas. No entanto, muitas pessoas estão percebendo que criar mais natureza nas imediações é um bom investimento. Os benefícios de áreas naturais nas proximidades pode ser sentido pelos sistemas de saúde. Também têm efeitos positivos no sistema de educação, para a qualidade de vida, para o valor das propriedades e nos índices de criminalidade.

O senhor acredita que a exposição à natureza pode reduzir o uso de Ritalina para tratamento de síndrome de déficit de atenção?
Louv – Várias pesquisas relacionam a experiência na natureza com a redução dos sintomas de síndrome de déficit de atenção. Alguns dos trabalhos mais importantes nessa área foram feitos no Laboratório de Pesquisa de Humanos e Ambiente da Universidade de Illinois por Andrea Faber Taylor, Ming Kuo e William Sullivan. Em uma série de estudos, eles descobriram que espaços ao ar livre estimulam brincadeiras criativas, melhoram o acesso da criança à interação positiva com adultos e reduzem os sintomas de síndromes relativas a déficit de atenção. Quanto mais verde for o ambiente, maior o benefício. Em compensação, atividades internas ou atividades ao ar livre em áreas pavimentadas prejudicam as crianças. Os pesquisadores descobriram que contato com áreas verdes durante a infância – mesmo que olhando uma paisagem verde pela janela – reduz especificamente os sintomas de déficit de atenção. Como eles escreveram na revista científica Environment and Behavior, atividades ao ar livre em geral ajudam, mas “atividades em ambientes naturais têm maiores chances de melhorar o foco e a concentração de crianças com síndrome de déficit de atenção”. O estudo mais recente de Taylor e Kuo mostra que o grau de atenção de crianças sem medicação diagnosticadas com a síndrome era mais alto depois de uma caminhada de 20 minutos num parque com cenário natural do que depois de um passeio numa área urbana. Outros estudos na Suécia e nos Estados Unidos reforçam essas descobertas. Alguns pediatras americanos mapearam as áreas naturais, mesmo parques urbanos, na região onde atendem. Assim, eles passaram a receitar doses de natureza para os pacientes. Eles indicam os lugares aonde as pessoas podem levar as crianças para ter esse contato.

 Se os humanos são parte da natureza, não podemos dizer que os ambientes urbanos cinzentos criados pelos humanos também são, de certa forma, parte da natureza?
Louv – Sim. As cidades são parte da natureza. Mas qualquer área natural, inclusive as florestas e as instalações urbanas, pode perder o equilíbrio. Pode se autodestruir por doenças ou excesso de uso. Em 2008, pela primeira vez na história, mais de metade da população mundial vivia em cidades. A urbanização continua. A tendência significa que os humanos perderão sua conexão diária com o mundo natural. Ou significará o início de um novo tipo de cidade. Se enxergarmos apenas um futuro apocalíptico, é o que teremos. Mas precisamos imaginar uma sociedade onde nossas vidas fiquem imersas na natureza, assim como hoje estão mergulhadas em tecnologia. No ano passado, a Liga Nacional de Cidades e a Rede Criança & Natureza criaram uma iniciativa de três anos para ajudar 19 mil prefeitos americanos a deixar suas cidades melhores para as crianças e a natureza. Vemos a emergência de projetos biofílicos em nossas casas e ambientes de trabalho.

PARTICIPE: PLAYOUTSIDE – ALEGRIA DE BRINCAR NA NATUREZA 

Criança e natureza

Projeto Playoutside – Alegria de Brincar na Natureza

A mensagem deste ativista pela infância é contundente: coloquem as crianças em contato com a natureza. Toquem elementos vivos que exalam aromas. Pisem com os pés descalços na terra. Respirem fundo e voltem a sentir o mundo natural do qual somos parte.

Seu entusiasmo é contagiante. Ficou com vontade de ler o livro? Acesse o link AQUI:

Quer conhecer outras publicações que falam sobre criança e natureza?

LEIA :  TOP 10 DA EDUCAÇÃO AO AR LIVRE

Se desejar, acesse a entrevista completa aqui.

Vamos juntas (os) verdejar a vida!☀️

 

Abraço carinhoso

Ana Lúcia Machado

 

BRINCAR NA NATUREZA

BRINCAR NA NATUREZA

Para entender a importância do brincar na natureza, primeiramente  é preciso  reconhecer  que somos seres naturais,  filhos da mãe Terra e à ela ligados.  Em segundo lugar é fundamental  ter claro que antes do ser humano se tornar Homo Sapien – um ser pensante, e Homo Faber  – aquele que faz,  ele se constitui como Homo Ludens – um ser lúdico, que brinca, joga, interage de forma brincante sob a influência de sua cultura, como afirma o historiador holandês Johan  Huizinga.

Partindo dessa premissa, podemos afirmar que brincar na natureza é fundamental para o desenvolvimento integral da criança.

Diversos estudos apontam os efeitos positivos do brincar ao ar livre na infância. Seus benefícios abrangem aspectos físicos, psicológicos,cognitivos, sociais e espirituais.

O jornalista e especialista em advocacy pela infância  Richard Louv , em seu livro “A última criança na natureza”,   traz inúmeros estudos sobre os benefícos do brincar na natureza. Entre eles, destaca uma pesquisa feita pela Universidade de Illinois que mostrou redução dos transtornos de ansiedade entre crianças de 7 à 13 após o aumento de tempo em contato com a natureza. Outro estudo feito em Massachussets em escolas, constatou que alunos tiveram aumento de desempenho e resultados satisfatórios depois de ficarem mais tempo ao ar livre.

BRINCAR NA NATUREZA

Sob o ponto de vista físico é importante ressaltar que os primeiros anos de vida da criança correspondem ao ciclo do movimento e por este motivo a criança necessita de experiências diárias de expansão e atividades corporais livres e espontâneas como correr, pular, saltar, rolar, escorregar, girar, subir e descer morros, trepar em  árvores, etc.

Para isso  precisamos  garantir liberdade, tempo, e acesso à espaços abertos, amplos, em terrenos irregulares e diversificados  –  de terra, grama, pedrinhas, que possuam elevações e declives, favorecendo assim diferentes estímulos motores e sensoriais.

BENEFÍCIOS DO BRINCAR NA NATUREZA

Tudo isso contribui para a estruturação do sistema muscular da criança e seu desenvolvimento motor,  gerando destreza corporal e domínio espacial.

Para a conquista do equilíbrio, o corpo precisa de liberdade de movimentos em diferentes direções.  A musculatura dos pés e pernas são estimuladas ao deixarmos  a criança andar de pés  descalços, promovendo desenvoltura no andar, correr e saltar.

O fortalecimento dos músculos de todo o corpo reflete  no aprendizado de forma significativa – na habilidade e força das mãos para segurar o lápis de maneira correta, e na boa estrutura dos ombros que promovem uma postura adequada gerando  concentração e foco na criança.

BRINCAR NA NATUREZA Além disso, brincar na natureza  propicia um gasto maior de energia, o que auxilia na prevenção da obesidade, no alívio de tensões, e na qualidade do sono que está diretamente ligada ao crescimento infantil.

Previne  também a deficiência de vitamina D, pela exposição aos raios solares, importante para o desenvolvimento dos ossos, e ainda propicia o exercício dos músculos oculares. O passarinho que passa voando atrai a atenção da criança que segue seu trajeto até o perder de vista. Em outro momento a descoberta de uma joaninha a passear em uma folha, permite a aproximação da criança para observar de perto. Esta alternância de foco – perto/longe – auxilia na prevenção da miopia.

Leia também: 36 motivos para conectar as crianças à natureza 

Brincar na natureza também fortalece o sistema imunológico, pois a criança entra em contato com uma série de bactérias e micro-organismos, prevenindo também o desenvolvimento de alergias.

BRINCAR NA NATUREZAOutro valioso benefício  é  que em ambientes naturais a  criança fica exposta à situações imprevisíveis  e desafiadoras. Isto possibilita importantes aprendizados, tais como saber correr riscos e medi-los. Riscos  são aqueles cujas consequências são baixas e aceitáveis, ao mesmo tempo que os ganhos de desenvolvimento da criança são altos.

Apesar de conhecermos todos esses benefícios, hoje a infância sofre com as  dificuldades e limitações de oportunidades de desfrutar do brincar na natureza, em espaços amplos. Os efeitos do crescimento desordenado das cidades, a  redução de áreas verdes, falta de segurança e qualidade dos espaços públicos ao ar livre, além da soberania da circulação de carros, levam as crianças ao confinamento. Produzindo a ilusão de proteção e segurança das crianças em ambientes fechados.

Outro fator responsável pelo isolamento da criança tem sido o excesso do mundo tecnológico. Crianças acessam cada vez mais cedo os dispositivos digitais e passam muito tempo conectadas à eles.

A Dra. Julieta Jerusalinsky, psicanalista infantil,  alerta para os perigos do uso de forma inadvertida desses dispositivos pela criança, e ressalta a importância da qualidade da experiência interativa presencial  dos adultos nos anos iniciais de vida para a estruturação psíquica infantil.

Entre os perigos citados por ela estão:  a ausência psíquica dos pais – de corpo presente mas ausentes psiquicamente em relação aos filhos;  a linguagem fria  produzida por esses aparelhos, que emitem sequências sonoras mas não estabelecem um diálogo com a criança;  e a falta de mediação dos adultos em relação ao conteúdo acessado via internet. Trata-se de informações desprovidas das experiências vivenciadas dos adultos, sem a transmissão de valores culturais.

Não se pode negar os benefícios das inovações tecnológicas, mas é preciso  chamar a atenção para as influências  e consequências  desta revolução digital na vida dos pequenos em fase de formação. Além do risco de ser viciante e causar dependência,  seu uso abusivo interfere  no convívio social, na qualidade dos relacionamentos  e fortalecimento de vínculos afetivos, reduz  os momentos de lazer da família, rouba o tempo do brincar, inibe o exercício da imaginação e criatividade da criança .

QUEM É RESPONSÁVEL PELO BRINCAR NA NATUREZA?

Aos pais cabe a responsabilidade de estabelecer  limites seguros e coerentes de tempo de uso das telas pelas crianças e de também estimular e propiciar aos filhos momentos de brincadeiras ao ar livre.

A escola como elo entre a família, a cultura e a infância, tem a responsabilidade de ampliar o mundo da criança e oportunizar o que está faltando na sociedade. As escolas estão sendo desafiadas a romper com o velho modelo de sala de aula entre quatro paredes com carteiras enfileiradas, e despertar para o potencial educador da natureza, reconhecendo outros territórios educativos como ambientes de aprendizagem  e brincar livre.

Top 10 da educação ao ar livreHoje as crianças passam a maior parte do dia dentro das instituições educacionais. Desta forma é tarefa da escola garantir espaços e atividades que promovam o equilíbrio emocional dos alunos.

Devemos nos conscientizar de que tanto a escola quanto a família desempenham um papel fundamental no  estabelecimento e incentivo da conexão das novas gerações  com a natureza, e este trabalho está ancorado na liberdade do viver natural e lúdico nos primeiros anos de vida da criança.

Conheça os livros  ‘‘A  Turma da Floresta uma brincadeira puxa outra’  e o ‘Livro da Educador brincando com a natureza’ , sinta-se inspirada(o) a brincar na natureza com as crianças.

Quer receber em primeira mão os novos artigos, guias e novidades aqui do Educando Tudo Muda? Entre para minha lista de contatos!

Abraço caloroso

Ana Lúcia Machado

5 LIVROS DIGITAIS GRATUITOS SOBRE  APRENDIZAGEM AO AR LIVRE  – CRIANÇA E NATUREZA

5 livros digitais gratuitos sobre aprendizagem ao ar livre

Selecionamos 5 livros digitais gratuitos sobre aprendizagem ao ar livre que incentivam o contato da criança com a natureza.  Essas publicações alertam para a importância das interações entre as crianças e os ambientes naturais.

A história do ser humano sobre a Terra está marcada pelo distanciamento progressivo com o mundo natural  e  sua consequente ruptura com processos de vida. Hoje a maioria da população brasileira vive em centros urbanos, onde as crianças passam a maior parte do tempo em ambientes fechados e artificiais.  A ausência de ambientes naturais e seus seres viventes no cotidiano da criança, tem consequências negativas para seu  desenvolvimento  e bem-estar.

Os ambientes naturais oferecem à criança oportunidades ricas e incomparáveis de exploração, experiência e descobertas de fenômenos e processos vivos.

aprendizagem ao ar livre  tem sido um grande desafio para as escolas no Brasil. É urgente o rompimento de paradigmas  para o despertar do potencial educador  dos ambientes naturais, transformando-os  em salas de aula, desemparedando os alunos.

aprendizagem  ao ar livre traz inúmeros benefícios –  melhora o desenvolvimento intelectual e a saúde física, incentiva o pensamento crítico, a inteligência emocional, o trabalho em equipe, e a capacidade de resolução de problemas. Crianças em contato com a natureza  desenvolvem mais a destreza corporal, o domínio espacial e a autonomia.

Inúmeros estudos e pesquisas que vem sendo realizados, mostram que a interação com a natureza durante a infância, está diretamente ligada a atitudes proambientais na vida adulta.

Desta forma, precisamos resgatar os vínculos da criança com o mundo natural,  investir na formação de um reservatório de experiências vivas e reais nos primeiros anos de vida, estimulando a apreciação e respeito pela natureza e todos os seres viventes, para assim garantir a formação de uma nova geração de guardiões da natureza e nossa sobrevivência no planeta.

 

5 LIVROS DIGITAIS GRATUITOS SOBRE  APRENDIZAGEM AO AR LIVRE

5 livros digitais gratuitos sobre aprendizagem ao ar livre

1.DESEMPAREDAMENTO DA INFÂNCIA – A ESCOLA COMO LUGAR DE ENCONTRO COM A NATUREZA

Organização: Maria Isabel Amando de Barros

Publicação do Instituto Alana, de iniciativa do programa Criança e Natureza, o livro fala sobre experiências de escolas que permitiram que as crianças aproveitassem os pátios escolares e outros territórios educativos como ambientes de aprendizado e brincar livre. A publicação propõe uma importante reflexão sobre como contribuir para mudar a atual realidade e desemparedar a infância.

Faça o download do livro

 

 

Leia também: Top 10 da educação ao ar livre

 

 

5 livros digitais gratuitos sobre aprendizagem ao ar livre2.EDUCANDO NA NATUREZA

Texto: Sibélia Zanon

Este livro, do Instituto Ecofuturo, instiga os leitores a refletir  sobre o contato das pessoas com o meio, o potencial educador dos espaços naturais e os aprendizados que essa aproximação proporciona. O material pode ser utilizado por professores e pais que tem o desejo de estimular as novas gerações a estreitar suas relações com a natureza.

Faça o download do livro

 

 

 

 

5 livros digitais gratuitos sobre aprendizagem ao ar livre 3.JARDIM DAS BRINCADEIRAS – UMA ESTRATÉGIA LÚDICA PARA A EDUCAÇÃO ECOLÓGICA

De Guilherme Blauth

O livro aguça a criatividade e apresenta novas brincadeiras com o ambiente natural. Dividido nos capítulos ‘ar’, ‘água’, ‘terra’, ‘fogo’ e ‘bonecos, bichos e monstros’, o autor nos convida a  perceber e olhar o cotidiano com outros olhos e compartilha pesquisa realizada em seu próprio jardim criando brinquedos e brincadeiras sustentáveis a partir dos elementos naturais.

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5 livros digitais gratuitos sobre aprendizagem ao ar livre4.BRINCANDO COM OS 4 ELEMENTOS DA NATUREZA

De Ana Lúcia Machado

O ebook é resultado do trabalho de pesquisa com crianças de escolas de educação infantil. Baseado na observação da autora do brincar das crianças em contato com a natureza, o livro traz um repertório de brincadeiras espontâneas com os elementos naturais.

Disponível pelo site do Educando Tudo Muda desde 2017, educadores de todo o Brasil  já baixaram este material.

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5 livros digitais gratuitos sobre aprendizagem ao ar livre 5.ATIVIDADES EM ÁREAS NATURAIS

De Rita Mendonça

Destinado a educadores em geral – este eBook oferece um farto material de reflexões sobre vivências com a natureza, espaços educadores ao ar livre e traz uma série de sugestões de atividades para que o contato direto, sensível e livre com a natureza seja parte do nosso processo de desenvolvimento.

O livro traz uma série de sugestões de atividades que foram classificadas pelo nível de intimidade que o educador percebe que tem com a natureza, desde bem simples, para quem nunca se deitou em um gramado, até de atividades mais complexas a serem praticadas em bosques e florestas.

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Conheça o lançamento do livro A TURMA DA FLORESTA – UMA BRINCADEIRA PUXA OUTRA. Uma publicação infanto-juvenil que vai inspirar  as crianças à brincar  em contato com a natureza.

Desejamos à todos ótima leitura, que essas dicas possam contribuir para a reconexão da infância à natureza.

Compartilhe suas impressões e deixe seus comentários.

 

abraço caloroso

Ana Lúcia Machado

INCLUSÃO SOCIAL – POR UMA SOCIEDADE PARA TODOS

Sociedade para todos - inclusão social, síndrome de Down

A inclusão social é  um  caminho sem volta. Como cidadãos do século XXI  somos convidados a refletir questões fundamentais para o avanço de uma sociedade para todos, revendo conceitos, comportamentos, termimologias que se adequem às mudanças sociais ocorridas nas últimas décadas.

As políticas de inclusão  social surgidas entre o final dos anos 80 e início da década de 90, tiraram da condição de invisibilidade vários grupos que viviam excluídos, à margem da sociedade. Entre eles, as pessoas com síndrome de Down.

21 de março é considerado o Dia Internacional da Síndrome de Down. Datas como essa  são importantes para a conscientização coletiva e contribuição em defesa da  causa das minorias.

Neste ano temos muito a comemorar. O Alana Foundation, braço filantrópico do Instituto Alana, com sede nos Estados Unidos, fez uma doação de  US$ 28,6 milhões ao MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), para estimular o desenvolvimento de novas pesquisas tecnológicas e multidisciplinares.

Sociedade para todos - inclusão social, síndrome de Down

A doação deu origem ao Alana Down Syndrome Center, que envolverá o conhecimento de cientistas e engenheiros em uma iniciativa para aprofundar o conhecimento biológico e neurocientífico da síndrome de Down, tendo como  diferencial  o foco não na deficiência , mas nas barreiras que podem impedir que as pessoas com síndrome de Down desenvolvam competências práticas e sociais para participação nos sistemas educacional, profissional e na vida em comunidade. Esse investimento inaugura um novo tempo e representará um salto na qualidade de vida dessas pessoas a medida que as pesquisas avançarem.

Como prova do potencial humano, superação das dificuldades, e de que hoje um jovem com síndrome de Down que tenha sido estimulado desde o nascimento com o apoio familiar, pode traçar uma trajetória diferente de tempos atrás, apresentamos matéria publicada na revista Gol desse mês, assinada por Luisa Alcantara e Silva, e que conta a história da atriz Tathi Piancastelli. Tathi apregoa que todos somos diferentes e prova que sua condição é apenas uma peculiaridade do que ela é. Acompanhe a matéria na íntegra:

 

Sociedade para todos - inclusão social, síndrome de DownTathiana Piancastelli tinha acabado de se mudar para Nova York com o pai e a mãe e buscava uma ocupação. Ficava zanzando pela cidade até que, encantada com as luzes da Broadway, lembrou-se de seu filme preferido, Mamma mia!, um musical, e decidiu escrever uma peça. Texto criado, mostrou-o à sua professora de teatro, que topou na hora levar aquela história aos palcos. Menos de um ano depois, a autora virou também protagonista do espetáculo Menina dos meus olhos, que estreou na cidade norte-americana em 2013.

Na obra, ela levanta uma questão fundamental nos dias de hoje: a inclusão de todos na sociedade. Tathi, como é conhecida, conta a história de Bella, garota com síndrome de Down que sofre violência apenas por ser quem é, até encontrar o amor. O trabalho é um mergulho em sua própria vida, já que a paulistana, hoje com 34 anos, nasceu com trissomia 21, condição genética causada pela presença integral ou parcial de uma terceira cópia do cromossomo 21. “A síndrome é um detalhe em mim. Tirando isso, o resto é tudo igual”, diz ela. “Não quero que as pessoas achem que quem tem essa condição genética é apenas isso. Eu e todo mundo queremos ser tratados de forma normal”, afirma Tathi. É com esse objetivo que ela trabalha: para que a sociedade pare de olhá-la com pena ou curiosidade, por exemplo, ou tratá-la de forma diferente. “Eu não sou especial. Parem com isso.”

Sua professora de teatro em Nova York, a atriz e diretora Debora Balardini, seguiu naturalmente essa recomendação. “Quando decidi montar o texto, só falei que era obrigação da Tathi me dizer qualquer coisa que não entendesse, assim como eu falo para qualquer outro ator que vem aqui”, lembra. O texto, em cinco páginas, não tinha nenhuma pontuação, e assim foi mantido. Para a diretora, era importante manter a “voz original da autora, não colocar o texto naquele formatinho que todo mundo segue”. Além de respeitar Tathi, Debora aumentou o próprio repertório de movimentos. “Ela tem dificuldade, por exemplo, de se mexer e falar, mas isso não vem à tona quando ela está trabalhando. Além disso, todo mundo tem certas limitações.”

Após a estreia, Menina dos meus olhos, a primeira peça profissional escrita e protagonizada por alguém com a trissomia no mundo, de acordo com a diretora, foi apresentada em Miami e, depois, na Unicef, até que, em 2016, ganhou o Brazilian International Press Awards na categoria Melhor Peça – Tathi também foi indicada como Melhor Atriz. “Nunca desisto dos meus sonhos. Sempre acredito e vou atrás”, afirma a atriz e autora sobre a conquista.

 

MENSAGEIRA

Foi essa força, que a acompanha desde a infância, a responsável para que Tathi enfrentasse episódios de preconceito durante sua vida, sobre os quais ela prefere não se estender – conta apenas que costuma ignorar quem a discrimina. Mas foram exatamente algumas dessas passagens – como pais e mães que puxavam seus filhos para longe – que levaram sua mãe, Patrícia Heiderich, e o pai, Fernando, a criar com um casal de amigos, em 1994, o Instituto MetaSocial, com sede no Rio de Janeiro. Foi essa instituição que, em 2003, criou o slogan “Ser diferente é normal”, transmitido em uma propaganda de TV que trazia uma menina com Down dançando. “Buscamos mostrar que quem tem a síndrome de Down merece as mesmas oportunidades que todo mundo”, diz Patrícia. “Minha filha respira independência, como eu poderia ir contra isso?”

Criada dessa maneira, estudando em escolas regulares e sendo tratada da mesma forma que os pais educaram suas duas irmãs, o interesse de Tathi se abriu para o mundo – “Para que ter proteção especial? Fala!”, diz. Além de atriz e autora de peça, ela atua como porta-voz da pessoa com trissomia 21 no instituto MetaSocial, passando sua mensagem em vídeos, em palestra na ONU ou virando personagem da Turma da Mônica (sim, ela é a Tati, lançada por Mauricio de Sousa em 2011). Multitarefa, Tathi também trabalha como influenciadora digital, algo que surgiu de maneira natural: “Eu tinha uma página no Instagram e, aí, fazendo academia, perdi quase 15 quilos. O número de seguidores cresceu e comecei a apostar nisso”, diz ela. Além do vaivém da balança, comum a tantas pessoas, ela teve a ideia de mostrar seu dia a dia e discutir questões que acha importantes para famílias que têm alguém com trissomia 21. Assim, criou um canal no YouTube, com seu nome.

Outro projeto que Tathi está tocando no momento é o Oi, Eu Estou Aqui, de intercâmbio. A ideia é que ela se hospede em casas de famílias com alguém com síndrome de Down e troque vivências. Com essas trocas, espera mostrar que essas pessoas podem morar sozinhas no futuro. No começo do ano, Tathi fez sua segunda experiência ao ficar por dez dias em uma casa em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. Daqui a alguns meses, vai receber o anfitrião em sua casa, em Miami.

 

NINGUÉM É MELHOR DO QUE NINGUÉM

De acordo com Cezar Bueno de Lima, professor do programa de mestrado em direitos humanos e políticas públicas da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), os brasileiros, em geral, têm o preconceito enraizado de forma histórica. “A gente ainda precisa caminhar muito para entender que as diferenças fazem parte da sociedade, que são a essência dela, e aceitá-las”, afirma. O caminho para isso, segundo ele, é trabalhar a educação inclusiva e políticas públicas de combate à intolerância, a exemplo de alguns países europeus, o Japão e o Canadá.

“É uma questão urgente inserirmos as pessoas com trissomia 21 na sociedade”, afirma Zan Mustacchi, geneticista do Centro de Estudos e Pesquisas Clínicas de São Paulo e uma das maiores autoridades sobre o assunto no país. A melhora na expectativa de vida dessas pessoas, que até os anos 80 ficava entre 20 e 30 anos, hoje é de 60 a 70 anos (a do Brasil, é de 76), aumenta essa preocupação. Sem inclusão, não há trabalho e qualquer indivíduo se torna mais dependente em relação aos outros. “Todo mundo precisa de oportunidades, isso faz parte do conceito de cidadania”, afirma o médico.

A oportunidade do momento para Tathi, além de todos os seus projetos, é transformar a sua peça em filme. Seja no palco, no cinema, nas redes sociais ou ao vivo, o que ela mais quer é transmitir sua mensagem para todos. “Desejo que mais e mais pessoas vejam quem eu sou, de um jeito normal. Isso é um sonho meu. Mas também é um direito, não é?”

Quer conhecer outras histórias de sucesso? Leia aqui.


Parabéns à Tathi! Que sua trajetória possa inspirar e motivar todos que lutam pela inclusão social.

Como sociedade devemos ter a responsabilidade e compromisso com a inclusão social. Só será possível evoluirmos socialmente a partir de uma postura ética de reconhecimento da diversidade humana e valorização das diferenças.

Nossos  agradecimentos à equipe da revista Gol que autorizou a reprodução da matéria aqui no Educando Tudo Muda. Essa é uma publicação mensal, disponível aos que voam Gol.

Abraços à todos

Ana Lúcia Machado

 

A COR DO LÁPIS COR DE PELE – FALANDO SOBRE DIVERSIDADE COM AS CRIANÇAS

A COR DO LÁPIS COR DE PELE – FALANDO SOBRE DIVERSIDADE COM AS CRIANÇAS

QUAL  A  COR DO LÁPIS COR DE PELE?

Para responder essa pergunta proponho a discussão  de um tema muito presente em nossa sociedade nos dias de hoje – a diversidade

Para começar esta conversa, quero contar a história da menina Coraline, do livro A cor de Coraline (Editora Rocco), escrito e  ilustrado pelo paulistano  Alexandre Rampazzo.

A COR DO LÁPIS COR DE PELE – FALANDO SOBRE DIVERSIDADE COM AS CRIANÇASCerta manhã Coraline estava na sala de aula, quando um coleguinha se aproximou e disse: Coraline, você me empresta o lápis cor de pele?  Essa pergunta deixou a menina intrigada. Ela olhou para sua caixa de lápis de cor e pensou:  Cor de qual pele?

QUAL  A  COR DO LÁPIS COR DE PELE? De que pele estamos falando?

Essa história traz o tema da diversidade de maneira lúdica para as crianças, e instiga importantes questionamentos, tais como: identidade, representatividade e empatia.

Assim como na natureza, onde a variação entre semelhantes é imensa, entre nós seres humanos também encontramos as mais variadas constituições e características físicas –  em relação a peso, altura, formato de rosto, tipo e cor de cabelo, de olho e ainda de pele. Todas essas variações fazem com que ninguém seja igual a ninguém. Somos semelhantes, porém diferentes uns dos outros.

 

Uniformidade não é a forma da Natureza. Diversidade é a forma da Natureza. Vandana Shiva

 

O Brasil é um país composto por diferentes etnias, o que resulta numa grande variedade de tons de pele entre nós. Essa variedade foi retratada no trabalho da artista plástica carioca Adriana Varejão. Em sua obra intitulada Polvo, Adriana traz a beleza da miscigenação brasileira.

A série Polvo foi inspirada no censo do IBGE de 1976, que nesse ano, fez pela primeira vez uma pergunta aberta aos brasileiros: “Qual a sua cor de pele?”. Foram  136 respostas que apresentaram nomes como sapecada, encerado, branquinha, morena-bem-chegada, morena-jambo, queimada de praia, cor-de-ouro, puxa-para-branco. A artista selecionou 33 nomes e criou 33 bisnagas de tons diferentes para sua obra.

Como fica então a tal “cor de pele”  identificada por aquele rosadinho que não representa a cor de quase ninguém? Usar o bege ou o rosa como cor de pele não mostra a riqueza da diversidade humana. Trata-se de uma convenção que carrega em si fissuras sociais e culturais que precisam ser discutidas para que preconceitos e discriminações não se perpetuem em nossa sociedade.

 

A cor do lápis cor de pele - falando sobre diversidade com as crianças

O projeto Humanae criado pela fotógrafa e artista brasileira Angélica Dass, é uma tentativa de cutucar tais fissuras mostrando e ampliando a paleta de cores de pele da espécie humana. Esse trabalho teve início em 2012 na Espanha, onde mora a artista, e já retratou mais de 3.000 voluntários em 15 países. Angélica diz que o Brasil é a nação mais colorida, ao mesmo tempo que é o país onde o preconceito encontra-se institucionalizado e velado.

 

Para estimular essa reflexão desde cedo, histórias como A Cor de Coraline são importantes, e obras artísticas como as de Adriana e Angélica podem inspirar excelentes trabalhos com as crianças.

A COR DO LÁPIS COR DE PELE – FALANDO SOBRE DIVERSIDADE COM AS CRIANÇAS

Outras iniciativas reforçam também o trabalho de conscientização que precisamos fazer, como a da empresa brasileira de produtos de arte –  a Koralle,  e seu kit de lápis com 24 tonalidades de pele. Em parceria com professores de um curso da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que promove a igualdade racial nas escolas, a empresa atualizou seu kit  de 12 cores criado em 2016 para que todas as crianças tenham a chance de ter sua cor representada ao colorir um desenho.

 

 

 

E se também oferecêssemos às crianças uma variedade de folhas naturais e papéis coloridos para que possam criar pessoas representantes de diversas etnias ?

A diversidade é o que torna a vida surpreendente e revela a beleza existente em cada ser humano. Ser diferente é absolutamente natural. Reconhecer e valorizar as diferenças nos enriquece enquanto sociedade. Estar na roda da diversidade, lado à lado com as diferenças, é viver de maneira ética, e ser ético é nosso dever enquanto seres humanos.

Após a conclusão do meu curso de pós-graduação  em Deficiência Intelectual, o que ficou muito marcante para mim é que somos parte de uma sociedade discriminatória e excludente. Dessa forma,  temos que ser vigilantes de nós mesmos para combater a naturalização de comportamentos e posturas preconceituosas. A família e a escola têm papel preponderante para a construção de uma sociedade pluralista.

Voltando ao começo da nossa conversa, Coraline imaginou inúmeras possibilidades para atender o pedido do amiguinho e nos surpreende com a cor do lápis cor de pele que entregou a ele. Vale a pena ler a história completa.

 

Não somos iguais, e é maravilhoso saber que cada um de nós é diferente do outro, como constelações. O fato de podermos compartilhar esse espaço, de estarmos juntos viajando não significa que somos iguais; significa exatamente que somos capazes de atrair uns aos outros pelas nossas diferenças. Ailton Krenak, Ideias para adiar o fim do mundo

Por que refletir sobre a diversidade?

  • Porque reconhecer e valorizar a diversidade é o primeiro passo para construir uma sociedade mais justa e inclusiva.
  • Porque as crianças, desde cedo, devem aprender que o mundo é feito de histórias e culturas diferentes, todas elas dignas de respeito e admiração.
  • Porque obras como essas abrangem a totalidade e nos ajudam a expandir nossos horizontes, promovendo um olhar mais sensível e acolhedor para com o outro, cultivando a empatia e o respeito.

 

Combater o racismo estrutural e os estereótipos que, muitas vezes, tentam restringir e definir as pessoas por uma única cor ou característica é fundamental.  A representatividade na literatura infantil, como vemos em A Cor de Coraline, é um poderoso caminho para promover o respeito e a empatia desde cedo. Ao lermos histórias que abraçam diferentes identidades e cores, ensinamos às nossas crianças a importância de valorizar todas as culturas e histórias, sem deixar que a cor da pele seja um fator de discriminação.

Que possamos nos inspirar na mensagem de Coraline e continuar construindo uma sociedade mais justa, igualitária e inclusiva, onde todas as cores sejam celebradas. A sociedade é plural. Na família, na escola, a diversidade deve ser regra. Que possamos de maneira ética e pedagógica acolher ativamente a pluralidade.

Fica aqui a dica de outra publicação que aborda o mesmo tema de maneira bem distinta. Trata-se de um livro-imagem – uma narrativa sem palavras,  de autoria do ilustrador Maurício Negro, intitulado Gente de Cor, Cor de Gente (FTD). Livros só com imagens estimulam narrativas próprias e propiciam ricas discussões entre as crianças, experimente.

Quer outras dicas de livros sobre a temática da Diversidade Etnocultural?

CONFIRA AQUI: Diversidade Etnocultural – 20 livros infantis para falar sobre diversidade etnocultural com as crianças

E prá finalizar deixo aqui também como referência de trabalho desta temática com as crianças a música “Coloridos”, da dupla Palavra Cantada.

Abraços multicoloridos

Ana Lúcia Machado